quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Parque do Museu

O caramanchão: construção romântica de nosso parque que agrada a todos.
Localizado em um dos lugares mais aprazíveis do bairro de Santa Teresa, a casa adquirida por Benjamin Constant tinha as características de uma chácara, envolvida por um largo parque com fauna e flora típicas do Rio de Janeiro de então. Sempre um local muito frequentado por moradores e visitantes, o espaço com mais de 10 mil metros quadrados ainda chama a atenção de todos, tanto pela beleza da natureza farta que oferece, quanto pela brisa, sol e recantos para contemplação, como o caramanchão, original da casa e recuperado em neste ano, e o novo mirante, criado numa trilha da parte de cima do mesmo, cuja visão se estende pela Baía de Guanabara.

Área de educação ambiental, com viveiro e berçário de mudas...

... mais minhocário e compostagem.
O parque integra a Área de Proteção Ambiental – APA de Santa Teresa, regulamentada pelo decreto n. 5050/85, o que reforça sua importância como uma das áreas verdes preservadas no bairro. Com a inauguração do museu em 1982, foi elaborado um plano de trabalho juntamente com a Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (DECAM/FEEMA) que teve como prioridade a conservação do terreno para a abertura à visitação pública. Um grande trabalho foi realizado pelo órgão, o que envolveu a erradicação de mato seguida pelo plantio de mudas de diversas árvores como o Abiu, o Abricó de Macaco, a Andiroba, o Flamboyant, o Ipê e mais jaqueiras, figueiras, mangueiras, entre muitas outras.

O caminho para o mirante...
... que fica bem acima do museu casa, com vista para a Baía de Guanabara.
O Parque do Museu é utilizado como uma opção de lazer para os moradores e visitantes do bairro, integrando os elementos da natureza ao patrimônio do Museu. Temos aumentado suas funções e interesse através da montagem de espaços expositivos, tais com o horto, a composteira, o minhocário,o viveiro e o berçário de mudas, de forma a montar oficinas de educação ambiental, voltadas para crianças inicialmente. Este trabalho vem sendo desenvolvido passo a passo com os próprios colaboradores da instituição, de modo a tornar nosso parque um espaço onde a ecologia pode ser vivenciada na prática, de modo a formar futuros cidadãos conscientes da importância da preservação ambiental, além da manutenção da sustentabilidade em seu bairro ou cidade.

O horto, onde espécies mais desenvolvidas são cultivadas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os amigos de Benjamin Constant

Sempre preocupado e dedicado aos conhecidos e amigos, além de ser um cavalheiro, Benjamin Constant foi aos poucos tecendo uma teia de sólidas amizades em torno de si. Amizades estas que se transformaram em parentesco, outras que lhe foram fundamentais em alguns momentos, outras ainda que fizeram parte da história de nosso país. Neste post vamos destacar alguns destes personagens que, se não são históricos como nosso patrono, são dos mais importantes em sua história de vida.


Claudio Luis da Costa - amigo de longa data, diretor do Instituto Imperial dos Meninos Cegos onde Benjamin lecionou, Claudio tornou-se seu sogro ao casar sua filha, Maria Joaquina, com Benjamin, em 1863. Claudio possuía ligações com figuras importantes do Império e por este motivo pode auxiliar Benjamin em sua carreira como professor, que já havia prestado tantos concursos, sendo aprovado, sem no entanto assumir os cargos. Após o retorno de Benjamin da Guerra do Paraguai, foi seu sogro quem o direcionou a ser diretor do Instituto em seu lugar.



Carlos de Laet - Professor e escritor, ex-colega da Escola Normal, Carlos de Laet era monarquista e, mesmo assim, amigo de Benjamin. Formado em Engenharia, não quis seguir a carreira preferindo voltar-se para o magistério e o jornalismo. Deixou-se seduzir pela política e, em 1889, seus amigos monarquistas insistiram para que aceitasse uma cadeira de Deputado. Eleito, a Proclamação da República privou-o da cadeira. Manteve-se monarquista e fiel ao culto de D. Pedro II. Após a mudança do regime, o Governo Provisório decidiu extinguir quaisquer reminiscências da monarquia e, dentre as medidas, estava a que alterava o nome do "Colégio Pedro II" pelo de "Instituto Nacional de Instrução Secundária". Laet se manifestou contra a decisão e acabou demitido do colégio. Pouco depois, Benjamin Constant logrou transformar o ato de demissão em aposentadoria.

Teixeira Mendes - filósofo, matemático, positivista e biógrafo de Benjamin Constant, Teixeira Mendes era um ferrenho defensor do positivismo de Auguste Comte. Foi vice diretor da Igreja Positivista do Brasil e, ao longo da década de 1880, disseminou suas ideias pelo país, tais como a defesa da abolição da escravatura, a proclamação da república, a separação entre a Igreja e o Estado e a inclusão social. Sua influência aumenta quando Benjamin Constant lidera o movimento da Proclamação da República. Imediatamente após o ato, reunido com Benjamin e Miguel Lemos, avaliou o movimento e a situação que, embora tivesse tomado direção diversa da que desejavam recebeu seu apoio e portanto, o apoio da Igreja Positivista. Participou da criação da bandeira nacional, atualizando-a.

Miguel Lemos - colega de Benjamin na Escola Politécnica, fundou junto com ele em 1876, a Sociedade Positivista Brasileira, a primeira do Brasil. Esteve em Paris onde o pensamento positivista era mais forte, tendo contato com algumas de suas vertentes. De volta ao Brasil, iniciou uma enérgica ação política, social e religiosa a partir dos princípios do Positivismo, transformando a antiga Sociedade Positivista do Brasil em Apostolado e Igreja Positivista do Brasil, de onde foi diretor.


Demétrio Ribeiro - nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, foi o primeiro Ministro da Agricultura da República e autor do projeto que transformaria a casa de Benjamin Constant em museu. Ribeiro foi professor, engenheiro, jornalista e político. Conheceram-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e bacharel em ciências físicas e matemáticas e retornou ao sul para ministrar aulas na Escola Central. Ferrenho opositor do Império, foi constantemente remanejado segundo o queira Dom Pedro II. Teve grande influência na organização da República, quando foi eleito deputado federal constituinte e nomeado ministro logo após sua proclamação, em 7 de dezembro de 1889. Deputado constituinte em de janeiro de 1890, retornando à câmara. Ali como Deputado Federal na Constituinte de 1891, propôs a separação da Igreja do Estado e o Decreto relativo às festas e aos feriados nacionais, foi fundador do Lloyd Brasileiro, e também ajudou a traçar planos de articulação das linhas de ferro em diversas regiões do país.

Joaquim Murtinho - nascido em Cuiabá em 1848, foi médico homeopata, engenheiro civil, político e estadista. Fez curso de Ciências Naturais na Escola Central, hoje Escola Nacional de Engenharia. Formou-se Doutor em medicina e especializou-se em homeopatia. Foi também professor catedrático da Escola Politécnica e vice-presidente do Senado. Foi médico particular de Benjamin durante muitos anos e participou do novo regime republicano por ter sido eleito senador em 1890.

Marechal Cândido Rondon - aluno e admirador de Benjamin, tornou-se órfão precocemente, tendo sido criado pelo tio e, depois de sua morte, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar. Em 1885 matricula-se em seu primeiro curso de matemática na Escola Militar quando conhece Benjamin Constant e é por este introduzido ao positivismo. Também esteve na Escola Superior de Guerra, e ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Em 1889, participou diretamente das articulações que resultaram na proclamação da república brasileira







Outros nomes, famosos ou não, tais como Evaristo Xavier da Veiga - também chamado por Benjamin, como "o Veiga", seu amigo íntimo - Roberto Trompowsky - cofundador da Sociedade Positivista - Antonio Valeriano da Silva Fialho, o "Chloro" - amigo e correspondente durante a Guerra do Paraguai - e Jose Bevilaqua - que se tornou seu genro - também fazem parte de sua lista de amigos que ajudaram o patrono a navegar pela vida sempre com bons companheiros.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Comemorando os 30 anos - as famílias

Alguns membros de nossa família próximo ao busto de Benjamin Constant.

Conforme dissemos neste post, o tema das comemorações do aniversário de nosso museu neste ano esteve em torno da família Benjamin Constant e das famílias que integram um núcleo maior em torno da instituição. Com isto em mente, realizamos na tarde de 19 de outubro um pequeno encontro com nossas famílias, contando com atividades principalmente voltadas às crianças, filhos, sobrinhos e netos de funcionários e colaboradores. Vamos às fotos?


A tarde começou com uma pequena oficina de confecção de brinquedos, reaproveitando materiais que seriam descartados. Adultos e crianças se empenharam em criar chocalhos e vai-vens bonitos e gostosos de brincar, na varanda da Casa de Bernardina, prédio anexo ao museu.


Uma visita mediada descontraída e instrutiva para vários de nossos colaboradores - alguns nunca tinham adentrado ao museu - foi realizada para nivelar o conhecimento sobre nosso patrono, sua família e sua casa. No dia a dia de trabalho, nem sempre uma peça ou um ambiente que está sendo cuidado pode ser entendido em todo seu significado e foi importante ter este momento de troca de ideias e informações.

Cadernos educativos foram distribuídos aos pequenos.

Após a visita ao mirante, foi realizada uma atividade na área de oficinas ecológicas, sob a coordenação de João Oliveira. Além de montarem pequenos arranjos com flores e folhas colhidas no parque, as crianças também plantaram sementes em nosso novo sementário, num misto de brincadeira e ação simbólica ecológica conscientizadora.

Arranjos preparados por João Oliveira.
Ao fim das atividades, uma foto com a família completa do museu foi tirada.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Comemorando os 30 anos - a família hoje

Grupo de familiares de Benjamin Constant em torno de seu busto no aniversário de 30 anos de seu museu casa.
Na tarde de 18 de outubro último, aniversário de 30 anos de nosso museu, recebemos com muita honra a visita dos descendentes da família de Benjamin Constant. Netos, bisnetos, trisnetos e até tetranetos do patrono estiveram em visita especial à casa museu e puderam aproveitar o encontro entre si e com seu passado comum. Curta as imagens!

No início da reunião o grupo ia chegando aos poucos, se cumprimentando e se reconhecendo após anos sem uma comemoração em comum.

Elaine Carrilho, nossa diretora, inicia o evento às portas do museu casa


Antes da visita especial, nosso colaborador Edivaldo Amaral executou o "Hino da Proclamação da República", criado antes do hino nacional, composto por Leopoldo Augusto Miguez.

Durante a visita à casa, muitas lembranças e recordações dos mais velhos foram divididas com os mais jovens e com nossa equipe, suscitando mais curiosidade e interesse entre os presentes.


Reunidos no caramanchão e em torno do mesmo, o grupo conversou, brincou e se refrescou com um pequeno lanche.

Uma atividade educativa foi realizada entre os presentes e gerou muitos comentários: monte sua árvore genealógica!

Ao fim da visita, a foto dos familiares visitantes, registrando mais um aniversário de nosso museu.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Comemorando os 30 anos - Escola Municipal Guatemala

Nosso aniversário de 30 anos foi bem comemorado. Recebemos a visita de uma das turmas da Escola Municipal Guatemala e os alunos se divertiram bastante, além de aprenderem, como sempre, sobre a vida de Benjamin Constant. Veja as imagens!



Um grupo de alunos recebe explicação sobre a réplica do quadro "A Pátria", de Pedro Bruno, que registra a criação de nossa bandeira nacional por parte da família Benjamin Constant.


Outro grupo visita as dependências internas do museu casa.

O bolo personalizado com a fachada de nosso museu.

Depois da visita à casa, as crianças estiveram em partes do parque, como nosso mirante, por exemplo. Em seguida, um pequeno lanche foi oferecido aos pequenos.


Nossa Educadora Cintya Callado fala às crianças sobre o aniversário do museu.


O "parabéns" cantado pelos alunos e acompanhados pelo trompete de nosso colaborador Edivaldo Amaral.

Foi também distribuido aos visitantes um mini catálogo, um caderno educativo e um marcador de página comemorativo. Com certeza um momento bastante simbólico de nosso trabalho durante todo o ano com as escolas que nos visitam.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Benjamin Constant: um cidadão singular


Em que pese a data de seu nascimento ser em 10 de fevereiro, em função de um incidente grave em sua infância, Benjamin Constant considerava 18 de outubro a data de seu "re-nascimento". Seguindo esta simbologia esta foi a data escolhida para abertura de nosso museu, no ano de 1982. A museóloga Hercília Canosa Viana teve o privilégio e o desafio de ser a primeira diretora da instituição e de contribuir enormemente na pesquisa e organização de nosso museu. Mas hoje gostaríamos de destacar algumas facetas da figura histórica que nos chamam a atenção: Benjamin foi um homem muito dedicado ao próximo. Além de seu círculo familiar e de amigos, sempre esteve preocupado com os homens seus concidadãos, incluindo aqueles que, naquele momento histórico, eram considerados "menos que homens", os escravos que aqui viviam. Vamos verificar algumas destas singularidades de nosso patrono?

- Cidadão brasileiro - apesar de manter relações com membros do Império, incluindo Dom Pedro II, Benjamin era republicano e colocava suas ideias abertamente. Mesmo assim, a cordialidade e o equilíbrio faziam parte de sua conduta. Sem paixões e sem extremismos, sabia dialogar defendendo seus pontos de vista sem atacar ou depreciar seus oponentes. Um verdadeiro cavalheiro, sabia participar de um debate de ideias sem esquecer do respeito ao próximo;

- Abolicionista - Benjamin Constant era um abolicionista institucional e não possuia escravos. Na época, suas filhas participavam da manutenção da casa auxiliadas pelos chamados "escravos de ganho", que faziam serviços de vendas para os senhores ou poderiam ser alugados por terceiros. Teve papel importante na extinção da escravidão, contribuindo para a o "Fundo de Emancipação": um projeto de loterias para arrecadar recursos para o fundo que serviria para dar apoio aos libertos;
Benjamin Constant fardado.
- Apoiador da melhoria da condição feminina - com mais filhas que filhos, Benjamin estimulou e investiu para que suas moças aprendessem a ler e escrever, em um momento em que esse tipo de preocupação era considerado sem importância na educação feminina. Apesar de se dedicarem a serviços do lar, suas filhas também tinham opiniões políticas e as registravam, como é possível perceber através de "O Diário de Bernardina", uma de suas filhas, que em seu diário deixou um registro histórico, já aos 16 anos, dos bastidores da Proclamação da República. Benjamin também foi idealizador de cursos para mulheres na época em que atuou como Ministro da Educação, já na República.

- Apoiador e interessado nos problemas dos deficientes - além de investir num método mais fácil para ensinar matemática - sua área de atuação - aos estudantes do Instituto Imperial dos Meninos Cegos, Benjamin defendia políticas de inclusão social que ainda vemos hoje em dia. Ele se preocupava com o estabelecimento dos cegos como cidadãos emancipados, e era importante para ele dar uma profissão aos que se encontravam nesta condição, alguma fonte de renda que os deixasse na posição de verdadeiros cidadãos. Criando alguns fundos de auxílio e ainda propagando suas ideias, o patrono conseguiu alguns progressos na área, ainda naquele tempo.

Por tudo isso, podemos aduzir que, vivo hoje, Benjamin Constant estaria envolvido em diversas causas que continuam atuais e desafiando a sociedade no encontro de soluções. Mais adiante veremos cada uma destas causas e outras, menos votadas, desenvolvidas aqui em nosso blog.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Museu Casa


Com a missão de preservar o ambiente familiar e o contexto sócio cultural no qual viveu o "fundador da República", o Museu Casa de Benjamin Constant foi concebido como um "museu casa", reconstituindo ambientes, hábitos e costumes da época, que corresponde à transição entre o final do século XIX e o início do século XX.

Uma vista da sala de visitas.

A casa na verdade trata-se de uma antiga chácara, comum à época na vertente norte do bairro de Santa Teresa, localizado sobre uma colina na área central do Rio de Janeiro. A casa escolhida por Benjamin Constant para morar com sua família situava-se em área urbanizada, com vista da bela paisagem da Baía de Guanabara e pela parte baixa da cidade. Decidido pelo aluguel do imóvel localizado entre a Ladeira do Castro e a Rua Monte Alegre, Benjamin nem mesmo visitou seus aposentos e fechou o negócio. Construído por volta de 1860 em meio a uma grande área verde, com caramanchão e coreto, o imóvel serviu de moradia para o patrono entre 1889, quando ocupava a pasta do Ministério da Guerra, até seu falecimento em 1891.

Pátio interno visto da parte alta do parque.

A casa é composta por 14 cômodos, com entrada através de uma simpática varanda que dá acesso ao hall de entrada. Deste espaço acessamos o escritório de Benjamin Constant e a sala de visitas. Adentra-se ao corredor de circulação interna com acessos aos quartos do rapaz e da moça, caracterizando como eram os quartos utilizados pelos filhos do patrono. Ao final, o quarto do casal e o pequeno quarto de costura, tão importante na confecção da primeira bandeira da república brasileira. Em seguida os cômodos internos: uma ampla sala de jantar, uma copa, banheiro, cozinha e despensa, além da saída para o pátio interno onde, no tempo de Benjamim, havia uma piscina, não com a função recreativa como imaginamos hoje em dia, mas um verdadeiro "tanque", com direito a venezianas em seu entorno, de modo que o banho, aproveitado pela família, com todos vestidos, era mais higiênico que hedonista.

 Aspecto das portas balcão dos ambientes.

Na Constituição de 1891, por proposta do deputado Demétrio Ribeiro, consta o artigo oitavo das Disposições Transitórias, onde se determina a compra do bem pela União para posterior transformação em museu, após o período de usufruto da família. A propriedade permaneceu com os descendentes até 1961, quando então é devolvido ao poder público. Durante os anos 70 houve a recuperação da casa e do parque e, em 18 de outubro de 1982, o museu é finalmente inaugurado.

Uma das vistas do parque.

Em resumo, trata-se de um espaço de memória que possibilita uma verdadeira viagem no tempo e causa uma grande identificação de quem o visita com o ambiente acolhedor, tanto da casa quando de seu jardim-parque. Venha visitá-lo!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A família de Benjamin Constant

A família Benjamin Constant Botelho de Magalhães por J. Insley em 1882.
Em pé, da esquerda para direita, vê-se: Adozinda, Aldina e Maria Joaquina.
Sentados: Alcida, Benjamin Constant, Bernardina e Benjamin Filho.


Casado em 16 de abril de 1863 com Maria Joaquina Bittencourt Costa, filha de Claudio Luis da Costa, então diretor do Instituto Imperial dos Meninos Cegos, Benjamin Constant teve uma família pequena - para os padrões da época - e muito feminina. Foram cinco meninas e três meninos, sendo que dois destes últimos vieram a falecer logo nos primeiros anos de vida.

A vida com sua esposa Maria Joaquina foi harmoniosa e tranquila. Durante a Guerra do Paraguai manteve uma extensa correspondência com ela o que nos deixou registros deste período trágico em sua vida. O primeiro filho foi a menina Aldina Botelho de Magalhães, nascida em 1864, dois anos antes de Benjamin ser convocado para o campo de batalha, e nas cartas a Maria Joaquina ele sempre perguntava pela "pequerrucha".

A segunda menina, Adozinda de Magalhães, nascida em 1866, foi uma das filhas que mais herdeiros deixou para a família. Casou-se com Álvaro Joaquim de Oliveira em 1885, e tiveram 9 filhos, entre meninos e meninas.
Benjamin e a esposa Maria Joaquina por Insley Pacheco - 1874.
A terceira filha foi Alcida Constant Botelho de Magalhães, nascida em 1869. Deixou 11 herdeiros para a família de seu casamento com José Belvilaqua.

Leopoldo H. de Magalhães é o primeiro filho homem que nasce em 1870 e falece no ano seguinte.

Em seguida nasce Benjamin Constant Filho, em 1871, que teve uma vida curta e um tanto conturbada. Morre em 1901, sem se casar nem deixar herdeiros, em circunstâncias não esclarecidas.

Cartas enviadas à Maria Joaquina durante a guerra do Paraguai.

Bernardina C. de Magalhães é a quarta menina e sexta filha do casal Benjamim e Maria Joaquina, e nasce em 1873. Também teve prole grande, contando com 10 filhos de seu casamento com João de Albuquerque Serejo. Bernardina ergue uma casa ao lado da casa do pai entre 1905 e 1920, onde hoje funciona a sede administrativa de nosso museu.

Em 1875 nasce o terceiro menino do casal: Claudio Botelho de Magalhães, que igualmente não resiste às doenças infantis da época e falecem logo em 1878.

Última filha do casal, Araci Constant Botelho de Magalhães nasce em 1882 e vive até 1961. Não se casou, não tendo filhos, mas viveu na casa do pai até seu falecimento.

Pequena árvore genealógica da família - clique para ver maior.

Os filhos de Aldina, Adozinda, Alcida e Bernardina formam a grande árvore genealógica dos herdeiros de Benjamin Constant que, até os dias de hoje, celebram sua memória.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um piquenique no museu


Comemorando o mês das crianças, tivemos hoje a alegre visita de uma turma de crianças do Instituto Nossa Senhora do Monte Calvário, localizado aqui mesmo em Santa Teresa. Os pequenos prepararam seus próprios lanchinhos e trouxeram a merenda para nosso caramanchão, onde um gostoso piquenique se formou.

As fotos mostram um pouco da alegria das crianças durante o encontro, finalizado com algumas brincadeiras pelo jardim.


Importante destacar que nosso Núcleo Educativo Cultural está preparado para receber, orientar e acompanhar grupos escolares de todas as idades para visitas ao Museu e ao parque e também para estes pequenos eventos relaxantes e descontraídos junto à natureza farta de nossos jardins. O receptivo também pode ser customizado para grupos de interesses diversos. Basta entrar em contato.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Benjamin Constant: vida pública - parte II

Farda do Tenente Coronel Benjamin Constant - Foto: Paulo Rodrigues.
... continução do post anterior

Vem então a Guerra do Paraguai e Benjamin é convocado a 25 de agosto de 1866, na patente de tenente coronel, para integrar a Comissão de Engenheiros, encarregada de abrir trincheiras nas linhas avançadas de Tuiuti, em solo paraguaio. Retorna licenciado no ano seguinte ao Rio, vítima de malária. Sua participação pouco expressiva no embate contrasta com as experiências pessoais vividas neste período, que o marcaram para toda a vida, o que pode ser verificado através das correspondências mantidas com parentes e amigos.

Em 1869 retorna ao Instituto dos Cegos substituindo seu sogro, Cláudio Luís da Costa, na direção da instituição onde ficaria até sua aposentadoria, em 1889. Seu trabalho à frente da instituição foi tão importante que o seu nome foi alterado para "Instituto Benjamin Constant" - e muitos somente o ligam à atividade de educação dos cegos. Benjamin também foi professor e diretor da Escola Normal da Corte e catedrático da Escola Superior de Guerra

Pintura "Proclamação da República, de nosso acervo.


O papel de Benjamin Constant na mudança do Império para a República tem muito a ver com sua posição de professor. Benjamin era ouvido por muitos e propagava suas ideias positivistas, abolicionistas e sobre o militarismo, sendo as duas últimas motivo de polêmica entre os militares e os membros do governo imperial. Durante a década de 1880 ele foi um dos principais propagadores do movimento republicano que se evidenciou como um movimento militar de derrubada do Império. O papel de Benjamin foi tão importante que, já na época, ele foi classificado como "o fundador da república". 

O quadro "A Pátria" de Pedro Bruno relembra os momentos de confecção da bandeira nacional, realizada pela mulher e filhas de Benjamin Constant.

Após o levante, durante o governo provisório do Marechal Deodoro, Benjamin assumiu o Ministério da Guerra e na sua curta permanência no cargo foi o responsável pela criação da bandeira do novo país. Em seguida ocupou o recém criado Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, onde coordenou uma reforma do ensino aprovada após a sua morte em 1891.

A vida pública de Benjamin Constant não deixa dúvidas sobre sua paixão pelo mundo acadêmico, pelo gosto pelas ciências exatas e também pelo interesse por seu compatriotas, evidenciado mais de uma vez, por exemplo, quando saiu em defesa do Exército, instituição que o recebeu e acolheu durante toda a vida.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Benjamin Constant: vida pública - parte I

Nascido em Niteroi, então capital da província do Rio de Janeiro, a 10 de fevereiro de 1837, filho de Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães e de Bernardina Joaquina da Silva Botelho, Benjamin Constant Botelho de Magalhães teve uma vida produtiva apesar de um tanto conturbada. Seu pai, português, veio para o Brasil em 1822, tendo seguido a carreira militar até 1836, quando abriu uma pequena escola particular de primeiras letras, onde lecionava latim e gramática portuguesa. Benjamim praticamente seguiu-lhe os passos, sendo também militar e professor na vida adulta.

O jovem Benjamin Constant, aos 29 anos.

Com o falecimento de seu pai, Benjamin Constant se transfere com a família para o Rio de Janeiro, então capital do império e, em 1852, para ajudar no sustento de seus quatro irmãos menores e de sua mãe, presta exames para a Escola Militar do Rio de Janeiro, onde os alunos recebiam uma ajuda de custo durante seus estudos. O pequeno cadete contava então com apenas 15 anos e, para poder entrar na escola, teve que mudar seu ano de nascimento para apresentar a idade mínima exigida em tal estabelecimento.

Na Escola Militar, onde estudou por sete anos, interessou-se pelo pensamento positivista do francês Auguste Comte, que considerava a matemática a base de todas as ciências, a que teria papel fundamental na passagem do estado metafísico ao positivo. Benjamin, que desde sempre demonstrou sua preferência pelas ciências exatas, aprofundou então seus estudos no positivismo, o que nortearia toda a sua vida.

Promovido em 1857 a alferes do Estado Maior de 1ª Classe - patente conferida apenas a alunos aprovados com distinção nos cursos da Escola Militar - no ano seguinte graduou-se engenheiro militar na Escola de Aplicação do Exército. Nesta época, tentou por diversas vezes ser admitido como professor através de concursos públicos que prestava e era aprovado - não raro em primeiro lugar - mas que não se concretizavam devido à prática do apadrinhamento, comum à época.

Em 1860, além de promovido a tenente do Estado Maior de 1ª Classe, diplomou-se bacharel em ciências físicas e matemáticas, e só dois anos depois ingressa no magistério, nomeado professor de matemáticas elementares no Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Em 1863 finalmente consegue ingressar por concurso como professor de matemáticas no Instituto Comercial.

Continua...