sexta-feira, 28 de junho de 2013

Fotos de época

Na foto à esquerda, Benjamin Constant - em pé, à esquerda - e colegas: Antônio Enes Bandeira, Alvaro Joaquim de Oliveira, Joaquim Ribeiro de Mendonça e Antônio Carlos de Oliveira Guimarães - 1870. Na foto da direita, Maria Joaquina Botelho de Magalhães com sua filha Aldina.

Integrando o Arquivo Histórico do museu, nosso Acervo Fotográfico é composto em sua maior parte por retratos da família Benjamin Constant, de seus descendentes e amigos, é de enorme interesse para as áreas de antropologia, museologia, história e, principalmente, para o estudo da fotografia no Brasil pois reúne, em uma mesma coleção, todos os processos fotográficos utilizados para a produção de fotografias, desde o daguerreótipo até a fotografia moderna.

Vista panorâmica a partir de nosso caramanchão,circa 1907: vê-se o Campo de Santana, o edifício do Corpo de Bombeiros e demais edifícios do Rio Antigo.
Olympia Coriolano da Costa Gonçalves Dias, cunhada de Benjamin Constant e esposa de Gonçalves Dias.

Destacamos neste post algumas imagens de nosso patrono e sua família que mostram muito mais que pessoas: registram uma época através de imagens que demonstram como as pessoas se posicionavam para o registro fotográfico, como se vestiam, como se portavam, "hierarquias familiares", penteados, indumentária, ambientes e um sem-fim de "códigos", que especialistas estudam para nos trazer uma série de informações sobre a vida em sociedade nos séculos passados. Temos certeza de que muitos estudos nesta área ainda hão de ser realizados, e que nosso acervo é um dos que desperta interesse para tanto.

O escritório de Benjamin Constant em 1891, com  a mesa onde foram assinados os primeiros decretos da República.
Na varanda da casa museu, Maria Joaquina sentada,  ladeada à  esquerda pela filha Aracy e, sentados na escada, seus netos:  Fraenkel à direita e Edith à esquerda, em foto de 1898.


PS: para agendar consultas ao Acervo Fotográfico, entrar em contato com Marcos Lopes pelos telefones 3970-1168 ou 3970-1177. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

O charme do século XIX: a linguagem dos leques

Possivelmente esta moça estaria indicando um "às três horas", devido ao número de varetas mostradas no leque ('O leque com um determinado número de varetas exposto respondia à pergunta: "a que horas?" ') - foto de Alvan Arper.


Falamos aqui anteriormente sobre o costume de usar leques no século XIX. Em nosso país, o clima tropical e a indumentária usada pelas pessoas "pediam" uma ventarola que amenizasse o calor que sentiam. Mas, além da função óbvia, existia também uma "linguagem" utilizada pelas senhoras e senhoritas para se comunicar, com recato, com seus possíveis pretendentes. Provavelmente este "código" existia em todo o mundo onde o objeto era utilizado, com possíveis variações, obviamente. O blog norte americano 19th Century American Women (algo como "Mulheres americanas no século XIX"), listou uma série destes códigos como eram usados pelas mulheres americanas que viveram na época. Veja que interessante:

  • Leque colocado próximo ao coração: "você me conquistou..."
  • Leque fechado tocando o olho direito: "quando poderemos nos ver?"
  • O leque com um determinado número de varetas exposto respondia à pergunta: "a que horas?"
  • Movimentos ameaçadores com o leque fechado: "não seja imprudente!"
  • Leque meio aberto pressionando os lábios: "você pode me beijar..."

"Pode me beijar..."

  • Mãos entrelaçadas segurando o leque aberto: "me perdoe..."
  • Leque aberto cobrindo a orelha esquerda: “não traia nosso segredo!"
  • Escondendo os olhos sob um leque aberto ou passar o leque pelo queixo: “eu te amo”
  • Fechar um leque totalmente aberto lentamente: “prometo me casar com você...”
  • Passar o leque sobre os olhos: “lamento”
O site "FancyHand Fans" propôs o que seria uma "linguagem urbana" para o uso dos leques na atualidade.
Clique para ver maior.

  • Tocar o dedo na ponta do leque: “quero falar com você” 
  • Deixar o leque apoiado sobre a bochecha direita: “sim” 
  • Deixar o leque apoiado sobre a bochecha esquerda: “não” 
  • Abrindo e fechando o leque várias vezes: “você é cruel!”
  • Deixar o leque cair: “seremos amigos”

"Sim"


  • Abanando-se devagar: “sou casada” 
  • Abanando-se rápido: “sou noiva” 
  • Colocar a alça do leque nos lábios: “beije-me”
  • Abrir o leque totalmente: “espere por mim”
  • Colocar o leque atrás da cabeça: “não se esqueça de mim”

“Quero conhecê-lo”

  • Colocar o leque atrás da cabeça com o dedo extendido: “adeus”
  • Colocar o leque com a mão direita em frente à face: “siga-me”
  • Colocar o leque com a mão esquerda em frente à face: “quero conhecê-lo”
  • Prender o leque sobre a orelha esquerda: "quero me livrar de você"
  • Passar o leque sobre a testa: “você mudou”

Exemplar de nosso acervo, que pertenceu a Olympia Gonçalves Dias, cunhada de Benjamin Constant.

  • Girar o leque com a mão esquerda: “estamos sendo observados”
  • Girar o leque com a mão direita: “amo outra pessoa”
  • Carregar o leque aberto com a mão direita: “você está muito decidido” 
  • Carregar o leque aberto com a mão esquerda: “venha falar comigo” 
  • Passar o leque pelas mãos: “eu te odeio!”

Pode ser que nem todos os gestos feitos com leque significavam a mesma coisa em qualquer lugar no mundo, mas muitos deles, certamente, foram utilizados por nossas avós em seu dia a dia com garbo e elegância, além, é claro, de se comunicarem com muita discrição e romantismo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O que você sabe sobre a Guerra do Paraguai?

Batalha de Campo Grande, de Pedro Américo - OST, 1871, Museu Imperial de Petrópolis.
O quadro retrata uma das batalhas da guerra do Paraguai.

Um dos mais sangrentos e tristes conflitos ocorridos na América do Sul, a Guerra do Paraguai foi um divisor de águas na vida de nosso patrono, Benjamin Constant. Convocado aos 29 anos para servir como engenheiro militar, partiu para Corrientes, no Paraguai, e viajou pelo país vizinho criando estruturas de apoio - tais como cais e pontes - às tropas brasieiras. No período em que lá esteve, escreveu centenas de cartas para sua esposa, Maria Joaquina, além de alguns amigos mais próximos. Retornou adoecido, acometido de malária, o que lhe acompanhou pelo resto de sua vida. O conflito teve influências profundas sobre o homem Benjamim, que, ainda mais que antes, lutou pelos direitos de vários grupos na época em que viveu.

Mas muita gente nem sabe direito o porquê (ou os porquês) desta guerra. Abaixo, em texto da historiadora Alana Mendonça, que integrou nossa equipe do Núcleo Educativo Cultural, apresentamos uma pequena introdução sobre o assunto, para que você saiba um pouco mais sobre este conflito. Acompanhe:

Benjamin Constant, de partida para a guerra.

"A Guerra do Paraguai foi travada entre Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai, e durou de 1864 a 1870. Vários foram os fatores que culminaram na Guerra do Paraguai. O objetivo central foram as disputas pelo controle da navegação na bacia do rio Prata.

A guerra foi iniciada quando o Paraguai apreendeu no Rio Paraguai o navio brasileiro Marquês de Olinda, onde estava o presidente da província do Mato Grosso, coronel Frederico Carneiro de Campos. Os paraguaios apreenderam junto ao navio armas e dinheiro. O pretexto utilizado por Solano Lopez foi que o Brasil não respeitou o tratado reconhecendo a independência do Uruguai, ao invadir Montevidéu. A invasão a Montevidéu ocorreu em 1864. Após a independência do Uruguai, dois partidos locais, os blancos e colorados, disputavam o poder local. Os colorados liderados por Venâncio Flores eram apoiados pelo Brasil e pelo general argentino Bartolomeu Mitre, que desejavam a livre navegação na Bacia do Prata. Os blancos eram opositores do governo brasileiro. A década de 1860 é marcada pelos blancos no poder uruguaio. Em 1864 o Brasil invade Montevidéu, que estava sob o comando do blanco Atanasio Cruz Aguirre. O pretexto da invasão foram as disputas por fronteiras, mas o Brasil queria restituir o poder aos colorados. Nesta disputa, Aguirre foi apoiado pelo exército de Solano Lopez. O Brasil invadiu Montevidéu e Aguirre deixa o poder em 1865, retornando os colorados ao comando do governo. A partir daí, o Uruguai passa a apoiar o Brasil na guerra contra o Paraguai.

Em 1865, quando Paraguai invade o Mato Grosso, toma a província argentina de Corrientes e chega ao Rio Grande do Sul, a Tríplice Aliança é formada. A Tríplice Aliança foi a união do Brasil, Argentina e Uruguai contra Solano Lopez. No período, nenhum dos países envolvidos achou que a guerra fosse durar tanto tempo. Solano Lopez subestimou a atuação do Brasil na guerra, que fortaleceu seu exército com o recrutamento forçado, com a entrada na guerra da Guarda Nacional e com a adesão dos voluntários da pátria, que eram escravos brasileiros que ao se recrutarem eram automaticamente alforriados. Além disso, o Paraguai achou que a Argentina ficaria neutra ao conflito. Brasil e Argentina não acreditaram na resistência duradoura do exército paraguaio.

 
Solano López, ditador paraguaio.
No decorrer da guerra houve alternância das vitórias nas batalhas. Ora os aliados ganhavam as batalhas, ora os paraguaios venciam. No final da guerra, em 1870, permaneceram no conflito somente Brasil e Paraguai. A Argentina saiu da guerra em 1867, por motivos de conflitos internos. A Guerra só se deu por finalizada com a morte de Solano Lopez em 1º de março de 1870, com vitória da Tríplice Aliança.
"

Referência Bibliográfica: NEVES, Lúcia Maria Bastos P.. MACHADO, Humberto Fernandes. O Império do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mudanças em nosso parque

Uma das vistas da parte alta de nosso parque.
Sempre falamos aqui sobre as belezas de nosso parque, destacando também as vistas da cidade que, volta e meia, seus caminhos proporcionam. De fato, um espaço natural com mais de dez mil metros quadrados em pleno centro de uma metrópole como o Rio de Janeiro é um privilégio - ainda mais se aliarmos a isto o fato de se situar em um contexto histórico de importância, como sendo o "quintal" da Primeira Casa da República (veja post a respeito).

Novos avisos de "Atenção: não ultrapasse".

Mas, como todo espaço natural, o parque se modifica a cada instante, e a preservação de uma área desta é tarefa das mais complexas. Some-se a isso o fato de que estamos dentro de uma Área de Proteção Ambiental - APA, o que não nos permite um manejo simples, visto que temos inúmeras regras a respeitar. Por tudo isso e dentro de diretrizes traçadas neste ano pelo IBRAM - autarquia a qual somos vinculados - que prega a segurança como norma básica e fundamental, foi necessário efetuar algumas intervenções neste grande espaço verde de modo a preservar o passeio tranquilo de nossos visitantes. Com isso, alguns caminhos foram interrompidos, algumas trilhas modificadas, além de interditarmos a parte baixa do terreno. Portanto, quando você nos visitar e encontrar um aviso como o da imagem acima, não o ultrapasse: é uma área a ser recuperada que, no momento, por medida de segurança, não está liberada para visita.

Uma outra novidade é que mudamos a localização de nosso Horto, incorporando-o em nosso Canteiro Ecológico. Mas isso é assunto para outra nota... aguarde!