sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Recuperando a memória Positivista

Marcos Felipe de Brum Lopes 

A Igreja Positivista ou Templo da Humanidade: aqui no Rio situada à Rua Benjamin Constant,
no bairro da Glória, vizinho a Santa Teresa, onde fica a casa em que viveu
o Fundador da República.

O museu é uma das clássicas instituições que criamos para preservar os vestígios do que fomos, do que somos e do que podemos nos tornar. Não somente voltados para o passado, os museus são hoje lugares plurais, abertos às inovações e com missões sociais. Preservamos, conservamos, mas também criamos e produzimos.

Nesta conjugação do que foi e do pode vir a ser, o Museu Casa de Benjamin Constant voltou-se, nesses últimos meses, para uma antiga parceira: a Igreja Positivista do Brasil – veja um primeiro post a respeito aqui. Muitos fatores nos aproximam desta esquecida igreja, que tenta hoje reerguer-se. Basta dizer que Benjamin Constant foi um dos fundadores do Movimento Positivista organizado no Rio de Janeiro, que daria origem ao que ficou conhecido como “Apostolado Positivista”, responsável pela construção do Templo da Humanidade, sede da igreja. A rua onde se encontra o templo chama-se Benjamin Constant, no bairro da Glória, não muito distante da casa onde residiu e faleceu o Fundador da República.

Equipes do MCBC e da Igreja Positivista junto ao busto de Benjamin Constant, em nosso museu


A Igreja Positivista do Brasil faz parte do Circuito Sítios Históricos da República, um projeto de nosso museu em parceria com o Museu da República, que tem como tema a história republicana mediada pelos lugares de memória que marcaram a transição entre os regimes políticos no fim do século XIX. Isso se deve ao fato de que os positivistas assumiram como missão a organização da república brasileira, opinando publicamente sobre diversos assuntos de interesse social, como a separação entre a Igreja e o Estado, a liberdade de culto religioso e o casamento civil. Como tinham vários representantes na elite política, os positivistas tiveram um papel relevante nas primeiras décadas da era republicana.

Tombado como patrimônio cultural Brasileiro, o Templo da Humanidade sofreu um desabamento do telhado em 2009, e desde então seu acervo corre sério risco de se perder. Para evitar um desastre maior, o Museu Casa de Benjamin Constant participou de uma força-tarefa para inscrever o acervo da Igreja Positivista no edital Memória do Mundo, da UNESCO. O trabalho foi realizado por uma equipe multidisciplinar e contou com servidores e estagiários do IBRAM, IPHAN, INEPAC e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro.

O trabalho, já em andamento.

Nesta primeira fase, catalogamos as publicações feitas pela Igreja Positivista - que revelam sua peculiar produção intelectual, desde discussões filosóficas até questões práticas para a sociedade, como a vacinação obrigatória no início do século XX. Este é o conjunto de documentos que concorre ao edital da UNESCO, uma chancela importantíssima para que o acervo do Templo da Humanidade seja preservado de maneira ideal.

O Museu Casa de Benjamin Constant firmará, ainda em 2015, um Acordo de Cooperação com a Igreja Positivista do Brasil, para tratamento do acervo documental e produção de um inventário para futuras pesquisas. Temos orgulho de poder cumprir com nossa missão institucional, que é a de divulgar e pesquisar o contexto no qual viveu Benjamin Constant e cooperar com outras instituições em projetos de preservação do patrimônio. Assim, nos voltamos para documentos do passado, mas com o objetivo de produzir novas possibilidades de conhecimento, a partir de novas ferramentas e novos questionamentos.

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