terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O que é Positivismo? - PARTE I

Auguste Comte, francês criador do Positivismo.

Estamos sempre declarando que "Benjamin Constant era um positivista". Mas, afinal de contas,  o que significa isso? Vamos conhecer um pouquinho a respeito? Veja neste post o que é esta filosofia, doutrina e até mesmo religião, nascida no século XIX.

' O Amor por princípio e a Ordem por base;  o Progresso por fim. '
August Comte

O Positivismo foi a primeira corrente teórica da sociologia, derivada do cientificismo, que consiste na crença na razão humana para explicar a realidade em detrimento da teologia, filosofia ou do senso comum. Esta corrente surge do progressismo, que se baseia no desenvolvimento científico, predominante durante o século XIX.

A doutrina positivista foi criada em 1847 pelo francês August Comte e seria a junção da cultura humanística com a cultura cientificista. Ela baseia-se na ciência para atender às exigências da humanidade. O positivismo pode ser resumido em “ciência”, “humanidade”, “síntese” e “fé”. “Ciência” e “humanidade”, pois o positivismo baseia-se na primeira - a ciência - para atender às demandas da segunda - a humanidade. “Síntese” é o resumo desses dois conceitos. “Fé”, pois a crença ou religião dos positivistas é na humanidade, chamada pelos adeptos dessa corrente, como “O Grande Ser”.

A fachada do templo Positivista no Rio de Janeiro, na rua Benjamin Constant, no bairro da Glória.

Comte acreditava em uma lei que seria chamada de "a lei dos três estados": o estado teológico, o estado metafísico e o estado positivo. O estado teológico seria explicado através de fenômenos sobrenaturais. O estado metafísico, através de forças ocultas da natureza. Por fim, o estado positivo é explicado pelos “fenômenos, subordinando-os às leis experimentalmente demonstradas” (JÚNIOR, 1982, p. 20). Este último estado representa o progresso da humanidade, com base na análise dos fatos, não importando as causas. Para Comte, todas as ciências alcançaram o estado positivo, mas antes, passaram pelos dois estados anteriores.

O lema positivista, citado no início deste post, possuía um significado específico, que é:

"O amor, simpatia universal, é o sentimento que melhor explica a unidade humana: o homem é um ser que gravita compulsivamente para seus semelhantes pelo afeto. Não há, por isso, castigo mais cruel do que o isolamento. Ordem, na frase, não significa disciplina, mas respeito aos princípios invariáveis ou conjunto de leis que regem o mundo e a humanidade; finalmente, progresso tem sua semântica particular. Não significa desenvolvimento material, mas aperfeiçoamento das instituições sociais." (SOARES, P. 10)

Na Europa, as ideias positivistas justificaram as atitudes da burguesia. Neste período, o crescimento da Revolução Industrial e do Imperialismo europeu sofreram influências do pensamento positivista. Em contato com povos de outras regiões, como Ásia e África, os europeus se depararam com culturas completamente diferentes da sua própria e era necessário adequar esses povos à realidade capitalista para a sobrevivência deste sistema econômico. Com o intuito de manter seus interesses econômicos, os países europeus conquistaram esses povos justificando que deveriam civilizá-los para que eles saíssem do estado primitivo para um "estado evoluído", como a cultura europeia. Os pensadores positivistas do século XIX, influenciados pela teoria evolucionista de Darwin, consideravam que esses povos colonizados, por serem primitivos, deveriam evoluir até atingirem o grau máximo de evolução, que seria equiparável ao modelo industrial europeu.

Os conceitos de "ordem" e "progresso" no contexto da Revolução Industrial serviam como pretexto para conter revoltas que comprometessem o desenvolvimento da sociedade, segundo o modelo capitalista. A "ordem" seria a unidade de todos os membros da sociedade para contribuir com o seu desenvolvimento a fim de garantir o "progresso".

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