quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sinetes da família Benjamin Constant

Sinete em resina e metal, século XIX: pertenceu a Marciano Augusto Botelho de Magalhães,
irmão de Benjamin Constant.


Dos primeiros vestígios de grafismos dos homens das cavernas aos modernos e-books, a escrita é uma das mais fascinantes formas de comunicação da humanidade. Em busca do suporte e das "ferramentas" ideais, o homem já usou de tudo um pouco tanto para escrever, quanto para registrar o que escreveu: da pedra ao LCD, das placas de argila ao papel como hoje o conhecemos. No século XIX, quando viveu nosso patrono, toda a força e o poder da comunicação escrita ficaram bem visíveis. A caligrafia e letras bem desenhadas obtiveram prestígio, muitos livros foram editados e jornais passaram a ter maiores tiragens. O reconhecimento da atividade de escritores e jornalistas pela sociedade só aumentou e formaram-se as primeiras Academias de Letras, além de espaços de leitura e bibliotecas.

Sinete em metal e madeira, século XIX: pertenceu a Benjamin Constant.


Um dos acessórios que, neste período, foi de grande importância, eram os chamados "sinetes" ou "selos", e é sobre eles que falamos nesta pequena nota. Eles já existiam desde o inicio do 3º milênio a.C., na Grécia Antiga, e serviam para registrar e garantir a origem de determinado documento. Ou seja: garantiam que aquela carta, aquela notícia vinha de origem confiável, da pessoa que efetivamente assinava, e não era uma falsificação. Entre os séculos XVI a XVIII os sinetes voltam a ser de larga utilização pelo mesmo motivo: atestar a origem da informação, ratificando as comunicações.

De um modo geral, do séc. XIX para cá, o sinete é um pequeno objeto de metal, como ouro ou prata, (placa, coluna e até anel), usado como assinatura do proprietário e/ou responsável por uma organização, para selar e autenticar documentos e cartas. É importante destacar que, normalmente, ele não é individual, mas sim coletivo, relativo a um Estado, empresa, partido, família, representando um grei, clã ou outra denominação coletiva que tenha no mínimo quatro pessoas, como por exemplo o famoso "Anel do Pescador" usado pelo Papa, ou pelo "grande sacerdote" da Igreja Católica Apostólica Romana. Após a assinatura, a impressão da marca é feita com um pouco de cera que é derramada sobre o papel no qual é pregado com o sinete, deixando um desenho pessoal, como um brasão ou um símbolo.

O Anel do Pescador - também conhecido como Anulus Piscatoris (em latim) ou Anello Pescatorio (em italiano), é um símbolo oficial do Papa, o sucessor de São Pedro, que era um pescador. O anel de ouro apresenta um baixo relevo de São Pedro - o primeiro Papa - pescando em um barco. O símbolo deriva da tradição de que os apóstolos eram "pescadores de homens". Até 1842 tal anel era usado como um sinete para selar documentos oficiais assinados pelo Papa. Após uma morte papal, o anel é destruido pelo Camerlengo, a fim de evitar documentos falsos durante a Sede Vacante. Na foto, Papa Bento XVI usando o anel do pescador.


Símbolos distintivos de erudição e bom gosto, os sinetes e selos, bem como os tinteiros, canetas, penas e espátulas, por exemplo, são representativos de um certo padrão civilizatório ostentado pelas elites, notadamente no final do século XIX e início do XX. Detinham também a função de fechar acordos políticos e marcar grandes acontecimentos.

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