terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

História: como foi criado o Museu Casa de Benjamin Constant? - 1ª parte



Considerado "A Primeira Casa da República", por diversas razões (veja post a respeito), o processo de criação de nosso museu vem sendo pesquisado neste momento de modo que conheçamos bem a história da casa onde ele foi estabelecido.

Como esta pesquisa será longa, vamos divulgar uma parte do que já foi apurado, devendo haver, posteriormente, alterações e adição de novas informações. Nesta primeira nota, você confere um extrato de um texto de Marcos Felipe de Brum Lopes, sobre como tal pesquisa está sendo estruturada e um pouco da chamada "1ª Fase" da casa histórica.

O Convento de Santa Teresa.
"O Museu Casa de Benjamin Constant está localizado no bairro histórico de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O museu não é somente uma casa, e sim uma chácara típica do século XIX, com generosa área verde, um caramanchão e duas edificações principais: a casa histórica onde morou e faleceu Benjamin Constant Botelho de Magalhães e a casa de Bernardina, uma das filhas do patrono, na qual atualmente está instalada a sede administrativa do museu.

Podemos dizer que a chácara teve cinco fases distintas ao longo da sua trajetória: a primeira vai da década de 1860, quando foi construída, até 1890, quando Benjamin Constant a alugou. A segunda fase, bem curta, corresponde ao tempo em que Benjamin nela residiu, entre 1890 e sua morte, em 1891. A terceira fase vai de 1891 até 1958, período no qual a propriedade permaneceu em usufruto da família de Benjamin Constant. A quarta fase corresponde aos esforços de algumas pessoas e instituições para transformar a casa em museu, entre 1958 e 1982. Finalmente, em 1982 a chácara abre suas portas ao público, agora como museu casa.

No que chamamos de a "1ª Fase" de nosso museu casa (período de 1860 a 1890), a região onde a chácara está situada se chamava morro de Nossa Senhora do Desterro e só depois passou a se chamar Santa Teresa, em função do convento com o mesmo nome, construído em 1750, a mando do governador Gomes Freire de Andrade. Santa Teresa era um bairro de chácaras das classes abastadas do Rio de Janeiro, residencial, porém rural. Nessas chácaras, criavam-se animais e plantavam-se víveres. Não raro, Santa Teresa era procurada por aqueles que buscavam um lugar mais saudável para morar, motivo que levou o próprio Benjamin Constant a residir no bairro.




Modelo de bonde puxado a burro, o primeiro a circular pelo bairro.

Os acessos eram poucos nos séculos XVII e XVIII. Apenas no século XIX, quando algumas propriedades foram desmembradas, é que se abriram ruas e vias em Santa Teresa. Nesse tempo, o transporte era feito através de liteiras, em ombros de escravos, ou veículos de tração animal. No II Reinado, em 1856, o Governo Imperial autorizou a instalação de bondes de tração animal, que circulavam sobre trilhos de ferro. Esse transporte começa a funcionar mesmo em 1859 e, no final do século XIX, passaram a conviver com os bondes elétricos.

A casa da chácara onde viveria Benjamin foi construída por volta de 1860, em estilo neoclássico, com jardim e belvedere, caramanchão e porão. O primeiro proprietário chamava-se Antônio Moreira dos Santos Costa. As casas de chácara situavam-se em torno do núcleo urbano e contavam, muita vezes, com senzala, jardim, horta, pomar, chiqueiro, estrebaria, cocheira e abastecimento próprio de água. Eram mais confortáveis que os sobrados urbanos e, por isso, preferidas pelas classes mais abastadas.
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No próximo post desta série, você lerá sobre a 2ª, e um pouco sobre a 3ª fase de nosso museu casa, correspondentes ao período que Benjamin Constant habitou-a e ao período imediatamente posterior a seu falecimento. Aguarde!

2 comentários:

  1. Adorei. Amo historia. E adoro aprender, e sempre muito bom. Moro em copacabana e curto conhecer a respeito da historia de santa teresa. Principalmente, os museus, entre eles, a casa de Benjamin Constant. Recomendo a todos que visitem o bairro e conheca sua historia incluindo a casa em que morou uns dos mais brilhantes pensadores da nossa historia. Benjamin Constant. Vale muito a pena conhecer. Elizabeth



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    1. Prezada Sra. Elizabeth: muitíssimo obrigada por sua visita e seu comentário elogioso e entusiasmado.
      Um abraço!

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