terça-feira, 5 de março de 2013

O Diário de Bernardina




Editado por Celso Castro e Renato Lemos, com base no diário da quarta filha de Benjamin Constant, Bernardina Botelho de Magalhães, o livro "O Diário de Bernardina" traz um apanhado dos acontecimentos na casa dos Botelho de Magalhães bem à época em que se desenrolavam os fatos que precederam a Proclamação da República. Com um tom delicado e uma visão feminina dos bastidores onde seu pai se encontrava com diversos dos mentores da revolução republicana, Bernardina também fala dos modos e das modas de sua época.

Consta que esta imagem foi gerada três anos  depois da data original da Proclamação da República. Os militares reproduziram a formação do dia da proclamação para fazer a imagem.


"Acordei hoje ao toque de trombetas dos soldados e assustada levantei-me e soube então por mamãe que vieram de madrugada alguns oficiais para irem com papai para o quartel-general, pois receavam que o movimento para república rebentasse hoje(...)"

O relato é centrado em seu dia a dia no século XIX, tipicamente familiar: uma moça como Bernardina estava fadada a aprender a cuidar da casa, cozinhar, receber convidados, tocar piano, costurar e finalmente, casar para ter filhos. E a protagonista passa por tudo isso como qualquer outra moça de sua época. À exceção do fato de que ela sabia ler e escrever, o que não era comum à época, nem nas classes mais altas. Mas Benjamin Constant era um professor e um apaixonado pelo conhecimento. Assim sendo, entendia que também as mulheres deveriam receber uma educação formal, por mínima que fosse, de modo a se manterem atualizadas com seu mundo ao redor. Portanto, nada melhor que pôr em prática esta perspectiva com suas próprias filhas: todas aprenderam a ler e a escrever como todo "menino de família" da época.

Detalhe de mulher bordando no quadro "A Pátria", de Pedro Bruno, que busca registrar a criação da nova bandeira.

"A d.Marianinha esteve cá. Esteve me ensinando como havia de bordar uma escova em veludo; ela acha bom que eu e Alcida façamos alguns bordados, antes de começar a bandeira, para praticar."

E por isso trata-se de um relato importante: não há nada de "picante" ou "insinuante" no diário, cujo original faz parte de nosso acervo. Bernardina prima por ressaltar os detalhes de uma (quase) típica família de classe média alta da época. Falando de história, o livro traz uma deliciosa descrição de como os moradores do Rio de Janeiro assistiram à entrada e a saída (e algumas confusões também), dos nobres que estiveram naquele que seria considerado como "o último baile do Império", qual seja, o baile da Ilha Fiscal. Também falando em história, narra como ela, algumas de suas irmãs e outras moças e senhoras amigas, costuraram e bordaram as duas primeiras bandeiras da nascente república brasileira: a pedido de seu pai e com desenho dele (criado em conjunto com outros expoentes, claro), o grupo cozeu belamente um exemplar para a Escola Superior e outro para a Escola Militar.

D. Pedro II e família.

"(...)O imperador embarcou hoje para Itália com toda sua família; disse que reconhecia em papai e no general Deodoro verdadeiros amigos; ele partiu voluntariamente porque os militares fizeram-lhe ver que sua estada aqui podia provocar uma guerra civil mesmo, por ser ele muito estimado pelo povo(...)"

Trata-se de um relato sem par, de um momento histórico dos mais importantes de nossa história, cujos registros são escassos. Vale a pena conhecer!

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