segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Outubro Rosa no ar novamente

Logo pela manhã, um bate papo com a Dra. Eliane Araújo.

Temos a satisfação de dizer que nosso museu está bastante atento a todas as campanhas e causas que envolvam problemas humanos, sociais ou da natureza e não raro apoiamos e nos envolvemos a elas de alguma forma. Assim sendo, há três anos passados o Outubro Rosa entrou para nosso "calendário de eventos" e tivemos o prazer de realizar pequenas e simbólicas ações no sentido de alertar nossas funcionárias e visitantes sobre a importância do auto exame das mamas na idade correta e de realizar todos os exames ligados à manutenção de uma uma boa saúde, sem sustos. Prevenir é melhor que remediar, todo mundo sabe, mas há quantos anos você não vai ao médico para um 'check-up' simples?

Neste ano tivemos a grata surpresa de poder colaborar com um trabalho de prevenção ainda muito maior daqueles que já havíamos tomado contato: o do Centro Municipal de Saúde Ernani Agrícola - nosso "vizinho" de rua - que realiza vários programas informativos de qualidade de vida para pessoas que moram em nosso bairro, e com isso uma das atividades do Outubro Rosa do Posto foi realizada aqui. Na manhã do dia 19 de outubro um grupo com cerca de 30 senhoras ocupou um pedaço de nosso caramanchão para fazer alguns breves exercícios e também para assitir à palestra da Dra. Eliane Araújo.

O grupo ouviu e questionou a partir de suas experiências diárias sobre hábitos
que auxiliam e atrapalham a saúde da mulher e os cânceres mais comuns.

Foram momentos muito edificantes que com certeza colaboraram com a disseminação de informação relevante entre a população carente de recursos de toda ordem, o que só nos deixa mais satisfeitos. Na oportunidade tivemos a chance de conversar com a professora de educação física Ana Carolina Silva, que acompanha alguns grupos do posto de saúde em visitas e atividades físicas por nosso bairro e destacamos alguns de seus pensamentos sobre a ocasião que achamos bastante pertinentes.

Segundo a profissional, há enorme importância na proteção e prevenção às mulheres que não têm informação fácil a doenças como o câncer de mama. Segundo ela, a campanha do Outubro Rosa serve para alertar sobre a importância da prevenção, do tipo "não deixe de ir ao seu médico, não deixe de fazer exames". Durante todo o mês, todas as unidades de saúde intensificam ações de divulgação de doenças tais como o câncer de colo de útero e de mama, criando rodas de conversas, bate papos com café ou em salas de espera, entre outros encontros, tudo que se possa falar sobre o assunto e alertar muitas as mulheres para a necessidade de se prevenir. "Além disso..., diz Ana, "tornar essas mulheres que vêm ao posto multiplicadoras da informação, para alcançarmos também as mulheres que não têm o hábito de vir a uma consulta médica. Esse é o maior foco das ações no Outubro Rosa".

Outros encontros ao longo da semana foram realizados em outras instituições do bairro,
estreitando os laços entre pacientes e profissionais de saúde do Ernani Agrícola.

Uma coisa que pudemos notar no programa criado pelo Centro de Saúde do bairro neste ano, foi a variedade de instituições que o posto contactou para que se tornem parceiros das atividades da semana, disponibilizando um espaço - ou até mesmo toda a sua área - para a realização de reuniões diferentes, incomuns, saborosas, divertidas, fora do dia a dia das mulheres. Segundo Ana Carolina, tal coisa é feita pelo seguinte motivo: "Esse ano resolvemos fazer diferente, visitar os espaços que temos em parceria no nosso território, pois gostaríamos que essas mulheres e homens conhecessem esses espaços (alguns nunca entraram), e para que essas conversas fossem em lugares agradáveis como o Museu Casa de Benjamin Constant, e assim sairíamos da lógica de só se falar sobre doença e prevenção dentro de uma unidade de saúde."

Temos certeza de que a ideia surtiu o efeito desejado e estamos prontos a participar e colaborar em outras ocasiões e iniciativas. Parabéns ao Ernani Agrícola!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sinetes da família Benjamin Constant

Sinete em resina e metal, século XIX: pertenceu a Marciano Augusto Botelho de Magalhães,
irmão de Benjamin Constant.


Dos primeiros vestígios de grafismos dos homens das cavernas aos modernos e-books, a escrita é uma das mais fascinantes formas de comunicação da humanidade. Em busca do suporte e das "ferramentas" ideais, o homem já usou de tudo um pouco tanto para escrever, quanto para registrar o que escreveu: da pedra ao LCD, das placas de argila ao papel como hoje o conhecemos. No século XIX, quando viveu nosso patrono, toda a força e o poder da comunicação escrita ficaram bem visíveis. A caligrafia e letras bem desenhadas obtiveram prestígio, muitos livros foram editados e jornais passaram a ter maiores tiragens. O reconhecimento da atividade de escritores e jornalistas pela sociedade só aumentou e formaram-se as primeiras Academias de Letras, além de espaços de leitura e bibliotecas.

Sinete em metal e madeira, século XIX: pertenceu a Benjamin Constant.


Um dos acessórios que, neste período, foi de grande importância, eram os chamados "sinetes" ou "selos", e é sobre eles que falamos nesta pequena nota. Eles já existiam desde o inicio do 3º milênio a.C., na Grécia Antiga, e serviam para registrar e garantir a origem de determinado documento. Ou seja: garantiam que aquela carta, aquela notícia vinha de origem confiável, da pessoa que efetivamente assinava, e não era uma falsificação. Entre os séculos XVI a XVIII os sinetes voltam a ser de larga utilização pelo mesmo motivo: atestar a origem da informação, ratificando as comunicações.

De um modo geral, do séc. XIX para cá, o sinete é um pequeno objeto de metal, como ouro ou prata, (placa, coluna e até anel), usado como assinatura do proprietário e/ou responsável por uma organização, para selar e autenticar documentos e cartas. É importante destacar que, normalmente, ele não é individual, mas sim coletivo, relativo a um Estado, empresa, partido, família, representando um grei, clã ou outra denominação coletiva que tenha no mínimo quatro pessoas, como por exemplo o famoso "Anel do Pescador" usado pelo Papa, ou pelo "grande sacerdote" da Igreja Católica Apostólica Romana. Após a assinatura, a impressão da marca é feita com um pouco de cera que é derramada sobre o papel no qual é pregado com o sinete, deixando um desenho pessoal, como um brasão ou um símbolo.

O Anel do Pescador - também conhecido como Anulus Piscatoris (em latim) ou Anello Pescatorio (em italiano), é um símbolo oficial do Papa, o sucessor de São Pedro, que era um pescador. O anel de ouro apresenta um baixo relevo de São Pedro - o primeiro Papa - pescando em um barco. O símbolo deriva da tradição de que os apóstolos eram "pescadores de homens". Até 1842 tal anel era usado como um sinete para selar documentos oficiais assinados pelo Papa. Após uma morte papal, o anel é destruido pelo Camerlengo, a fim de evitar documentos falsos durante a Sede Vacante. Na foto, Papa Bento XVI usando o anel do pescador.


Símbolos distintivos de erudição e bom gosto, os sinetes e selos, bem como os tinteiros, canetas, penas e espátulas, por exemplo, são representativos de um certo padrão civilizatório ostentado pelas elites, notadamente no final do século XIX e início do XX. Detinham também a função de fechar acordos políticos e marcar grandes acontecimentos.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

34 anos de Museu

Clique para ver maior.

"Quem foi esse homem ilustre
que o título mereceu
de Fundador da República
e depois que faleceu
em honra à sua memória
foi construído um museu?"

Autoria: Gonçalo Ferreira da Silva

Hoje é nosso aniversário. Em 18 de outubro de 1982 nosso museu foi aberto oficialmente para cumprir sua missão institucional precípua: a de manter viva a lembrança, a história e a vida do Fundador da República, Benjamin Constant. Muita coisa se passou, muita coisa mudou nesses anos todos, mas estamos certos que continuamos evoluindo em nossa lide, sempre melhorando nossa casa histórica e a divulgação da vida e pensamentos de seu ilustre morador, desenvolvendo nosso parque, aprimorando nossas atitudes pautadas pela sustentabilidade e pelo respeito ao meio ambiente, aumentando nossa consciência ecológica, afinando nossas parcerias e muito mais. Temos desenvolvido novas formas de comunicação, como por exemplo este blog, nossa Fan Page no Facebook, e nosso Twitter. Mas também há tempo para levar a história de Benjamin a outros suportes e foi o que fizemos neste ano: solicitamos à Academia Brasileira de Literatura de Cordel que produzisse um cordel sobre nosso patrono e o resultado foi "Benjamin Constant, o Fundador da República". Ainda sem muito alarde estamos divulgando a nova mídia (que não deixa de ser um meio de comunicação), aos poucos, até que seja o momento certo para seu lançamento oficial, de preferência bem ao estilo tradicional dessa manifestação cultural tão brasileira. A capa você vê acima, bem como um trechinho que pinçamos da peça. Mas não pense que é só: virá muito mais. Temos muitas novidades para "pôr no ar" e muito trabalho pela frente. Contamos com sua presença nos apoiando e incentivando sempre a realizar novas ações. Procuramos sempre nos manter vibrantes e ligados nas novidades. Temos certeza de que para mantermos a memória viva, é preciso nos reinventarmos de forma constante.

18/10/2016 
Elaine Carrilho

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Que Árvore é Esta? O Olho de Boi





Nossa árvore e sua plaqueta de identificação:
será o Olho de Boi de nosso museu "legítimo"?

Muita gente pensa que o Olho de Boi - aquela semente grande, marrom e bem comum como amuleto entre supersticiosos que a identificam com diversos poderes mágicos - é apenas aquilo que vemos: no entanto, por se tratar de uma semente, é sinal que ela dá origem a uma planta... E qual a surpresa de muitos que chegam ao nosso museu e "descobrem" a enorme árvore do Olho de Boi! Ela fica bem em frente à casa histórica e tem inclusive um banco feito em concreto ao seu redor, o que facilita para aproveitar sua sombra e brisa cálida.

A semente do Olho de Boi usada para fazer amuletos.


Seu nome científico é Cupania vernalis e é uma planta nativa do Brasil, leste e nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Mas há controvérsias: existem pelo menos mais OITO denominações de árvores (sete brasileiras e uma de origem chinesa), que também dão origem a uma semente chamada de "Olho de Boi". Veja o quadro abaixo:

Nome científicoNome popular
Dioclea violaceaCoroanha, Coronha ou Mucunã
Nephelium longanaLongana - nativa da China
Buphthalmum salicifoliumBuftalmo
Hymenaea courbarilJatobá
Mucuna urensMucunã
Mucuna altissimaMucunã
Talisia esculentaPitombeira
Eryphanis reevesiAzul-Ferrete


Bom, para facilitar, ficaremos apenas com o que encontramos pesquisando a Cupania vernalis, que teve sua identificação feita ainda em 1982, por parte dos técnicos da FEEMA, por ocasião das obras de abertura de nossas instalações. E também neste caso vários nomes populares estão a ela ligados. Diz-se que a árvore chama-se "Camboatá" (ou "Camboatã"), "Gravatã", "Miguel-Pintado" ou "Cuvantã".

O fruto é composto pela cápsula/vagem ou fava, com as sementes dentro.


Trata-se de uma árvore de folhas perenes que pode atingir uma altura de 25 metros com diâmetro à altura do peito de 80 centímetros. As folhas são compostas e o fruto é uma cápsula sulcada e que se abre quando maduro. É neste ponto que podemos identificar nossa árvore como um "Olho de Boi": dentro desta "cápsula" (ou vagem, ou fava) normalmente se encontram duas ou três sementes características. E é daí que saem as sementes que viram amuletos.

A poderosa copa, que se estende por toda a frente de nossa casa histórica.

O florescimento acontece normalmente entre os meses de março e maio, com maturação dos frutos de setembro até novembro. E aqui há outra dúvida: alguns de nossos servidores que trabalham há mais tempo no museu, dizem que esta árvore é por demais antiga para gerar frutos, e que portanto não temos nenhum deles nascido e colhido aqui. Outros discordam, afirmando que já viram as vagens caírem em algumas poucas ocasiões e que, realmente, trata-se de uma semente de olho de boi. No nosso dia a dia estamos sempre perto da árvore mas, até o momento, não testemunhamos nenhuma vagem caída ou uma semente à solta. Continuaremos a observá-la, quando menos, por sua beleza verde e forte.