terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Colaboração entre museus: os 150 anos da Guerra do Paraguai

"La Paraguaya", obra de Juan Manoel Blanes é tido como um dos mais emblemáticos registros
do pós guerra no Paraguai. A desalento da personagem demonstra o desafio enfrentado
pelas mulheres paraguaias para reerguer o país.


Como parte do projeto de integração cultural que está realizando com o país vizinho, o Museu da Inconfidência oferece ao grande público a exposição "150 Anos da Guerra da Tríplice Aliança: Distintas Visões". Para tanto, além de extensa pesquisa sobre o conflito - mais conhecido como Guerra do Paraguai, em cujas fileiras de soldados esteve nosso patrono, Benjamin Constant - a curadoria da mostra reuniu um conjunto de obras de quatro museus do IBRAM - Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Museu Imperial e, de nosso museu - de modo a dar uma completa visão sobre o que foi o conflito, suas origens e consequências. Peças do Centro Cultural de La Republica Cabildo, do Paraguai também compõem a cena.

A Guerra do Paraguai se estendeu entre dezembro de 1864 e março de 1870 e foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança – Brasil, Argentina e Uruguai, é também chamada de "Guerra da Tríplice Aliança" e de "Guerra Grande", no Paraguai. O presidente do Paraguai à época, Francisco Solano López, ordenou a invasão da província brasileira do Mato Grosso e logo em seguida o conflito se alastrou. Seu temor era de que o Império brasileiro e a República Argentina viessem a desmantelar os países menores do Cone Sul.

A tradicional foto de Benjamin Constant de farda, na mostra do Museu da Inconfidência.


Convocado em 1866, Benjamin Constant nesta época lecionava em algumas escolas, incluindo as militares, e tinha como patente a de tenente coronel do exército. Foi convocado a servir no Paraguai na Comissão de Engenheiros, deixando sua esposa Maria Joaquina grávida de sua segunda filha, Adozinda, em companhia de sua primeira filha, Aldina, então com 2 anos, no Rio de Janeiro. É extensa sua troca de correspondência neste período, tanto com a Maria Joaquina quanto com seu sogro, Claudio Luis da Costa, além de seus irmãos e amigos. E desses relatos da situação dia a dia no front paraguaio nasceu o livro "Cartas da Guerra", de Renato Lemos. Nele fica registrada toda a angústia de Benjamin por estar longe de casa, da família, das salas de aula e de seus alunos, além de passar pelos percalços de uma frente de batalha. Depois de um ano de muito sofrimento retorna ao Rio por ter caído doente com Malária, da qual nunca se recuperou, sendo esta grande parte responsável por seus problemas de saúde durante toda a vida.

Reunindo obras como a reprodução da tela "La Paraguaya" do pintor uruguaio Juan Manoel Blanes, diversas fotografias originais da época que retratam detalhes do conflito, além de objetos e documentos, a mostra também contempla o lançamento de livros sobre o período, alguns saraus de música e atividades infantis.

Um aspecto da exposição em Ouro Preto.
Segundo Elaine Carrilho, diretora de nosso museu, a oportunidade foi das melhores para exibirmos conteúdo de nosso Arquivo Histórico, onde os documentos de Benjamin Constant estão guardados em fundo (subdivisão) de mesmo nome. Nesta subdivisão, a série "Guerra do Paraguai" possui documentos e cartas de Benjamin no período, e dela foram extraídos os originais das cartas de Benjamin durante o conflito para exibição na mostra. De nosso acervo fotográfico, a famosa fotografia em farda militar também foi enviada.

Trata-se de uma exposição bem completa, onde diversos aspectos do conflito que vitimou praticamente toda a população masculina adulta do Paraguai feneceu, restando à população feminina o encargo de recuperar o país em todos os aspectos. Mas a guerra também deixou seus efeitos nos países ditos "vencedores", nem todos positivos. Certamente um capítulo da história da América Latina que ainda precisa de maiores pesquisas e reflexões.

Serviço:
Exposição 150 Anos da Guerra da Tríplice Aliança: Distintas Visões
Curadoria: Margareth Monteiro, Janine Ojeda, Aldo Araújo e Eva Pereyra
De 4 de dezembro 2015 a 28 de fevereiro de 2016
Terça a domingo das 10h às 18h
Museu da Inconfidência
Sala Manoel da Costa Athaide - Anexo I
Rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro Histórico de Ouro Preto - MG

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