quarta-feira, 21 de junho de 2017

As filhas de Benjamin Constant

Filho, filhas e viúva e Benjamin Constant
De pé, da esquerda para a direita: Benjamin Constant Filho - aqui com 21 anos - Alcida e Bernardina
Sentadas: Aldina, Aracy, Maria Joaquina e Adozinda. Foto de 1 de fevereiro de 1892
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6 de outubro (domingo)
Mamãe, Alcida e eu fomos jantar com Aldina; papai também foi, 
porém foi primeiro visitar o João e achou-o melhor. A Clara 
também foi à casa de Aldina, para visitar Araci. Meu padrinho
também jantou lá.(...)

Excerto de "O Diário de Bernardina", pequena publicação organizada
por Celso Castro e Renato Lemos, com base no diário de Bernardina
Botelho de Magalhães, filha de Benjamin Constant.

São com descrições de um dia a dia de família assim que “O diário de Bernardina”, pequeno livro compilado a partir do diário da quarta filha de Benjamin Constant, nos cativa para um mundo muito diferente do nosso, em fins do século XIX, quando nosso patrono vivia com suas filhas e filhos no centro do Rio de Janeiro de então. Professor de matemática de vários colégios e militar de carreira, Constant estava bem no meio do processo da Proclamação da República mas sua família vivia o cotidiano comum às famílias da época. Suas filhas levavam vidas de moças educadas para casar, próprio daquela época, e observavam os acontecimentos. Uma diferença as distinguia das demais, além do fato de serem filhas do futuro "Fundador da República": todas sabiam ler e escrever, exigência do pai, o que não era comum a todas as moças da época, mesmo as de classe mais alta.

O casal Botelho de Magalhães teve cinco moças e três rapazes. Infelizmente nenhum dos meninos sobreviveu. Mas elas sim, foram a real descendência de nosso patrono. Vejam alguns poucos detalhes a respeito de cada uma delas:

Aldina Constant Botelho de Magalhães (na foto, a de nº 5), a primeira, nascida em 1864, casou-se com o alemão Karl Fraenkel, teve cinco filhos, e veio a falecer em 1938;

Adozinda Constant Botelho de Magalhães (na foto, a com o nº 2), nascida em 1866, casou-se com Alvaro Joaquim de Oliveira, com quem teve nove filhos, e faleceu em 1942;

Alcida Constant Botelho de Magalhães (na foto, a de nº 4), nascida em 1869, casou-se com José Bevilaqua, com quem teve 11 filhos. Bevilaqua foi um dos principais responsáveis pela família após a morte de Benjamin Constant. O casal ficou na casa da família e cuidou da matriarca, Maria Joaquina, até seu falecimento, em 1921. Um dos  netos é avô do Gal. Pery Constant Bevilaqua, figura da maior importância na família na década de 1960. Alcida faleceu em 1957;

Bernardina Constant Botelho de Magalhães (na foto, a nº 3), nascida em 15 de abril de 1873, casou-se com João Albuquerque de Serejo, com quem teve 10 filhos. Autora do um diário que citamos acima, onde registrou o dia a dia de sua família e também durante o período da Proclamação, o que o torna um documento histórico importante. É das figuras mais conhecidas da família por isto mesmo. Construiu uma casa ao lado da casa da família que se chama “Casa de Bernardina”, hoje sede de nosso museu. Falecida em 1928, apenas 7 anos após sua mãe, Maria Joaquina;

Aracy Constant Botelho de Magalhães (na foto, a nº 1), nascida em 1882, perdeu seu pai com apenas 9 anos. Não se casou, portanto não teve filhos. Residiu na casa da família desde seu nascimento até sua morte em 1961, contando com 79 anos. Após seu falecimento, seu sobrinho neto, o Gal. Pery, solicita ao SPHAN o retorno do terreno e das casas para a União com vistas à transformação no futuro Museu Casa de Benjamin Constant.

Seus irmãos, que não sobreviveram, tiveram as seguintes breves biografias:

Leopoldo H. de Magalhães, primeiro filho homem que nasce em 1870, logo depois de Alcida, falece no ano seguinte.

Benjamin Constant Filho, nasce em 1871, tem uma vida curta e um tanto conturbada, falece em 1901, aos 30 anos, sem se casar nem deixar herdeiros, em circunstâncias não esclarecidas. É o que aparece na foto acima com as irmãs.

Claudio Botelho de Magalhães , nasce em 1875, antes de Aracy, mas igualmente não resiste às doenças infantis da época e falece logo em 1878.

Ainda precisamos de muita pesquisa (e muitos pesquisadores...) para esquadrinhar todo o universo de fotos, cartas e documentos guardados em nossos acervos histórico, fotográfico e também museológico para percebermos o tanto que essas meninas, moças e mulheres têm a nos dizer com o legado de pequeninos trabalhos em costura, bordado e muitos escritos. As partituras de suas valsinhas, polcas e outras músicas para piano e violino, seus bilhetes, mesmo os corriqueiros, seus comentários, suas brincadeiras e risadas que ainda hoje estão por aqui, guardadas em tantos guardados. A força de mulheres que construíram a história de uma família que é particular, mas que também é de muitos. Exemplo para os seus, e para todo um povo.

Leia neste post sobre "O Diário de Bernardina"

#WomenMW #MuseumWeek

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