quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Nossa Primavera: novo horto, canteiro ecológico e Circuito Meio Ambiente

O novo horto, dentro da área do Canteiro Ecológico.

Já falamos aqui sobre nosso horto e sobre nosso Canteiro Ecológico, ambas iniciativas que não podem faltar numa área verde como a que temos, antiga chácara do século XIX que é. São dez mil metros quadrados de mata atlântica que também conta com espécies exóticas, de outras partes do país e do mundo.

O Canteiro Ecológico.


Com as mudanças no parque, incorporamos o horto ao canteiro ecológico, que já funcionava junto à Casa de Bernardina (sede administrativa de nosso museu), contando com mais espaço e um berçário de mudas de diversas espécies à disposição de nossos visitantes. É isto mesmo: quando vier nos visitar, você pode levar a mudinha de uma planta para cuidar dela em sua própria casa! Temos exemplares indicados para jardins de casas - espécies de maior porte - e também plantas para usar em vasos, normalmente mais utilizadas em apartamentos.

Pegue sua muda!

As mudas estão separadas por tipo para uma melhor identificação. Brevemente iremos disponibilizar maiores informações sobre cada uma delas para que você escolha direitinho qual é a mais adequada ao seu "jardim particular". Estamos também selecionando espécies para criar novas mudas que serão disponibilizadas à medida em que se desenvolverem.


E para "fechar com chave de ouro" essas novidades, durante a 7ª Primavera de Museus estaremos inaugurando também nosso novíssimo Circuito de Visitação denominado "Circuito Meio Ambiente". Nele, nossos mediadores apresentam o canteiro ecológico e seus componentes - minhocário, compostagem, sementeira, horto e berçário de mudas - de uma forma breve e sucinta, para que se tenha uma ideia de tudo o que pode ser implementado num espaço como este. Venha nos visitar e aproveite!

Nota Importante: Oferecemos visitas mediadas ao nosso Canteiro Ecológico, com prática ambiental de plantar sementes e mudas, para turmas escolares. As visitas devem ser agendadas previamente através de nosso e-mail mcbc@museus.gov.br.

Serviço:
7ª Primavera de Museus
De 23 a 29 de setembro de 2013
Museu: quarta a sexta das 10h às 17h
- sábado e domingo das 13h às 17h.
Circuito Meio Ambiente: segunda a sexta das 10h às 17h
- sábado e domingo das 13h às 17h.
Parque: segunda a domingo das 8h às 17h.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

7ª Primavera de Museus


É chegada aquela época do ano quando tudo floresce: das árvores às pequenas plantas, dos jardins aos vasos de casa, parece que tudo, de fato, renasce. E também é o momento em que os museus de todo o país são convidados pelo IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus, autarquia do Ministério da Cultura a qual estamos ligados - a refletirem sobre um tema específico e a criarem eventos especiais a respeito. Neste ano a temática escolhida foi "Museus, Memória e Cultura Afro-brasileira" o que sugere uma proposta de valorização e de divulgação do patrimônio cultural afro-brasileiro em todos os cantos do país. Na apresentação do evento se esclarece que a ideia surge "de modo a ampliar e reverberar as contribuições da África e de suas culturas para a sociedade brasileira". Nada mais apropriado a um país cujas raízes estão profundamente ligadas aos povos africanos.


No Museu de Arte de Itaipu haverá o lançamento do "Projeto Capoeira no MAI", com
rodas de capoeira semanais nos pátios do Museu.
Mais de 800 museus se inscreveram no evento cujo programa que pode ser baixado aqui. São inúmeras atividades as mais interessantes, de norte a sul do Brasil, tais como a palestra “O movimento negro no Acre”, que terá lugar na Casa dos Povos da Floresta, em Rio Branco, no Acre, no próximo dia 25/09 às 10h, e a apresentação do Grupo de Dança Afro Dandara, no Museu Municipal Deolindo Mendes Pereira, localizado na cidade de Campo Mourão, interior do Paraná, nos dias 24 e 28/09 às 16h e às 10h, respectivamente.

Um workshop de lenços e turbantes "Candaces" - um verdadeiro passeio pela memória cultural da corporeidade afro-brasileira na produção de Turbantes - terá lugar nos jardins do Museu da Chácara do Céu.

Os museus do Rio também estão oferecendo variadas atividades e nosso museu estará inaugurando o novo "Circuito Meio Ambiente", com direito à visita ao nosso Canteiro Ecológico. Mas isso é assunto para um próximo post!

Serviço:
7ª Primavera de Museus

De 23 a 29 de setembro de 2013
Em museus de todo o país.
Baixe o programa completo aqui.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

1889: Laurentino Gomes e o "professor injustiçado"


"Como um imperador cansado, 
um marechal vaidoso e
um professor injustiçado
contribuíram para o fim da Monarquia
e a Proclamação da República no Brasil."

Conhecido e reconhecido por duas obras de importância inegável publicadas nos últimos anos - "1808", sobre o estabelecimento da corte portuguesa, e "1822", sobre a Proclamação da Independência no Brasil - o jornalista Laurentino Gomes termina sua "trilogia" sobre três momentos históricos de nosso país com seu novo livro, "1889". Conforme adiantamos aqui, aguardávamos pelo sempre irônico e descontraído subtítulo, que citamos acima. Por ele, percebe-se que a Proclamação da República teve como personagens principais "o imperador cansado" - D. Pedro II - "o marechal vaidoso" - Deodoro da Fonseca - e o "professor injustiçado" - Benjamin Constant.

Interessante confirmar que o destaque que o autor concede à figura de Benjamin vai ao encontro de nossos registros históricos: de fato, Benjamin foi "o cabeça" - ou "a cabeça" - do movimento republicano. O mentor que toda revolução desta ordem precisa, promovendo discussões e reflexões acerca do momento em que se vive. Benjamim realizou inúmeras reuniões e encontros com os jovens militares de quem era Professor e Mestre para discutir a situação da farda - a chamada "Questão Militar", já abordada em post deste blog - e também para convocá-los a imaginar como seria o estabelecimento de uma república no país. Cabe ressaltar a crença de Benjamin no Positivismo* de Auguste Comte, que pregava a chegada ao chamado "Estado Positivo" que representaria "o progresso da humanidade". Portanto, nestas reuniões, os jovens oficiais absorviam ideias positivistas e também republicanas, abolicionistas e evolucionistas, o que os levava a desejar exigir seus direitos, contrariando o regime monárquico.

Laurentino Gomes em sua visita a nosso museu.


No capítulo dedicado à Benjamin Constant, com sua prosa leve e fiel aos fatos pesquisados, Gomes nos traz curiosidades sobre o "Fundador da República", tais como o fato de ter sido convidado pelo imperador D. Pedro para dar aulas de matemática a seus netos - coisa que Benjamin desistiu por não suportar o mau comportamento dos príncipes... Mas também demonstra como o tenente coronel, que não gostava da farda, teve importância capital nos rumos da mudança do regime. O autor destaca o trecho do livro do historiador José Murilo de Carvalho onde ele coloca Benjamin como "o catequista, o apóstolo, o evangelizador, o doutrinador, a cabeça pensante, o preceptor, o mestre, o ídolo da juventude militar". O livro evidencia portanto a importância de Benjamin Constant em nossa história, à época da proclamação, de modo inequívoco.

Mas 1889 não se prende aos personagens principais da república nascente. Gomes nos traz à mente o porquê de o novo regime não ter "contagiado" a população da época da mudança nem depois, inclusive nos nossos dias. O autor demonstra que os livros de história encontrados em qualquer escola mostram muito mais o período do Brasil monárquico e do Brasil imperial do que do Brasil republicano. Por outro lado, ressalta que, nos últimos anos, houve um real crescimento do interesse da população por sua história, o que só vem a contribuir para que sejamos uma pátria mais congruente com seu passado - fato a ser comemorado por todos, é claro.

O polêmico quadro de Bernardelli onde se destaca o Marechal Deodoro em detrimento
de figuras capitais para a Proclamação da República como Benjamin Constant e
Quintino Bocaiúva, relegados às sombras da tela.


O livro também faz um resgate importante da memória do período republicano: apesar de, no seu primeiro momento, o novo regime não ter provocado nenhum derramamento de sangue - foi um verdadeiro "passeio militar", segundo alguns autores citados - nos dez anos posteriores à 1889 o país passou por diversos conflitos regionais que sacrificaram muitos de seus cidadãos. Os episódios da Revolta da Armada e da Guerra de Canudos são lembrados como exemplos de consequências do estabelecimento de uma república distante de seu povo, proclamada quase que exclusivamente por uma "irritação" de um marechal somada à inação de um imperador. E estes são apenas alguns dos fatos que 1889 nos revela e esclarece. Em suas páginas é possível ter uma boa ideia das personalidades envolvidas no processo republicano, em como este acontecimento se deu e em suas repercussões. Sem dúvida, mais uma obra de alta qualidade de Laurentino Gomes.

Assista abaixo ao "trailler book":


Clique aqui para assistir a uma entrevista de Laurentino Gomes sobre o livro, realizada pelo programa "Literatura", da GloboNews.

*Leia nossos posts sobre o Positivismo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A fotografia no século XIX -técnicas presentes em nosso acervo fotográfico - parte IV

Veja post anterior

Um daguerreótipo em exposição em nosso Museu: Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant, e sua filha, Aldina.

Daguerreótipo - processo positivo criado pelo francês Louis-Jacques-Mandé Daguerre (1787-1851). No daguerreótipo, a imagem era formada sobre uma fina camada de prata polida, aplicada sobre uma placa de cobre e sensibilizada em vapor de iodo, sendo apresentado em luxuosos estojos decorados - inicialmente em madeira revestida de couro e, posteriormente, em baquelite - com passe-partout de metal dourado em torno da imagem e a outra face interna dotada de elegante forro de veludo. Divulgado em 1839, esse processo teve, na Europa, utilização praticamente restrita à década de 1840 e meados da década de 1850. Aqui no Brasil continuou sendo empregado até o início da década de 1870, enquanto nos Estados Unidos - onde a daguerreotipia conheceu popularidade maior até do que em seu país de origem - continuou sendo muito popular até a década de 1890.

Foto em Ferrótipo.
Ferrótipo - Imagem produzida pelo processo de colódio úmido sobre uma fina plaqueta de ferro esmaltada com laca preta ou marrom. Inventado pelo norte-americano Hamilton Smith, como uma derivação do processo de colódio úmido, em 1856. Smith baseou-se nas pesquisas do francês Adolphe Alexandre Martin (1824-1896), que desde 1852 já desenvolvera um sistema de produção de cópias "amphipositives", termo que foi anglicisado por Talbot para "amphitypes", razão pela qual, no início, o ferrótipo também era conhecido por essa denominação na Europa. O ferrótipo tornou-se muito popular entre os fotógrafos ambulantes até fins do século dezenove - sobretudo nos Estados Unidos - em virtude da rapidez de sua produção, de seu baixo custo e pelo fato de não se quebrar como ocorria com as chapas de vidro dos ambrótipos. Sendo que neste país este processo era indistintamente denominado de "ferrotype" ou de "tintype".

Foto no processo da Platinotipia.

Platinotipia - processo de produção de positivos sobre papel, criado pelo inglês William Willis (1841-1923) em 1873, empregando como material fotossensível sais de ferro e platina precipitada, produzindo dessa forma uma imagem indissolúvel da fibra do papel e dotada de fina e rica gradação tonal. É, sem dúvida alguma, o processo mais estável empregado durante o século XIX. Produzido industrialmente entre 1873 e 1937, esse papel foi gradativamente abandonado pelos fotógrafos a partir da década de 1920, em virtude do brutal aumento do preço da platina, voltando a ser adotado pelos fotógrafos contemporâneos - que são obrigados a produzí-lo artesanalmente - a partir da década de 1960. O fotógrafo norte-americano Edward Weston (1886-1958) foi um dos entusiastas da platinotipia e seu compatriota Irving Penn foi um dos responsáveis pela reutilização, com fins de expressão pessoal, dos papéis de platina, sendo o mais importante adepto da platinotipia no Brasil da atualidade o fotógrafo paulista Marcelo Leiner.

As imagens da família Benjamin Constant foram registradas em cada uma destas diferentes técnicas e são documentos históricos em dois sentidos: no diretamente ligado à história de nosso patrono e no de mostrar os diferentes processos de registro de imagens no século XIX. É possível conhecer este acervo agendando previamente uma visita. E, oportunamente, disponibilizaremos via internet, através de nosso futuro site, este banco de dados importantíssimo para história. Basta aguardar!


Clique aqui para ler um documento com todas as técnicas explicadas em detalhe.

PS: para agendar sua consulta ao nosso acervo fotográfico, entre em contato com 
Marcos Lopes pelos telefones 3970-1168 ou 3970-1177. 
Atualmente somente o disponibilizamos para estudantes e pesquisadores. 

***
E assim terminamos nossa "comemoração virtual" do Aniversário de 30 anos do Museu Casa de Benjamin Constant, que começou em outubro de 2012. Neste período publicamos 21 posts contendo desde a história resumida de nosso Museu, bem como aspectos da vida de Benjamin Constant, seus amigos, seu trabalho, a participação no processo de Proclamação da República Brasileira e também seu trabalho como professor, inclusive de deficientes visuais - fato pelo qual ele é mais conhecido.
Esperamos que você tenha aproveitado esta verdadeira "viagem" pelo mundo de Benjamin e de seu Museu Casa. E, em breve, faremos 31 anos de casa aberta...
Obrigada!
 ***

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A fotografia no século XIX - técnicas presentes em nosso acervo fotográfico - parte III

Veja post anterior

Conforme você leu no post anterior, houve um verdadeiro "boom" de técnicas fotográficas durante o século XIX, muitas das quais registraram a família, os amigos e os ambientes que cercaram Benjamin Constant. Nas imagens aqui reproduzidas, parte de nosso Acervo Fotográfico, existem muitos exemplares das técnicas testadas durante o século XIX. Veja abaixo um breve descritivo de cada uma delas:

Benjamin Constant em sala de aula: foto em albumina.

Albumina - inventada pelo francês Louis-Désiré Blanquart-Evrard (1802-1872) em 1850, sendo assim denominada porque empregava o albúmen - extraído da clara de ovos de galinha - como camada adesiva transparente destinada a fazer aderir os sais de prata fotossensíveis à base de papel. Foi o papel mais popular para a execução de cópias fotográficas até meados da década de 1890, quando foi definitivamente desbancado pelos papéis de prata gelatina.

Fotografia em colódio.

Colódio - um invento que em pouco tempo chegou a suplantar todos os métodos fotográficos existentes foi o processo do Colódio Úmido, de Frederick Scott Archer. Esse obscuro escultor londrino, com grande interesse pela fotografia, não estava satisfeito com a qualidade da imagem, deteriorada pela textura fibrosa dos papéis negativos, e sugeriu uma mistura de algodão de pólvora e éter, chamada colódio, como um meio de unir os sais de prata nas placas de vidro.

Foto feita com gelatina.

Gelatina - em setembro de 1871, um médico e microscopista Inglês, Richard Lear Maddox, publicou no "British Journal of Photography" suas experiências com uma emulsão de gelatina e brometo de prata como substituto para o colódio. O resultado era uma chapa 180 vezes mais lenta que o processo úmido, mas com o novo processo, aperfeiçoado e acelerado por John Burgess, Richard Kennett e Charles Benett, a placa seca de gelatina estabelecia a era moderna do material fotográfico fabricado comercialmente, liberando o fotógrafo da necessidade de preparar as suas placas. Rapidamente várias firmas passaram a fabricar placas de gelatina seca em quantidades industriais. Fabricantes britânicos como a Wratten & Wainwrigth e The Liverpool Dry Plate Co., em 1880, monopolizaram a fabricação de placas secas. Logo fábricas em todos os países passaram a imitá-los, até que em 1883 quase nenhum fotógrafo usava o material colódio.

Veja a continuação deste post...