terça-feira, 23 de abril de 2013

Quem foi Benjamin Constant, o pensador francês?


O pai de nosso patrono, Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães, português da cidade de Torre do Moncorvo, foi professor aqui mesmo no Brasil e portanto ligado às questões de seu tempo, como a política, a liberdade, os novos conhecimentos que vinham à baila a todo momento (nos séculos XVIII e XIX) e, obviamente, era uma pessoa culta. Acreditamos que seja este o motivo pelo qual batizou seu primeiro filho com o nome do político liberal e escritor francês, Henri-Benjamin Constant de Rebeque - ou simplesmente Benjamin Constant como ficou conhecido. Portanto, nosso patrono carregou desde os primeiros anos de vida o legado de um homem bastante influente e importante em seu país natal.

O "Benjamin Constant francês" nasceu na verdade em Lausanne, na Suíça, a 25 de outubro de 1767 em uma família huguenote*. Educado por tutores privados e instruído nas Universidades de Erlangen, na Baviera, e na de Edinburgo, na Escócia, era um cidadão dos mais cultos e destacados em toda a Europa. Íntimo de Madame de Staël - escritora do Iluminismo francês - a colaboração intelectual de ambos fez deles um dos mais importantes pares intelectuais de seu tempo. Constant foi ativo nas políticas francesas como um publicitário e político durante a segunda metade da Revolução Francesa e entre 1815 e 1830, tendo inclusive assento na Assembleia Nacional Francesa. Foi um dos mais eloquentes oradores da casa e um líder da oposição conhecida como "os Independentes".

Escreveu livros sobre a liberdade dos cidadãos em relação ao Estado sendo um autor liberal, mais formado na tradição anglo saxã do que na francófona. Constant se baseou mais na Inglaterra do que na Roma antiga, visando um modelo prático de liberdade em uma sociedade comercial de grandes proporções. Criou uma distinção entre a "Liberdade dos Antigos" e a "Liberdade dos Modernos", pensou na cidadania, no tamanho dos Estados modernos (cada vez maiores e "invasivos" na vida dos cidadãos), teorizou sobre a representatividade dos cidadãos, entre outros assuntos ligados à filosofia e à política.

Anne Louise Germaine de Staël, ou simplesmente Madame de Staël: parceira de Benjamin Constant no iluminismo francês.

Entre seus feitos se encontra a decretação do "Acte Additional" em 1815, o qual transformou o restaurado império de Napoleão em uma moderna Monarquia Constitucional. A Constituição Francesa de 1830 pode ser vista como a implementação prática de muitas das ideias de Constant: uma monarquia hereditária existindo conjuntamente com uma Câmara dos Deputados eleita e um Senado Vitalício, com o poder executivo nas mãos de ministros responsáveis. Desta forma, mesmo sendo eventualmente ignorado na França por causa de suas simpatias anglo saxãs, Constant fez uma profunda (ainda que indireta) contribuição às tradições constitucionais francesas.

Constant deixou um vasto acervo escrito literário e cultural sendo a mais importante a novela "Adolphe", e suas extensivas histórias de religião, com ênfase no suicídio e nas emoções humanas como a base para a vida social. Seu pensamento moral e religioso foi fortemente influenciado pelos escritos de moralidade de Jean-Jacques Rousseau e de pensadores alemães como Immanuel Kant. Como se pode notar, Benjamin Constant foi figura das mais importantes na história europeia e nosso patrono, o "Benjamin Constant brasileiro" certamente honrou o nome que recebeu.

* Os huguenotes eram religiosos protestantes que seguiam os ensinamentos de Ítalo Calvino - e portanto também eram conhecidos como "calvinistas".