terça-feira, 15 de março de 2016

Um republicano nato!

Estamos de volta! 


Depois de um longo recesso, voltamos a editar nosso blog, trazendo novidade, história, variedades e muita informação para vocês - sejam elas de ontem ou de hoje.

Neste primeiro post do ano, gostaríamos de registrar uma visita ilustre: a da antropóloga Clarisse Rath, que esteve em nosso museu no final de janeiro. Clarisse é tataraneta de Cândido Pacheco de Moraes Castro, um brasileiro pouco conhecido, mas um verdadeiro exemplo do quanto se lutou para instaurar a república em nosso país. Vamos conhecer um pedacinho de sua história que nos foi gentilmente enviada por Clarisse, após sua passagem por nosso museu.


O lindo desenho da árvore genealógica da família de Clarisse Rath, partindo de seu
ilustre tataravô, o republicano Cândido Pacheco de Moraes Castro.


Nascido em 1822 na cidade paulista de Caçapava, aos 13 anos, em 1835, Cândido migrou para o Rio Grande do Sul para lutar na Revolução Farroupilha - levante regional de caráter republicano contra o governo imperial do Brasil. Neste momento se estabelece no estado, virando um jovem fazendeiro na cidade de São Borja. E por ser praticamente um "soldado de nascença", participa também da Guerra do Paraguai, para onde foi em 1865 servir como Capitão no 2º Corpo da Guarda Nacional. Ao fim do conflito, retorna a Porto Alegre onde se estabelece como alfaiate.

Mas os tempos eram de luta republicana e Cândido Castro foi muito atuante em seu estado de adoção na instauração do novo regime. Foi o primeiro a assinar um documento a favor do novo sistema de governo, ao lado de Lauro Prates, Assis Brasil e Pinheiro Machado, na chamada fazenda "A Reserva", de propriedade de Julio de Castilhos. Tal documento trata-se de um manifesto, datado de 21 de março de 1889, onde a elite do estado se declara francamente republicana.

Julio de Castilhos, reconhecido pelo Marechal Deodoro como
um líder republicano do Rio Grande do Sul.

Cabe aqui abrir um parêntesis para mostrar a face de ardoroso propagandista da república de Cândido Castro: ele foi um dos fundadores do jornal “A Federação”, onde eram divulgados os ideais republicanos do Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Editado em Porto Alegre desde 1884, o jornal contou com a participação de Borges de Medeiros e Demétrio Ribeiro, entre outros, todos ligados ao processo republicano em nosso país. Demétrio Ribeiro foi, inclusive, o deputado constitucionalista que elaborou o projeto que propôs a transformação da casa de Benjamin Constant em museu, onde hoje estamos!

O Jornal "A Federação de 28 de fevereiro de 1884
Fonte: Biblioteca Borges de Medeiros - www2.al.rs.gov.br/biblioteca


Em 15 de novembro de 1889, proclamada a República, o Marechal Deodoro da Fonseca reconheceu os serviços prestados pelos republicanos do sul do Brasil, capitaneados por Julio de Castilhos, momento em que o nomeou para o cargo de Secretário do Governo Estadual. Já Cândido Castro assumiu o posto de 1º comandante da antiga Guarda Civil.

O jornal continuou a ser editado e, em janeiro de 1933, foi adotado como Diário Oficial do Estado. Em maio de 1935 com o surgimento do Diário Oficial, editado pelo governo, voltou a ser um jornal partidário. A última sede do jornal, inaugurada em 6 de setembro de 1922 - em comemoração ao centenário da Independência do Brasil - é hoje o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa em Porto Alegre. Mas Cândido Castro não chegou a ver tudo isto, tendo falecido em 1893, aos 71 anos.

Trata-se de uma daquelas histórias que tomamos conhecimento por acaso, e por um acaso sensacional. Imaginem receber, hoje, mais de 120 anos após seu falecimento, a neta de um brasileiro "republicano nato", na casa do Fundador da República! Quando aqui esteve Clarisse Rath nos contou que o Rio Grande do Sul e sua família tiveram uma enorme ligação com as questões republicanas, e então iniciamos a busca por esta história que é emblemática e diferente para trazer a vocês. Quem sabe maiores detalhes sobre a vida do tataravô republicano de Clarisse ainda sejam levantados; quem sabe ainda vamos travar muitos conhecimentos com os descendentes de vários outros participantes do processo republicano, cuja história não ficou bem registrada. Torcemos para que muitos nos visitem e nos contatem. É um privilégio conhecer trajetórias como a de Cândido Pacheco de Moraes Castro!

Colaboração: Ariana Costa

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