quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

História: como foi criado o Museu Casa de Benjamin Constant? - 3ª parte

Placa histórica com inscrição do título de "Fundador da República Brasileira" atribuído a Benjamin Constant.

Neste post destacamos alguns ideais de nosso patrono que contribuíram para que ele fosse entronizado como heroi nacional e de como, neste processo, a casa histórica foi sendo o ponto de apoio para a lembrança de seu nome.

"Ser um herói não estava entre os planos de Benjamin Constant. Mais de uma vez sinalizou que recusaria ser o líder máximo do governo, deixando claro que não disputaria as eleições para Presidente da República, caso fosse indicado para a corrida eleitoral. Esse é um dos indícios de que Benjamin nunca desejou estar na mira de holofotes.

Sua militância, se podemos usar a palavra, era a ciência e a educação. Benjamin Constant tinha um objetivo pessoal que levou consigo durante seus dois últimos anos de vida: reformar o ensino no Brasil. Certa vez afirmou que “o engrandecimento da República repousa essencialmente sobre a educação”. Muito se esforçou para isso, recusou trabalhos que poderiam lhe trazer prestígio e antes de morrer conseguiu submeter o projeto de reforma do ensino público brasileiro. Porém, a vontade individual é, não raro, sobrepujada pelo triunfo da vontade coletiva e, nesse caso, política.

O título de Fundador da República, outorgado a Benjamin pelo Congresso Nacional dois dias após seu falecimento, e também registrado nas Disposições Transitórias da Constituição de 1891, a primeira da era republicana, coroou o que o historiador Renato Lemos chamou de entronização de Benjamin no panteão de heróis nacionais.

Além do título, a Carta previu o destino da última residência do homenageado: 'O Governo federal adquirirá para a Nação a casa em que faleceu o Doutor Benjamin Constant Botelho de Magalhães e nela mandará colocar uma lápide em homenagem à memória do grande patriota - o fundador da República' (Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, Disposições Transitórias, Artigo 8º, 24 de fevereiro de 1891)


O trecho é precedido pela oferta do governo de uma pensão vitalícia a D. Pedro II que, 'a contar de 15 de novembro de 1889, garanta-lhe, por todo o tempo de sua vida, subsistência decente'. Ao mesmo tempo em que lembra o último imperador, faz surgir a figura do fundador do regime que pôs fim ao Império.


Casarão que foi a residência do Marechal Deodoro da Fonseca no Rio de Janeiro: mais uma "casa da república".

Quando lembramos que a residência de Deodoro também recebeu uma placa memorativa do seu ato proclamador, podemos imaginar que a elite política produzia os sítios históricos da República, vinculando-os às figuras públicas do novo regime. No caso de Benjamin Constant, nada melhor que a morte como convite à uma entronização que ultrapassou a demarcação física de sua residência como um lugar histórico, gerando a primeira iniciativa museológica da República brasileira.

Aspecto da Casa de Bernardina.
Entretanto, a casa ainda esperaria muito até que fosse transformada em museu. A família permaneceu morando na chácara e uma parte do terreno foi desmembrada para uso particular de Bernardina Constant Serejo e João de Albuquerque Serejo. Nesta área foi construída a segunda residência da chácara, conhecida hoje como Casa de Bernardina.

Em 1958 o General Pery Constant Beviláqua, bisneto de Benjamin Constant, solicitou o SPHAN uma intervenção no imóvel, que se encontrava em ruínas. Araci Constant, filha mais nova de Benjamin, morou na casa até 1961. Prontamente o SPHAN começou os estudos e tombou a casa como patrimônio histórico nacional, com um parecer favorável de Carlos Drummond de Andrade (então funcionário da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - SPHAN).


Drummond, à direita, em 1951 - época em que trabalhou no SPHAN -
junto com o presidente do órgão, Rodrigo de Mello Franco.
Vale registrar que para Drummond de Andrade seria desnecessária a pesquisa e justificativa para o tombamento, já que a historicidade da casa foi estabelecida pela Carta de 1891, restando ao SPHAN inscrever o imóvel no Livro de Tombo e produzir documentação fotográfica do imóvel para compor o arquivo da Seção Histórica.

Sugestivamente, a morte de Benjamin – sua passagem da dimensão física para a mítica – marca o imóvel: o objeto do tombamento é chamado de “casa onde faleceu Benjamin Constant” (grifo atual) Portanto, o processo de tombamento da casa foi um desdobramento histórico da construção de Benjamin Constant como o Fundador da República
"

As próximas etapas desta pesquisa sobre a formação de nosso museu casa se prolongam de 1958 a 1982 - 4ª fase, período de montagem do museu propriamente dito - e de 1982 em diante - 5ª fase, com o museu já aberto. Aguarde que vem muito mais história por aí...

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