quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

As performances de 'Amor,'

Um abraço concentrado: segundo Davi Ribeiro, seus trabalhos "estão sempre permeados por amor, felicidade e utopia".

No último dia 15 de dezembro recebemos novamente os artistas do evento "Amor," para a realização de duas performances: uma por parte de Lilian Soares e outra de Davi Ribeiro. Lilian iniciou sua apresentação como se chegasse de uma viagem, sentando-se ao chão do quarto de costura do museu e desfez as costuras de um vestido inteiro durante cerca de 50 minutos. Já Davi se colocou na varanda de entrada do museu, dando um longo abraço - de cerca de 3 horas - em cinco 'partners' convidados por ele a "viver o amor" de forma intensa.

"Desfazimento": performance de Lilian Soares.
Lilian fala de forma poética sobre sua performance. Veja que belo: "vestida de azul e carregando uma mala caminho, com pés nus, entre um tempo perdido e um lugar imaginário. Chego na sala de costura, abro a mala e sento no chão. O vestido, tratado como relicário, abisma em um paradoxo com esse lugar. Desfaço ponto por ponto essa manta azul do tempo. Ao desfazer cada parte desse vestido vou reconstruindo amorosamente um novo relicário. Desfaço e refaço. Dobro com cuidado cada molde da vestimenta e guardo na mala. Por fim, a performance pretende a partir do desfazer, do fragmentar reconstruir uma memória amorosa".

O abraço de Davi - ou "os abraços", pois cinco participantes revezaram-se por cerca de 35 minutos cada, abraçando o artista - consumiu-lhe muito de sua força e determinação, visto que, durante o ato, não era permitido falar ou se mexer - nada de forma extremada ou "pétrea", mas firmemente de modo a demonstrar que, mesmo um carinho, pode ser bastante doloroso e cansativo.

Um "abraço sobre o abraço".

Segundo o artista, a performance "Pertencimento" segue o seguinte conceito/ideia: "... faço emergir o sentido de que pertenço a todo mundo e o mundo me pertence. Ficar abraçado por longos períodos com outras pessoas é de certa forma compartilhar, honrar e respeitar a vida do outro. E os limites entre dor e prazer, presentes no trabalho, requerem uma entrega completa, do corpo e da alma do artista, diluindo o sofrimento e fermentando o amor."


Foi uma tarde de encontro com a expressão dos dois artistas, além de seus pares que, em peso, estiveram presentes assistindo e aplaudindo as performances, além de amigos e visitantes que curtiram bastante as performances. Lembrando que a intervenção artística "Amor," teve curadoria de Isabel Portella e esteve montada em nosso museu casa entre 17 de novembro e 22 de dezembro do ano passado.

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