quinta-feira, 11 de abril de 2019

Vamos pra Geórgia? Sim, por que não? – parte II

Nesta segunda parte Marcos Brum, nos conta um pouco mais sobre o evento que tomou parte e sobre a cidade de Tbilisi, capital da Geórgia. Acompanhe!

A mesa de abertura da Assembleia Geral do CECA-ICOM deste ano.


Como ocorre anualmente, parte do evento foi dedicado à Assembleia Geral do CECA-ICOM, na qual foram apresentados os resultados alcançados no último ano, os projetos em andamento e as proposições para o próximo ano. Por causa do momento sensível e crítico que enfrentávamos no Brasil, no campo dos museus, ‘garimpei’ alguns minutinhos para falar na assembleia. Agradeço o espaço oferecido pela diretoria do CECA para que apresentássemos a situação vivida pelo Ibram em 2018, que tinha suas atividades e políticas na iminência de sofrerem preocupante esvaziamento.

Muito se perguntou, ao longo do evento, sobre as causas, o impacto e as providências tomadas no Brasil quanto ao incêndio do Museu Nacional. A assembleia foi uma ótima oportunidade para que pudéssemos expor a questão, articulando-a com a Medida Provisória 850/2018, que extinguia o Ibram e criava a Abram – Agência Brasileira de Museus. Propus uma Moção de Apoio ao Instituto Brasileiro de Museus que, aprovada na Assembleia Geral, acabou com a seguinte configuração:

“Moção de Apoio

A Comissão de Educação e Ação Cultural do Conselho Internacional de Museus, tomando conhecimento da crise no setor museológico brasileiro, expressa sua profunda preocupação com a extinção do Instituto Brasileiro de Museus, Ibram. A Política Nacional de Museus e a Política Nacional de Educação Museal, realizadas pelo Ibram em diálogo com diversos especialistas dos museus, são marcos para o campo e fonte de inspiração para a comunidade de museus ICOM, espalhados por todo o mundo. A Assembléia Geral do CECA, reunida em 27 de outubro de 2018 em Tbilisi, Geórgia, vota e aprova esta moção de apoio.”

O impacto das notícias foi considerável, tendo em vista que nos dias anteriores os representantes do Brasil no evento haviam apresentado a Política Nacional de Educação Museal e o público havia manifestado o desejo e a demanda para que o Caderno da PNEM fosse traduzido para as línguas oficiais do ICOM (inglês, francês e espanhol). Diversos participantes manifestaram o desejo de enviar, da parte de suas instituições e governos (quando fosse o caso), documentos que apoiassem a manutenção do Ibram, reconhecendo nossas contribuições para o campo museológico internacional.


Visita ao Museu de História de Talavi
Área externa do museu, cercado por muralhas.
 
O último dia do evento foi reservado à excursão ao Vale Kakheti. Neste tour pudemos visitar três unidades museológicas diferentes, componentes do Museu Nacional da Geórgia (trata-se de um museu polinucleado): Sighnaghi, Tsinandali e Telavi. Foram destacados aspectos marcantes da história arqueológica, política e artística da Geórgia, através de exposições com linguagens variadas e inovadoras.

Visita ao Museu Sghnaghi: exposição do pintor Niko Pirosmani.
Setor de arquelogia do museu.

Vale mencionar os processos de restauro pelos quais passaram os sítios históricos do país, a partir de 2004. A concepção de intervenção georgiana é bem mais tolerante que a brasileira, permitindo a substituição total de materiais arquitetônicos, muitas vezes permitindo que novas soluções fiquem aparentes, mesmo em prédios tombados.

Palácio e residência do Rei Erackle II, restaurado em 2004.


A Geórgia é considerada o berço do vinho. Segundo pesquisas, o achado arqueológico mais remoto que testemunha a cultura da uva foi achado no país. O Vale Kakheti é exatamente a região do vinho e tivemos a oportunidade de visitar a vinícola Shumi, que ainda mantém características do método antigo de produção georgiano. Nesta ocasião, os habitantes e trabalhadores locais foram nossos mediadores, inclusive apresentando uma oficina de produção de pães segundo as tradições regionais.

Vinícola Shumi, no Vale Kakheti. Clique para ver maior.
O método georgiano de produção conta com vasos de barro enterrados no solo,
onde a uva fermenta por 6 meses. Clique para ver maior.
Após este período, o vinho envelhece nos barris de madeira. Clique para ver maior.
Continua...