sexta-feira, 14 de junho de 2013

O que você sabe sobre a Guerra do Paraguai?

Batalha de Campo Grande, de Pedro Américo - OST, 1871, Museu Imperial de Petrópolis.
O quadro retrata uma das batalhas da guerra do Paraguai.

Um dos mais sangrentos e tristes conflitos ocorridos na América do Sul, a Guerra do Paraguai foi um divisor de águas na vida de nosso patrono, Benjamin Constant. Convocado aos 29 anos para servir como engenheiro militar, partiu para Corrientes, no Paraguai, e viajou pelo país vizinho criando estruturas de apoio - tais como cais e pontes - às tropas brasieiras. No período em que lá esteve, escreveu centenas de cartas para sua esposa, Maria Joaquina, além de alguns amigos mais próximos. Retornou adoecido, acometido de malária, o que lhe acompanhou pelo resto de sua vida. O conflito teve influências profundas sobre o homem Benjamim, que, ainda mais que antes, lutou pelos direitos de vários grupos na época em que viveu.

Mas muita gente nem sabe direito o porquê (ou os porquês) desta guerra. Abaixo, em texto da historiadora Alana Mendonça, que integrou nossa equipe do Núcleo Educativo Cultural, apresentamos uma pequena introdução sobre o assunto, para que você saiba um pouco mais sobre este conflito. Acompanhe:

Benjamin Constant, de partida para a guerra.

"A Guerra do Paraguai foi travada entre Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai, e durou de 1864 a 1870. Vários foram os fatores que culminaram na Guerra do Paraguai. O objetivo central foram as disputas pelo controle da navegação na bacia do rio Prata.

A guerra foi iniciada quando o Paraguai apreendeu no Rio Paraguai o navio brasileiro Marquês de Olinda, onde estava o presidente da província do Mato Grosso, coronel Frederico Carneiro de Campos. Os paraguaios apreenderam junto ao navio armas e dinheiro. O pretexto utilizado por Solano Lopez foi que o Brasil não respeitou o tratado reconhecendo a independência do Uruguai, ao invadir Montevidéu. A invasão a Montevidéu ocorreu em 1864. Após a independência do Uruguai, dois partidos locais, os blancos e colorados, disputavam o poder local. Os colorados liderados por Venâncio Flores eram apoiados pelo Brasil e pelo general argentino Bartolomeu Mitre, que desejavam a livre navegação na Bacia do Prata. Os blancos eram opositores do governo brasileiro. A década de 1860 é marcada pelos blancos no poder uruguaio. Em 1864 o Brasil invade Montevidéu, que estava sob o comando do blanco Atanasio Cruz Aguirre. O pretexto da invasão foram as disputas por fronteiras, mas o Brasil queria restituir o poder aos colorados. Nesta disputa, Aguirre foi apoiado pelo exército de Solano Lopez. O Brasil invadiu Montevidéu e Aguirre deixa o poder em 1865, retornando os colorados ao comando do governo. A partir daí, o Uruguai passa a apoiar o Brasil na guerra contra o Paraguai.

Em 1865, quando Paraguai invade o Mato Grosso, toma a província argentina de Corrientes e chega ao Rio Grande do Sul, a Tríplice Aliança é formada. A Tríplice Aliança foi a união do Brasil, Argentina e Uruguai contra Solano Lopez. No período, nenhum dos países envolvidos achou que a guerra fosse durar tanto tempo. Solano Lopez subestimou a atuação do Brasil na guerra, que fortaleceu seu exército com o recrutamento forçado, com a entrada na guerra da Guarda Nacional e com a adesão dos voluntários da pátria, que eram escravos brasileiros que ao se recrutarem eram automaticamente alforriados. Além disso, o Paraguai achou que a Argentina ficaria neutra ao conflito. Brasil e Argentina não acreditaram na resistência duradoura do exército paraguaio.

 
Solano López, ditador paraguaio.
No decorrer da guerra houve alternância das vitórias nas batalhas. Ora os aliados ganhavam as batalhas, ora os paraguaios venciam. No final da guerra, em 1870, permaneceram no conflito somente Brasil e Paraguai. A Argentina saiu da guerra em 1867, por motivos de conflitos internos. A Guerra só se deu por finalizada com a morte de Solano Lopez em 1º de março de 1870, com vitória da Tríplice Aliança.
"

Referência Bibliográfica: NEVES, Lúcia Maria Bastos P.. MACHADO, Humberto Fernandes. O Império do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

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