segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tiradentes, heroi da República

No último mês de novembro, em pleno dia 15, Proclamação da República, tivemos o prazer de receber em nosso parque o grupo "História Através da Música" que fez uma leitura dramatizada de seu espetáculo "República - Era de Heróis". Desta apresentação, muito ficou. Revelamos agora um fragmento, ressaltando a história de Tiradentes, cuja lembrança se faz a cada dia 21 de abril, data de sua morte por enforcamento, por ordens de D. Maria I, rainha de Portugal (mãe de D. João VI), tendo em vista ter sido apontado como o líder do levante que se chamou "Inconfidência Mineira": incidente tramado na cidade de Vila Rica (hoje, Ouro Preto), quando um grupo de jovens pensava em declarar a independência do Brasil de Portugal. O historiador Romney Lima, que faz parte do grupo musical, criou um roteiro que mostra como Joaquim José da Silva Xavier, de esquecido traidor da coroa, passa a exaltado heroi do país cuja República estava para começar. Veja o vídeo abaixo:


Em seguida, o ator Gustavo Arthiddoro se apresenta como Tiradentes e explica um pouco de sua história e legado. Ao final, o grupo canta "Exaltação à Tiradentes", samba enredo de 1949 da Escola de Samba carioca Império Serrano. Assista:


(Fala de Tiradentes)
"Os senhores devem estar se perguntando o que é que um personagem como Tiradentes faz num evento no Museu Casa de Benjamim Constant, no dia da República... achei que fosse oportuno fazer um esclarecimento: foi só na República que eu me tornei um herói. Antes, nem a minha morte por enforcamento, que é uma morte trágica, bonita, não teve tanta repercussão. Foram os primeiros militares da República que viram na patente do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, um símbolo que lhes serviria perfeitamente para agregar adeptos. Foi assim que passados exatos 100 anos depois da minha morte eu virei feriado nacional, fui pintado em quadros por grandes pintores, como um Mártir, inclusive de barba lembrando Jesus Cristo, embora eu tenha sido enforcado de cabelo e barba raspado como convém ao protocolo de um bom enforcamento".

(Ele abre um livro com os autos de sua sentença)
Rio de Janeiro, 19 de abril de 1792. Acordam em relação aos Juízes da Alçada, etc, etc... Mostra-se que entre os chefes e cabeças da conjuração, o primeiro que suscitou as ideias de República foi o réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, etc, etc... Portanto condenam o réu a que, com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público será pregada em poste alto, até que o tempo a consuma; e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregado em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também os consuma; declaram o réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o fisco e Câmara real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique”.

Clique aqui e veja como foi o evento

Leia mais sobre o grupo "História Através da Música" 

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