terça-feira, 16 de agosto de 2016

Uma moringa especial

Moringas em barro, chamadas de "bilha", pelos portugueses.


Objeto encontrado em muitas casas brasileiras, a moringa nada mais é que um recipiente para guardar água de beber. Só que, a partir dessa definição básica, existe todo um percurso que passa pela história, pela antropologia, pela sociologia e até pelo folclore de nosso povo. Que o vaso ou jarro de barro remonta a milhares de anos e diferentes culturas não há dúvida: o interessante é notar suas diferentes formas, cores e também modo de fazer, cada qual dependente da cultura do local onde é feita.

Moringas indígenas sempre com muitos ícones em sua superfície.

O termo "moringa" é de origem indígena, a palavra original utilizada em português era "bilha": a bilha de água que os colonizadores utilizavam. Também os índios faziam seus jarros e potes para guardar água, e os negros que aqui chegaram também sabiam modelar o barro para fazer moringas. Da fusão das três culturas - branca, negra e índia - é que faz com que as moringas feitas em nosso país possam variar de um formato simples a uma peça mais elaborada. Existem exemplares de moringas zoomorfas (que representam animais), antropomorfas (que se assemelham à forma humana) e até mesmo moringas antropozoomorfas (de um lado corpo de homem e do outro, a de um bicho).

Este belo modelo de moringa faz parte de nosso acervo.

Temos em nosso acervo uma peça do primeiro tipo: fabricada em fins do século XIX ou início do XX, ela tem forma de uma ave e remete a peças indígenas. É pintada de azul com um pontilhado em vermelho. Partes das asas, do rabo e da cabeça são pintados em dourado e ela se apoia em uma base circular pintada em vermelho. Não temos registro da data de sua aquisição mas o que se sabe é que a peça foi ofertada por Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant, à sua afilhada Rosalia Xavier. E, por ordem desta, a peça retornou ao acervo de nosso museu. É um objeto simples que se destaca em meio à exposição de nossa casa histórica. 

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