sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Entre dias


"27 de agosto (terça feira) 

O sr. Carlos veio jantar cá. De noite mamãe foi à cidade com papai; não pude acabar hoje o aventalzinho que comecei ontem.

Trecho do livro "O Diário de Bernardina", de Celso Castro e Renato Lemos - Editora Zahar, 2009. 


Foi montada e inaugurada ontem a intervenção "Entre dias", de autoria de Renata Casimiro, em nosso caramanchão, conforme anunciamos aqui. Trata-se de uma delicada montagem de folhas soltas, presos à estrutura do caramanchão, com trechos impressos extraídos do livro "O Diário de Bernardina", filha de Benjamin Constant, que conta o dia a dia da família na casa que hoje se localiza nosso museu, além dos bastidores da Proclamação da República.


Com 16 anos à época, a adolescente Bernardina já demonstrava ideias políticas muito interessantes, claramente vinculadas a um ambiente onde este assunto era parte do dia a dia. Mas também há alguma poesia nos trechos que foram escolhidos pela curadora para realizar a intervenção. Segundo ela, estes trechos mostram algum detalhe das atividades políticas de seu pai, Benjamin Constant, e também de sua rotina, com ênfase em algumas atividades que se repetiam constantemente.


Como parte do "happening" a seleção de "Caramanchão", de Felix Bravo, como música de fundo para o espaço. Venha curtir, é só até o próximo domingo, dia 30/09!

Um pé de quê?

Vejam esta notícia veiculada pelo jornal "O Globo":


Pois é, a Prefeitura está fazendo uma nova arborização utilizando espécies que você encontra aqui no nosso parque! À exceção dos Ipês roxo e branco, aqui você vê:

Oiti (centenário!)


Pau Brasil... 


Aroeira - complicado de discernir do fundo, também lotadinho de outras espécies. 


Temos também árvores frutíferas como a mangueira, a jaqueira, a acerola e o sapoti, além de outras que você vai descobrindo pelos caminhos...

E como a força da natureza também não pode deixar de ser vista e percebida, vejam a pobre figueira que tombou durante a ventania de quarta feira!


Uma árvore de porte, não é? Temos muitas por aqui.

Post elaborado com a colaboração de Raquel Rosa.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Feira Estadual da Rede de Educadores em Museus e Instituições Culturais – FEREMIC


Neste ano, dentro da programação da 6ª Primavera dos Museus - a Rede de Educadores em Museus e Centros Culturais - REM promoverá a Feira Estadual da Rede de Educadores em Museus e Instituições Culturais – FEREMIC. A feira começa hoje e ocorrerá em paralelo ao evento Primavera dos Livros, nos jardins do Museu da República.

Direcionada a um público diversificado, em especial professores, estudantes universitários, ONG´s, associações entre outros, o evento tem como principal objetivo divulgar propostas educativas, ações, atividades, materiais e produtos desenvolvidos pelos setores educativos dos museus e instituições culturais do estado do Rio de Janeiro. E o Museu Casa de Benjamin Constant estará lá, marcando presença com algumas de suas publicações e divulgando algumas de nossas iniciativas do Núcleo Educativo Cultural daqui do Museu.

Nosso "Caderno Educativo", uma das publicações disponíveis na FEREMIC.

Nossa área educativa promove, entre outros eventos, visitas mediadas voltadas para alunos e professores de escolas públicas e privadas, de diversos segmentos - da educação infantil até universitários e pesquisadores. Além disso, há circuitos de visitação temáticos, como por exemplo sobre a vida em família no século XIX, o processo republicano, a cidadania e também a ecologia e sustentabilidade - este último baseado em passeios por nosso parque. Todas estas atividades podem ser agendadas através de nosso e-mail mcbc@museus.gov.br. Também estamos abertos a novas abordagens que podem ser preparadas em conjunto com a demanda das escolas, faculdades e universidades, além de grupos de pessoas interessadas em algum conhecimento em particular.

Na ocasião teremos monitoras que receberão ao público visitante de um modo geral e também professores que se interessem por estas atividades. Aproveite para saber mais no stand da feira que fica próximo ao Museu do Folclore (lado direito do jardim para quem entra pela rua do Catete). Visite e se surpreenda com a produção de conhecimento que ocorre nos museus!

Escolares em visita mediada em nosso Museu Casa.

Serviço:
FEREMIC
Museu da República
Rua do Catete, 153 - jardim
De 27 a 29 de setembro das 10h às 17h

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Belos objetos do século XIX

Hoje em dia temos muitos objetos com os quais lidamos em nossas casas que podem ter ou não função, isto é, podem ser utilitários ou decorativos. Na casa de Benjamin Constant, típica residência do século XIX, isso também era assim, mas com algumas diferenças e curiosidades. Destacamos aqui algumas belas e interessantes peças de nosso acervo.

Este lindo galho com passarinhos é na verdade um porta lápis. Feito em metal colorido sobre um galho real tem cinco pássaros de cores e posições variadas, pousados lado a lado.

E este é um cartão em tecido com borda trabalhada. Retangular e feito originalmente na cor branca, é decorado com margaridas na parte superior e lateral esquerda que são forradas por tecido nos tons de amarelo, ocre, azul, cor de rosa e vermelho. As folhas e talos são pintados em tons de verde e marrom.


Mais um lindo objeto, o porta cartões é feito em concha de madrepérola, tendo um beija-flor de asas abertas pousado sobre ela. A base é feita em metal decorado com frisos.


Aqui um formoso tinteiro composto por base, recipiente e tampa. Sua base em prata foi decorada com perolado e uma moldura em dourado; ao centro, decoração em prata e dourado, de galhos retorcidos e folhas sobre pedra. A peça é ladeada por suportes circulares dos recipientes e possui quatro pés em prata em forma de galhos retorcidos. Na frente há um medalhão com a inscrição:

"AO DR
BENJAMIM CONSTANT
O PESSOAL DO SEU GABINETE
FEVEREIRO DE 1890.

Os dois recipientes foram feitos em cristal transparente e suas tampas são unidas por uma dobradiça em prata.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Destaque no parque: o caramanchão

O caramanchão de nosso parque em foto de Paulo Rodrigues.
No parque do Museu, um dos recantos mais comentados e visitados é o caramanchão. Montado em treliçado de madeira com pintura em verde, é coberto por telhas cerâmicas e, internamente, possui lindos ladrilhos hidráulicos revestindo seu piso. Seu estilo romântico é típico do século XIX quando abrigava a família para pequenos convescotes.

As crianças das escolas que visitam o Museu adoram aproveitar o caramanchão.
É nosso local para eventos e encontros, a exemplo da intervenção que será realizada durante a Primavera de Museus (veja por exemplo o post anterior), e também um espaço de reflexão e recolhimento. Enquanto as crianças das escolas que nos visitam curtem brincar ao redor e dentro dele, os adultos preferem dar uma parada para refletir sobre a vida... Venha conhecê-lo pessoalmente!

Outro ponto de vista com o pergolado na entrada.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

6º Primavera dos Museus - um caramanchão bem feminino


Fazendo parte das comemorações da 6º Primavera de Museus, nosso Museu receberá o trabalho de Renata Casimiro em um espaço dos mais especiais de nosso conjunto arquitetônico: o caramanchão. Feito em madeira no melhor estilo romântico do século XIX, o recanto soferá uma intervenção artística sob o enfoque feminino de Renata, que se baseou no diário de Bernardina, filha de Benjamin Constant. O diário, já publicado em formato de livro, traz uma série de detalhes sobre o dia a dia da famosa família e também a descrição de acontecimentos dos bastidores da Proclamação da República, em 1889, incluindo a confecção de nossa bandeira, símbolo máximo de nosso país.



Convidamos a todos a virem desfrutar do acontecimento no período de 27 a 30 de setembro de 2012, no horário de 8h às 17h. Entrada Franca.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Repensando verde


O início do evento, no salão da Casa de Bernardina.

Na última sexta feira tivemos um treinamento interno aqui no Museu. Organizado pelos colaboradores Mércia Freire, Henrique Filho e João de Oliveira, o tema central foi a sustentabilidade e seu título resume bem sobre o que conversamos: "Pequenas Atitudes por um Mundo Sustentável". Mércia e Henrique organizaram um bate papo para todos os funcionários, incluindo o pessoal terceirizado, mostrando as pequenas mudanças que cada um pode fazer em seu dia a dia para poupar o meio ambiente. Trata-se de uma conscientização e ao mesmo tempo uma descoberta de que, cada um, tem a seu alcance alguma forma de Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

A iniciativa se pauta no programa da "Agenda Ambiental na Administração Pública", identificado como A3P, criado pelo Ministério do Meio Ambiente, que busca a construção de uma nova cultura institucional nos órgãos e entidades públicas e tem como objetivo estimular os gestores públicos a incorporar princípios e critérios de gestão socioambiental em suas atividades rotineiras.

Nossas lixeiras do parque: feitas em bambu e compartimentadas corretamente.

Assistimos a pequenos filmes mostrando atitudes sustentáveis, conhecemos um pouco mais sobre os "5Rs" (Repensar, Recusar , Reduzir, Reutilizar e Reciclar), coleta seletiva, reciclagem e compostagem, e reconhecemos as nossas próprias conquistas aqui mesmo, dentro do Museu. São mesmo pequenas atitudes que contam e entre estas as ações que já implementamos estão:

- A troca de todos os copos descartáveis - de água e de café - por xícaras: cada um tem a sua e cuida dela;

- A utilização de lixeiras que separam o lixo orgânico do lixo reciclável - papel, plástico e metal.

- Como não temos restaurantes próximos, praticamente todos trazemos nossas refeições de casa, e quando adquirimos uma "quentinha", normalmente enformada em papel alumínio, esvaziamos todo o recipiente e lavamos para que ele possa ser reciclado.

Detalhes como deixar as luzes acesas somente quando necessário, de se reutilizar o papel descartado da xerox e das impressões com algum erro, e de REPENSAR e RECUSAR - os novos "Rs" que, aos poucos, vão sendo incorporados ao antigo lema "Reduzir, Reutilizar e Reciclar" - o que ainda pode ser melhorado em nosso ambiente de trabalho focando o assunto, foram conversadas e debatidas por todos.

À esquerda, sementeira e canteiro de mudas e à direita, o berçário de mudas.

Ao fim do pequeno encontro fomos conhecer o trabalho que João de Oliveira está começando em nosso parque: uma composteira e um minhocário foram montados, com peças de bambu, para reaproveitar os resíduos orgânicos que geramos e que serão utilizados para adubar nossas plantas. Também foi montada uma sementeira, de onde sairão mudas plantadas aqui mesmo, e um berçário de mudas obtidas de espécies de nosso parque. Também aprendemos como montar arranjos simples feitos com garrafas PET reaproveitadas - que podem ser utilizadas de forma bastante criativa, por exemplo, em um muro, para quem tem pouco espaço - e arranjos com base em espuma floral.

Todos atentos à explicação sobre o plantio em garrafas PET.
Esta última parte será bastante aproveitada em atividades educativas focadas em sustentabilidade realizadas com os alunos das escolas que nos visitam. Nosso parque é um espaço dos melhores para desenvolver a consciência ambiental dos pequenos e aprender a reaproveitar as sobras como adubo, plantar e ver nascer uma nova plantinha é, certamente, um grande atrativo para as crianças.

Foi uma tarde das mais agradáveis e produtivas em nosso Museu e esperamos repeti-la muitas vezes, tanto para a própria equipe quanto para outros grupos que, aos poucos, iremos receber.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sorvete das antigas


A sorveteira de madeira e metal de Dona Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant.
Quem vive nos dias de hoje nem imagina como coisas comuns em nosso dia a dia eram diferentes no século XIX, quando viveu Benjamin Constant. Saborear um sorvete, por exemplo, até era possível, mas era bem complicado de fazer. Uma curiosidade exposta na copa do museu casa é justamente uma sorveteira, feita nos Estados Unidos, trazida de presente por Karl Fraenkel, genro do casal Benjamin Constant, à sua sogra, Dona Maria Joaquina.

O artefato e suas peças em metal, responsáveis por criar o doce.
O artefato é feito em madeira e várias peças em metal moldado, responsáveis pelo preparo do gelado. A peça tem formato circular e funcionava girando a manivela dentro da vasilha que continha a massa de sorvete, que também girava, apoiada em montes de sal e gelo. O resultado era a massa cremosa do sorvete. Gelo e sucos de frutas, além de leite, eram os ingredientes normalmente utilizados, como hoje em dia.

Nas imagens se vê a sorveteira de Dona Maria Joaquina e podemos imaginar quanto sabor e prazer ela trouxe à família.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Uma delicadeza de amor

Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant, e sua filha Aldina.
Maria Joaquina Bittencourt Costa e Benjamin Constant se conheceram no Instituto dos Meninos Cegos, onde Benjamin era professor e o pai de Maria Joaquina, Claudio Luís da Costa, era diretor à época. Se casaram como era o costume no século XIX: ele com 26 anos, ela com apenas 15.

A frente da caderneta, feita em , com o bordado das iniciais de Benjamin feito com os cabelos de sua esposa
Como era comum à época, para demonstrar seu amor ao esposo, Maria Joaquina fez uma pequena caderneta, um mimo, com as iniciais de Benjamin bordadas com fios de seus próprios cabelos. A preciosidade encontra-se logo na entrada de nosso museu, na vitrine do Hall de Entrada.

A parte posterior da caderneta e algumas anotações feitas por Benjamin.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O pince-nez do patrono

O pince-nez de Benjamin Constant.

Você já viu um pince-nez de perto? Nem sabe o que é um pince-nez? Então começamos do início...

O Pince-nez - ou Pincenê - é um modelo de óculos usado do século XV até o início do século XX, época em que viveu Benjamin Constant. Sua fixação era feita apenas fixando-o sobre o nariz, prendendo seus aros como uma pinça a ossatura do nariz, pois sua estrutura era desprovida de hastes. O modelo foi superado pelos óculos de hastes modernos que ofereciam mais leveza e segurança.

 Quadro de Benjamin Constant, retratado por Décio Vilares, usando seu pince-nez.

Mas o pince-nez é uma peça muito especial... Sua denominação é de origem francesa e significa, numa tradução livre, "aperto no nariz". Como vemos no quadro que retrata Benjamin Constant, o patrono usava-os regularmente, como um elegante e sóbrio cavalheiro do século XIX. Esta peça está no acervo do museu, dentre outras preciosidades que, aos poucos, vamos mostrando por aqui.