terça-feira, 28 de maio de 2013

Benjamin Constant e o "Imperial Instituto dos Meninos Cegos": um legado de cidadania e dedicação a uma causa

A sede, hoje, do Instituto Benjamin Constant, na Urca, Rio de Janeiro.

O "Imperial Instituto dos Meninos Cegos" foi criado em 1854 pelo Imperador D.Pedro II, com o objetivo de se dedicar ao ensino de crianças cegas (meninos e meninas). Seu escopo de ensino ia desde o básico - ensinar a ler, a escrever, matemática básica, ciências, etc. - até um ofício, com o qual o jovem pudesse se desenvolver profissionalmente. Havia preocupação com a cultura em geral, mas o foco era o de fornecer instrumentos ao aluno com deficiência visual de modo que ele pudesse ganhar sua vida sozinho, sem dependência.

Claudio Manoel da Costa foi diretor do Instituto no período de 1856 a 1869. Foi ele quem convidou Benjamin Constant a lecionar na escola em 1862, após seu retorno da Guerra do Paraguai, onde contraiu malária e permaneceu durante algum tempo totalmente afastado de suas atividades profissionais. Com este convite acabou por unir sua filha, Maria Joaquina, ao novo professor, se tornando, desta forma, sogro de Benjamin Constant. Benjamin lecionava matemática e ciências naturais no Instituto e a dificuldade de transmitir símbolos, sinais e outros elementos abstratos aos alunos era grande. Por isso, o dedicado professor adaptou os conteúdos de suas aulas ao método Braille, para facilitar o ensino das ciências abstratas. Este foi um de seus principais trabalhos na instituição.
O Imperador D.Pedro II, fundador e incentivador do Instituto Benjamin Constant.
Foto: Arquivo Nacional/Correio da Manhã.

Em 1869, Claudio Manoel da Costa falece, o que leva Benjamin à diretoria da casa - cargo que exerceu durante vinte anos, entre 1869 a 1889, ano em que passou a integrar o novo governo republicano como Ministro da Guerra e, posteriormente, como Ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos.

Durante o período em que passou na instituição, Benjamin foi em busca de diversas melhorias para o ensino dos pequenos deficientes. Um dos maiores desafios era o de possuir uma sede própria, o que foi obtido a partir da doação de um terreno localizado na Praia Vermelha, pertencente ao então imperador Pedro II. Depois de tal conquista, Benjamin executou ele mesmo estudos preliminares para a construção da nova escola e os encaminhou ao então Ministro e Secretário de Negócios do Império, que os aprovou. No entanto, não foi este o projeto executado posteriormente.

A pá utilizada por D. Pedro II no ato de lançamento da pedra fundamental
do prédio da Praia Vermelha - Acervo Museu do Instituto Benjamin Constant.

Após a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do edifício a ser construído, em 29 de junho de 1872, com a presença do imperador - ocasião em que Benjamin discursa - o arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva assume o projeto e a execução da obra que se torna um dos prédios mais interessantes e destacados da arquitetura carioca da época, até os dias de hoje.

Em 1873, já durante a construção, o diretor Benjamin Constant discursa sobre o futuro prédio: "Já estão lançados os alicerces e continua a execução da obra. É um vasto e elegante edifício com comodidades apropriadas a 400 ou 500 alunos internos de ambos os sexos, distribuído sobre um retângulo de 110 metros de frente sobre 80 de fundo;(...)"

O prédio do Instituto em construção, circa 1885 (tracejado)
Foto de Marc Ferrez - Acervo Instituto Moreira Salles.

Quando do afastamento de Benjamin Constant da instituição em 1889, houve uma cerimônia com o intuito de homenageá-lo pelos vinte anos de dedicação ao Instituto. Durante discurso, o professor cego Cesário Cristino da Silva Lima manifestou-se de modo a marcar a esperança de que o novo ministro continuasse a se empenhar pela instituição, ao que foi respondido com o compromisso de Benjamin no sentido de "envidar esforços para elevar o Instituto à altura de sua nobre missão na sociedade brasileira."

Proclamada a República em 1889, o Instituto tem alterada sua denominação por decreto para "Instituto dos Meninos Cegos". Em seguida, nova alteração acontece e a nova denominação passa a ser "Instituto Nacional dos Cegos". Após o falecimento de Benjamin Constant, em decreto de 24 de janeiro de 1891, surge então sua denominação definitiva como "Instituto Benjamin Constant": uma justa homenagem a quem se dedicou à causa, com todo empenho. E, apesar de acompanhar as obras com entusiasmo, Benjamin não veria a inauguração da nova sede: a mudança da instituição para o novo prédio se deu apenas em fevereiro de 1891, e o antigo diretor havia falecido no mês anterior.

A máquina de braille de Benjamin Constant.

Não raro recebemos ligações para nosso museu de pessoas solicitando informações sobre tratamentos e cursos para pessoa cegas. Dirigimos estas solicitações obviamente para o ultra conhecido (e reconhecido) Instituto Benjamin Constant, localizado no bairro da Urca, aqui no Rio de Janeiro, especializado em educação voltada aos deficientes visuais.

Também existe uma "crença" de que nosso patrono, Benjamin Constant, era cego. Não é verdade: Benjamin Constant enxergava bem e foi, simplesmente - se é que se pode dizer assim - professor e diretor do conhecido Instituto que leva seu nome. Abnegado professor desde o momento em que se licenciou pela primeira vez em 1858, Benjamin tinha prazer em transmitir conhecimento ao próximo, coisa que tornou-se constante, vibrante e incansável. O gosto pela ciência e pela convivência com seus alunos o transformou num mestre querido e respeitado. E isto sempre trouxe muitas glórias para si.



Fonte de consulta: "150 anos do Instituto Benjamin Constant
Fundação Cultural Monitor Mercantil - 2007

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Semana de Museus: encontrando a cultura de Santa Teresa

O grupo que participou do encontro de instituições culturais e assemelhados.

Na semana passada, "Semana de Museus", realizamos um evento pra lá de especial em nosso jardim: um encontro com algumas das instituições culturais de Santa Teresa, bairro onde estamos localizados, de modo a cumprir uma de nossas missões institucionais, qual seja a de "estimular ações culturais em seu território". Tal encontro foi pensado em parceria com o Museu da Chácara do Céu, que também fica no bairro e é vinculado ao IBRAM, como nosso museu.

Aos poucos, a conversa se desenvolveu e muitas boas iniciativas foram divulgadas.

O encontro ao ar livre e com a luz da manhã foi extremamente prolífico: cada representante de instituição apresentou um pouquinho de seu trabalho atual mostrando a todos a riqueza cultural e artística de nosso bairro. A face social também apareceu forte e tivemos a grata supresa de saber que grande parte das ações é voltada à população mais carente que se beneficia de inúmeras formas dos projetos apresentados.

E até o final do encontro muitas boas ideias apareceram.

Aos poucos fomos conhecendo diversas e interessantes atividades que podem se tornar ainda maiores e melhores com as trocas possíveis entre cada um dos participantes. Ao fim do encontro ficou acertada nova reunião para uma nova rodada de conversas e ideias, além de agregarmos outras instituições ao grupo. A ideia da criação de uma rede ou fórum de cultura no bairro foi aventada e, esperamos, possa se tornar uma realidade das mais interessantes. Afinal de contas, a união faz a força.

PS: Se você faz parte de alguma instituição cultural ou entidade assemelhada no bairro e deseja tomar parte do novo grupo, contate-nos através deste e-mail.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cadeiras em destaque

Várias das cadeiras presentes em nosso acervo.

Um dos móveis de maior dificuldade de confecção, desde a criação, passando pelo desenho, escolha do material, modelagem e fabricação final é a cadeira. Desde sempre, incluindo a época em que eram confeccionadas sob medida para reis e imperadores, até quando passaram a ser criadas em escala suficiente para uso por toda uma população, são das peças com histórias as mais fascinantes.

A cadeira de Benjamin Constant, em palhinha e jacarandá.

Cadeiras, de um modo geral, definem épocas e estilos de decoração, mostrando em sua forma, detalhes, material utilizado e conformação geral o que se passava num determinado período histórico. Em nosso museu possuímos vários exemplares do século XIX, uma época muito rica na produção de mobiliário de um modo geral, tanto em termos estéticos quanto de métodos de fabrico, quanto do uso de madeiras mais ou menos exóticas. Dentre estes exemplares, alguns pertenceram, de fato, à família Benjamin Constant. Outros, de tão interessantes e com um registro histórico evidente, foram incorporadas de modo totalmente harmônico ao nosso acervo, para ambientação de nosso museu casa.

Dois modelos de destaque: cadeira "medalhão", comum no século XIX, e cadeira com encosto em forma de harpa.

Temos muitas peças do chamado modelo "Medalhão", com assento e encosto em palhinha, com ou sem braços, bastante comuns à época e muito valorizadas na atualidade. Há também modelos do chamado "barroco brasileiro" e do "estilo eclético", típico do século XIX, além de delicadas peças já com inspiração no período Nouveau, do início do século XX. Algumas das mais interessantes foram destacadas neste post e grande parte encontra-se exposta em nossa casa histórica. Venha vê-las de perto!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

11ª Semana de Museus



O Dia Internacional dos Museus, comemorado em 18 de maio, ensejou em nosso país a criação da Semana de Museus, que já completa 11 anos em 2013. O objetivo é o de mobilizar os museus brasileiros com uma programações em torno de um mesmo tema - neste ano a escolha recaiu sobre "Museus (Memória + Criatividade) = Mudança Social " e o alcance do evento tem sido cada vez maior.

Neste ano a edição acontece entre os dias 13 a 19 de maio e terá um total de 1.252 instituições participantes com quase quatro mil atividades em 535 municípios de todo o país. A coordenação fica a cargo do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM, que se esmera em preparar e divulgar a semana tanto entre as instituições quanto entre o público em geral.

Visitantes em evento especial em nosso Museu Casa


Para este ano nosso Museu aguarda a visita de grupos escolares e de turistas, além dos visitantes diários, com as visitas mediadas a nossa casa histórica - que podem ser complementadas com uma visita a nosso parque, uma área verde com mais de 10 mil metros quadrados de mata nativa. Teremos também um encontro fechado no dia 16/05, coordenado em parceria com o Museu da Chácara do Céu, quando receberemos instituições culturais e assemelhados de nosso bairro, Santa Teresa, para uma troca de ideias e formação de parcerias. O que, certamente, vai gerar muitos outros bons eventos por aqui.

SERVIÇO:
Museu Casa de Benjamin Constant na 11ª Semana de Museus 

Casa Histórica - visitas mediadas:
De segunda a sexta das 10h às 17h
Sábado e domingo das 13h às 17h
Parque:
De segunda a domingo das 8h às 17h

11ª SEMANA DE MUSEUS
De 13 a 19 de maio em museus de todo o país.
Clique aqui para obter mais informações e a programação completa.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Entre livros e documentos: nosso Arquivo Histórico e Biblioteca

Os novos volumes que contém descrições dos documentos dos Fundos Família Benjamin Constant
e Benjamin Constant de nosso Arquivo Documental.

Se você ainda não leu nossa página "Arquivo Histórico e Biblioteca" aqui mesmo neste blog (veja link na coluna à direita), não sabe como temos informações, dados e documentos sobre os séculos XIX e XX: nosso Arquivo Histórico e Biblioteca versam sobre a vida pública e privada de nosso patrono - Benjamin Constant - e de seus familiares, incluindo as diversas áreas de conhecimento e interesses da família.

O Arquivo é dividido em quatro "Fundos", a saber: Fundo Benjamin Constant, Fundo José Bevilaqua, Fundo Pery Constant Bevilaqua e Fundo Família Benjamin Constant. Fazemos abaixo uma breve descrição do conteúdo de cada um deles.

A edição do jornal "O Paiz" de 29 de novembro de 1889 faz parte de nosso fundo documental "Benjamin Constant".

No Fundo Benjamin Constant se encontram doações de familiares, principalmente a partir da década de 80 do século passado e possui um conjunto de documentos de valor inestimável para a história do Brasil, especialmente para os estudos da transição do Império para a República, proclamada em 15 de novembro de 1889 e da qual Benjamin Constant foi o Fundador. As instituições de ensino civis e militares onde Benjamin lecionou têm destaque, além da correspondência com familiares e amigos. Documentos sobre as associações de cunho recreativo, científico e de seguros nas quais Benjamin tomou parte, além de temas como Positivismo, República, Campanha do Paraguai e Educação.

No Fundo José Bevilaqua consta a correspondência familiar no período de 1878 a 1937. Bevilaqua foi aluno e genro de Benjamin, além de seu ajudante de ordens e auxiliar nos Ministérios da Guerra e da Instrução, Correios e Telégrafos.

O general Pery Constant Bevilaqua (sentado).

A conjuntura político-militar das décadas de 50 e 60 no século passado no Brasil são o destaque do Fundo Pery Constant Bevilaqua: o General Pery, como é mais conhecido, era filho de José Bevilaqua e neto de Benjamin Constant e foi ministro do Superior Tribunal Militar desde 1965 até sua cassação pelo Governo Militar na época do AI-5.

O cotidiano da família Constant e todas as suas ramificações são encontradas em documentos do Fundo Família Benjamin Constant: nele constam assuntos relacionados à memória de nosso patrono e à Proclamação da República, compreendendo documentos de 1890 a 1991, além de uma coleção muito interessante para os estudos da vida cotidiana dos séculos XIX e XX, do qual destacamos as correspondências entre familiares e amigos.

José Bevilaqua, aluno, assistente e genro de Benjamin Constant também guardou inúmeros documentos que constam de nosso acervo.

Estes documentos foram organizados, higienizados e acondicionados no período de 1999 a 2006, com o patrocínio da Petrobras e da Fundação Vitae, e com o apoio da Associação de Amigos de nosso museu. No ano de 2012, começamos novo processo de otimização dos inventários deste acervo. As ações fazem parte do Programa de Acervos e do Programa de Pesquisa de nosso Museu, e consistem na revisão, correção e atualização das informações de nossos Fundos Arquivísticos. No Fundo Benjamin Constant cerca de três mil documentos foram tratados. Já no Fundo Família Benjamin Constant, mais de 6 mil documentos foram revistos. Agora está em curso o tratamento dos documentos do Fundo Pery Constant Bevilaqua, que conta com cerca de 13 mil documentos! Estas atividades contam com equipe multidisciplinar, formada por arquivista, museólogo, historiador e estagiários. A releitura dos documentos permite novas abordagens, novos olhares que enriquecem os próprios inventários.

Já nossa Biblioteca é formada pela biblioteca particular de Benjamin Constant - que contém aproximadamente 700 livros, sendo cerca de 450 obras raras do século XIX - e pela biblioteca do General Pery Bevilaqua, seu neto, que conta com mais de 4200 volumes. História do Brasil, Positivismo, Ciências, formação e desenvolvimento do Exército Brasileiro, Governo Provisório, Golpe de 64, Anistia, Direito, entre outros assuntos pertinentes formam a temática dos volumes que podem ser consultados sob agendamento prévio - com a exceção de obras raras.

Os livros mais antigos de nosso acervo bibliográfico contam com a proteção de capas em papel neutro.

Estudantes e pesquisadores costumam nos visitar para efetuar trabalhos diversos, aprofundando ou esclarecendo questões da maior importância sobre nossa história.

Sabemos que o desenvolvimento da pesquisa histórica depende, em parte, das condições oferecidas pelas instituições que se dedicam à preservação de documentos. Por isso, temos a certeza de que manter este acervo em condições ideais de organização e preservação é parte de nossa missão instituicional.

PS: para agendar sua consulta ao nosso Arquivo Histórico e Biblioteca, entre em contato com Marcos Lopes pelos telefones 3970-1168 ou 3970-1177. Atualmente somente o disponibilizamos para estudantes e pesquisadores.