segunda-feira, 19 de junho de 2017

Uma história do Museu Casa de... Maria Joaquina

Maria Joaquina da Costa Botelho de Magalhães: esposa, mãe, "matrona",
dona de casa e até "primeira museóloga" de Benjamin Constant

Não, não se trata de uma campanha pela mudança do nome do nosso museu. Porém, na #MuseumWeek 2017, é uma justa homenagem que fazemos a ela, Maria Joaquina da Costa Botelho de Magalhães. Os dois últimos sobrenomes ela adquiriu quando se casou com Benjamin Constant Botelho de Magalhães, quando tinha apenas 15 anos de idade. Filha de Claudio Luis da Costa, irmã de Olympia Bittencourt da Costa, cunhada do poeta Gonçalves Dias, Maria Joaquina é figura de imensa importância para nós.

Quando Benjamin Constant faleceu, em 1891, muita gente tratou de prestar-lhe as mais efusivas homenagens. E muito do que louvava a memória de Benjamin lembrava também o papel “inspirador” da sua esposa. Pense bem: Maria Joaquina passara a vida ao lado de um professor de matemáticas, diretor de escolas, um positivista cuja paixão era a educação. Chega a crise do Império, Benjamin se vê no centro das discussões sobre os rumos do Brasil. Em novembro de 1889, o professor organiza, junto com outros companheiros, o golpe final à Monarquia. Ela vê seu marido passar de professor a Ministro da Guerra, e depois da Instrução Pública.

Em 1891, logo no começo do ano, Benjamin morre. Passa de Ministro a Patriarca e Fundador da República brasileira, quantas honras! Até um museu foi projetado por um político da época, Demétrio Ribeiro, que deveria funcionar na última casa de Benjamin. Maria Joaquina começa, então, seu trabalho de organização e preservação da memória do esposo: faz a lista de bens deixados por ele, autentica documentos, empresta e recolhe fontes históricas junto aos biógrafos de Benjamin. Será que ela foi a primeira museóloga do nosso museu? Bem que poderíamos começar a pensar que sim.

Até porque, entre a morte de Benjamin e a sua própria, em 1921, ela cuidou de muito mais. A casa onde hoje é o museu foi mantida, dizem algumas testemunhas, numa disciplina amorosa, mas rígida. Como afirmou um jornal da época, Maria Joaquina era uma digna “matrona”. Mas que se diga a verdade: por muito tempo as mulheres foram reconhecidas somente pelo papel que desempenhavam em casa, no cuidado dos filhos, na gerência do lar. Nada de surpreendente, sobretudo quando se fala de uma esposa de positivista do final do século XIX. Hoje queremos fazer mais do que isso, quando mais não seja, ao menos para trazer ao debate (sempre republicano) a centralidade das mulheres em todos os aspectos da vida em sociedade.

Teríamos um museu bem diferente se não fosse Maria Joaquina, e sempre fomos dirigidos por mulheres. Essa é outra história que ainda vamos contar. Mas uma coisa é certa: se houve uma guardiã da memória que iniciou tudo isso, o nome dela é Maria Joaquina. Esse museu também é casa dela.

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