terça-feira, 25 de junho de 2013

O charme do século XIX: a linguagem dos leques

Possivelmente esta moça estaria indicando um "às três horas", devido ao número de varetas mostradas no leque ('O leque com um determinado número de varetas exposto respondia à pergunta: "a que horas?" ') - foto de Alvan Arper.


Falamos aqui anteriormente sobre o costume de usar leques no século XIX. Em nosso país, o clima tropical e a indumentária usada pelas pessoas "pediam" uma ventarola que amenizasse o calor que sentiam. Mas, além da função óbvia, existia também uma "linguagem" utilizada pelas senhoras e senhoritas para se comunicar, com recato, com seus possíveis pretendentes. Provavelmente este "código" existia em todo o mundo onde o objeto era utilizado, com possíveis variações, obviamente. O blog norte americano 19th Century American Women (algo como "Mulheres americanas no século XIX"), listou uma série destes códigos como eram usados pelas mulheres americanas que viveram na época. Veja que interessante:

  • Leque colocado próximo ao coração: "você me conquistou..."
  • Leque fechado tocando o olho direito: "quando poderemos nos ver?"
  • O leque com um determinado número de varetas exposto respondia à pergunta: "a que horas?"
  • Movimentos ameaçadores com o leque fechado: "não seja imprudente!"
  • Leque meio aberto pressionando os lábios: "você pode me beijar..."

"Pode me beijar..."

  • Mãos entrelaçadas segurando o leque aberto: "me perdoe..."
  • Leque aberto cobrindo a orelha esquerda: “não traia nosso segredo!"
  • Escondendo os olhos sob um leque aberto ou passar o leque pelo queixo: “eu te amo”
  • Fechar um leque totalmente aberto lentamente: “prometo me casar com você...”
  • Passar o leque sobre os olhos: “lamento”
O site "FancyHand Fans" propôs o que seria uma "linguagem urbana" para o uso dos leques na atualidade.
Clique para ver maior.

  • Tocar o dedo na ponta do leque: “quero falar com você” 
  • Deixar o leque apoiado sobre a bochecha direita: “sim” 
  • Deixar o leque apoiado sobre a bochecha esquerda: “não” 
  • Abrindo e fechando o leque várias vezes: “você é cruel!”
  • Deixar o leque cair: “seremos amigos”

"Sim"


  • Abanando-se devagar: “sou casada” 
  • Abanando-se rápido: “sou noiva” 
  • Colocar a alça do leque nos lábios: “beije-me”
  • Abrir o leque totalmente: “espere por mim”
  • Colocar o leque atrás da cabeça: “não se esqueça de mim”

“Quero conhecê-lo”

  • Colocar o leque atrás da cabeça com o dedo extendido: “adeus”
  • Colocar o leque com a mão direita em frente à face: “siga-me”
  • Colocar o leque com a mão esquerda em frente à face: “quero conhecê-lo”
  • Prender o leque sobre a orelha esquerda: "quero me livrar de você"
  • Passar o leque sobre a testa: “você mudou”

Exemplar de nosso acervo, que pertenceu a Olympia Gonçalves Dias, cunhada de Benjamin Constant.

  • Girar o leque com a mão esquerda: “estamos sendo observados”
  • Girar o leque com a mão direita: “amo outra pessoa”
  • Carregar o leque aberto com a mão direita: “você está muito decidido” 
  • Carregar o leque aberto com a mão esquerda: “venha falar comigo” 
  • Passar o leque pelas mãos: “eu te odeio!”

Pode ser que nem todos os gestos feitos com leque significavam a mesma coisa em qualquer lugar no mundo, mas muitos deles, certamente, foram utilizados por nossas avós em seu dia a dia com garbo e elegância, além, é claro, de se comunicarem com muita discrição e romantismo.

2 comentários:

  1. Linguagens Maravilhosas que se foram perdendo ao longo dos anos. Coqueterias para aguçar as relações. Ao acabarem estas Maravilhas do Romantismo o Homem ficou mais pobre - portanto está paupérrimo.

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    1. Pois é Nito, coisas de antigamente...
      Obrigada pela visita e comentário. Um abraço!

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