terça-feira, 30 de abril de 2013

Santa Teresa Criativa


Todo mundo sabe que o bairro onde se localiza nossa museu é um local boêmio, artístico e cultural de primeira linha! Santa Teresa tem seu charme tanto por sua geografia, localização e arquitetura quanto pelos inúmeros ateliês e centros culturais que abriga. Mas nem sempre o turista - ou mesmo o morador do Rio que quer conhecer bem o bairro - sabe como localizar estes espaços tão gostosos de se estar, visitar, fruir...

Indicações de onde se localizam construções as mais interessantes como o famoso "castelinho" de Santa Teresa (na verdade, Castelo do Valentim), podem ser encontrados nos mapas disponibilizados no site "Santa Teresa Criativa".

Pois bem: numa iniciativa do SEBRAE-RJ, com o apoio técnico do Instituto IDEIAS - que realizou pesquisa com consumidores no local e entrevistas com alguns dos principais representantes culturais de Santa Teresa - mais dados de fontes como a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo do Rio de Janeiro, IBGE, IPHAN, entre outras instituições, foi feito um mapeamento cultural do bairro contando com informações sobre as instituições, espaços e associações ligadas à cultura, os estabelecimentos de comércio típico, os eventos do calendário cultural, os grupos culturais, os monumentos, as personalidades de ontem e de hoje e os artistas e artesãos. O resultado deste trabalho está disponível para consulta na internet através do site Santa Teresa Criativa, que reúne todos estes "atores da cena cultural" de Santa e mostra o caminho até eles ao grande público.

Galerias com fotos organizadas por local de interesse também estão disponíveis para consulta.

Nos links do mesmo você pode consultar informações geográficas e históricas do bairro, conhecer os endereços dos artesãos e artistas, obter informações sobre o comércio local e ainda obter mapas mostrando onde se localizam os espaços culturais, praças e mirantes, os bens imóveis (arquitetônicos) de maior interesse, entre outros do mesmo tipo. Vale a pena consultá-lo sempre para saber "onde ir" em um dos bairros mais charmosos da cidade!

Informações sobre o eclético comércio local também podem ser encontrados no site.

Nota importante: brevemente nosso museu estará ajudando a incrementar ainda mais estas informações através de parcerias, encontros e eventos de diversos tipos. Aqui no blog você ficará sabendo de tudo. Aguarde!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O charme do século XIX: leques

Feito com lâminas de marfim entalhadas e vazadas, este leque recebeu em sua parte superior um revestimento feito com papel decorado com várias estampas de figuras humanas com roupas de época, paisagens e alegorias em ambos os lados. Pertenceu à Olympia Gonçalves Dias, esposa do poeta Gonçalves Dias, que era irmã de Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant.

Um dos elementos praticamente indispensáveis a uma dama no século XIX era o leque. Alguns autores defendem que o aparecimento do leque se deu no Japão, entre os séculos XI a VIII, enquanto outros situam o surgimento da peça quase ao mesmo tempo do surgimento do homem. E existem muitos mitos e lendas que tratam de sua origem, assim como diferentes povos se dizem responsáveis pela criação deste objeto.

Uma menina americana negra do século XIX e seu leque: tradição entre todas as mulheres, sem distinção.
Para se ter uma ideia de sua importância, pode-se observar a frase abaixo, atribuída à escritora iluminista francesa, Madame de Staël:

"Há tantos modos de se servir de um leque que se pode distinguir, logo à primeira vista, uma princesa de uma condessa, uma marquesa de uma roturière (plebeia). Aliás, uma dama sem leque é como um nobre sem espada."


Leque feito com lâminas de madeira pintadas de dourado envelhecido com decoração vazada. Na parte de cima as hastes receberam tecido na cor vinho, com rendilhado na ponta, mais decoração floral e figuras humanas. Também pertenceu à Olympia Gonçalves Dias.

Em nosso acervo possuímos algumas peças deste acessório feminino que enorme importância tinha no vestuário do século XIX pois, além de ser um item de moda, no calor dos trópicos brasileiros o leque era indispensável para amenizar o calor. Neste post você vê algumas peças de nosso Museu, algumas ainda em bom estado, mas apenas um deles está exposto atualmente. Mas, não eram mesmo um charme?
Mais conhecido como "ventarola", este leque era feito com base em uma haste de madeira que recebia uma peça oval feita com lâminas de madeira com nervuras, revestida em papel colorido ou estampado e envernizado.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Quem foi Benjamin Constant, o pensador francês?


O pai de nosso patrono, Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães, português da cidade de Torre do Moncorvo, foi professor aqui mesmo no Brasil e portanto ligado às questões de seu tempo, como a política, a liberdade, os novos conhecimentos que vinham à baila a todo momento (nos séculos XVIII e XIX) e, obviamente, era uma pessoa culta. Acreditamos que seja este o motivo pelo qual batizou seu primeiro filho com o nome do político liberal e escritor francês, Henri-Benjamin Constant de Rebeque - ou simplesmente Benjamin Constant como ficou conhecido. Portanto, nosso patrono carregou desde os primeiros anos de vida o legado de um homem bastante influente e importante em seu país natal.

O "Benjamin Constant francês" nasceu na verdade em Lausanne, na Suíça, a 25 de outubro de 1767 em uma família huguenote*. Educado por tutores privados e instruído nas Universidades de Erlangen, na Baviera, e na de Edinburgo, na Escócia, era um cidadão dos mais cultos e destacados em toda a Europa. Íntimo de Madame de Staël - escritora do Iluminismo francês - a colaboração intelectual de ambos fez deles um dos mais importantes pares intelectuais de seu tempo. Constant foi ativo nas políticas francesas como um publicitário e político durante a segunda metade da Revolução Francesa e entre 1815 e 1830, tendo inclusive assento na Assembleia Nacional Francesa. Foi um dos mais eloquentes oradores da casa e um líder da oposição conhecida como "os Independentes".

Escreveu livros sobre a liberdade dos cidadãos em relação ao Estado sendo um autor liberal, mais formado na tradição anglo saxã do que na francófona. Constant se baseou mais na Inglaterra do que na Roma antiga, visando um modelo prático de liberdade em uma sociedade comercial de grandes proporções. Criou uma distinção entre a "Liberdade dos Antigos" e a "Liberdade dos Modernos", pensou na cidadania, no tamanho dos Estados modernos (cada vez maiores e "invasivos" na vida dos cidadãos), teorizou sobre a representatividade dos cidadãos, entre outros assuntos ligados à filosofia e à política.

Anne Louise Germaine de Staël, ou simplesmente Madame de Staël: parceira de Benjamin Constant no iluminismo francês.

Entre seus feitos se encontra a decretação do "Acte Additional" em 1815, o qual transformou o restaurado império de Napoleão em uma moderna Monarquia Constitucional. A Constituição Francesa de 1830 pode ser vista como a implementação prática de muitas das ideias de Constant: uma monarquia hereditária existindo conjuntamente com uma Câmara dos Deputados eleita e um Senado Vitalício, com o poder executivo nas mãos de ministros responsáveis. Desta forma, mesmo sendo eventualmente ignorado na França por causa de suas simpatias anglo saxãs, Constant fez uma profunda (ainda que indireta) contribuição às tradições constitucionais francesas.

Constant deixou um vasto acervo escrito literário e cultural sendo a mais importante a novela "Adolphe", e suas extensivas histórias de religião, com ênfase no suicídio e nas emoções humanas como a base para a vida social. Seu pensamento moral e religioso foi fortemente influenciado pelos escritos de moralidade de Jean-Jacques Rousseau e de pensadores alemães como Immanuel Kant. Como se pode notar, Benjamin Constant foi figura das mais importantes na história europeia e nosso patrono, o "Benjamin Constant brasileiro" certamente honrou o nome que recebeu.

* Os huguenotes eram religiosos protestantes que seguiam os ensinamentos de Ítalo Calvino - e portanto também eram conhecidos como "calvinistas".

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Comemorando o Dia do Índio

Exótica e bem brasileira, a rede presenteada por Rondon à Maria Joaquina chama a atenção de nossos visitantes.

Criado em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, o Dia do Índio relembra o dia da primeira reunião dos povos indígenas do continente americano, realizado no México em 1940. Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como objetivo zelar pelos direitos dos indígenas na América. Inicialmente de fora da nova organização por motivo de política interna, o Brasil somente aderiu ao Instituto após apelo do Marechal Rondon junto ao presidente, que, ao mesmo tempo que atendeu ao pedido de Rondon, instituiu a data comemorativa.

O Marechal Rondon

E, falando em Rondon, lembramos que ele foi aluno de Benjamin Constant na Escola Militar, onde ingressou em 1884, o que os aproximou em muito. Rondon era considerado mais que um aluno, mas um verdadeiro "discípulo" de Benjamin. E, falando em índios, uma das peças mais curiosas e que sempre chama muita atenção durante as visitas em nosso museu casa é a rede que fica na sala de jantar: tecida por diversas tribos indígenas brasileiras, com pequenas aplicações de plumária típica de nossa fauna em forma de símbolos republicanos, a rede foi presenteada pelo Marechal Rondon à Maria Joaquina, viúva de Benjamin Constant. Nota-se que se trata de uma peça única, feita sob medida pelos índios.

O Dia do Índio tem como função lembrar a todos os brasileiros sobre a história e a importância dos primeiros habitantes de nossa terra e também de relatar seus direitos e suas necessidades nos dias que correm. Todo nosso respeito a estes povos tão fundamentais em nossa formação enquanto nação e, apesar disso, tão sofridos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O charme do século XIX: penteando os cabelos

Se você já esteve em nosso museu, certamente viu este curioso espelho:



Se não, deve estar se perguntando: para quê e como era utilizada esta peça?

Pois bem: Maria Joaquina Constant, esposa de Benjamin Constant, e suas filhas, eram adeptas das modas do século XIX. Em nosso acervo possuímos uma linda travessa de cabelo, feita em casco de tartaruga, tendo em sua parte superior - uma lâmina em metal curva, com decoração vazada - a aplicação de pedras de ônix, por exemplo. Mas, além de perucas e apliques, este espelho duplo era um elemento que auxiliava em muito à verdadeira "confecção" dos penteados das mulheres da família pois, usando tal espelho, era mais fácil enxergar como o penteado estava na parte de trás da cabeça - e era fundamental que todo o conjunto ficasse harmonioso, obviamente. O exemplar que possuímos está fixado no quarto do casal, mas haviam outros nos quartos das moças.

A belíssima travessa de cabelos com aplicação de pedra ônix que faz parte de nosso acervo. Provavelmente pertenceu à Maria Joaquina, ou a uma de suas filhas.

Mas há muito a dizer sobre os penteados do século XIX: desde 1800, com as descobertas arqueológicas sobre a vida na Grécia e na Roma antigas, homens e mulheres desejaram reviver um pouco desta época clássica de inúmeras formas. Uma delas foram os penteados que, se nos homens já eram elaborados, nas mulheres beiravam ao exagero.

No quadro pintado por Décio Villares, Maria Joaquina Constant posa como uma bela senhora de sua época: os cabelos? Presos em coque com o uso de uma mantilha.

É preciso lembrar que, via de regra, as mulheres mantinham suas madeixas bastante longas e presas. Uma "mulher de família" jamais apareceria em público com os cabelos completamente soltos: isso era reservado ao quarto de vestir (boudoir) ou de uso das cortesãs, porque o cabelo feminino era considerado um signo de erotismo. No caso de eventos noturnos, que eram raros no Brasil, era permitido usar os cabelos parcialmente soltos com penteados mais elaborados.

Os elaborados penteados do século XIX. Fonte: Blog Memória Vintage.

Normalmente os cabelos eram escovados duas vezes por dia. Os penteados tornaram-se tão complexos no final do século XIX que o cabelo era sustentado com almofadas e arames e apliques. Também o uso de perucas e chapéus criaram estilos únicos que marcaram o período.

O penteado "Apollo Knot" e a tiara "Sphendone". Fonte: Blog Memória Vintage.

Um dos penteados mais populares até 1900 era o chamado "Apollo Knot": dividia-se o cabelo em três partes, sendo um coque no alto da cabeça, e cachos pequenos soltos em ambas as laterais. Para complementá-lo, se usavam presilhas, flores ou o "Sphendone", que era uma tiara usada na Grécia Clássica.

O penteado "Pompadour". Fonte: Blog Memória Vintage.

Outro penteado também bastante popular entre as mulheres era o chamado "Pompadour", que na verdade era uma variação do "Apollo Knot": montava-se com uma espécie de topete alto e laterais eram presas geralmente em um coque discreto na parte de trás da cabeça.

Muito populares durante os anos 1800, as perucas e os apliques ajudavam principalmente as mulheres que desejavam alcançar penteados da moda que exigiam cachos abundantes. Quem não possuía caracóis suficientes usava um aplique chamado “la folie cachée” ou perucas fartas para adicionar o volume necessário de cabelo.

Em resumo, os cabelos - femininos e masculinos - do século XIX são um capítulo dos mais interessantes do modo de vida da época.

Fontes:
Blog Memória Vintage
Blog Diários Anacrônicos