quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A República no Brasil - os primeiros passos

Veja aqui o segundo post da série
 

O marechal Deodoro da Fonseca: republicano por falta de alternativa.

No último texto de nossa pequena série sobre "A República no Brasil", vimos que a família imperial andava às voltas com questões internas, intrigas de família e lutas pela sucessão de D. Pedro II. O imperador tinha que administrar os conflitos entre seus descendentes e também entre seus subordinados. Multiplicavam-se os boatos, críticas da imprensa e as ameaças ao império. O sol republicano já lançava seus primeiros raios por detrás dos montes da Corte.

Alguns intelectuais e líderes políticos se preparavam, uns para defender o regime vigente, outros para proclamar a República. O marechal Deodoro da Fonseca, que antes demonstrara repulsa ao republicanismo, logo se veria diante de novas situações. Bernardina, filha de Benjamin Constant, percebia que seu pai se ocupava com reuniões noturnas e retornava tarde para casa. De Deodoro não se pode dizer que era um republicano. Sua convicção com a monarquia vinha muito mais de princípios do que de orgulho do império. Não considerava o exército uma instituição valorizada. Via-se a si mesmo desprestigiado e odiava o Conde d’Eu, com quem lutou no Paraguai. As coisas entre o marechal e a Princesa Isabel também não iam nada bem, pois haviam nutrido desavenças durante o período de regência da princesa, quando substituiu o pai doente.

A família imperial: logo no dia 17 de novembro de 1889 embarcaram num navio a caminho da Europa.

O dia 15 de novembro de 1889 chegou como muitos outros antes dele. Tinha tudo para ser um ordinário dia, o que de fato foi para muita gente num Brasil de dimensões continentais. A boataria corria solta. Dizia-se que Deodoro e Benjamin estavam para ser presos, que o ministro da guerra teria sido morto e que o Visconde de Ouro Preto, presidente dos ministérios, seria substituído por Silveira Martins, um inimigo de Deodoro.

Diante de tudo isso, o marechal foi convencido pelos revoltosos de que deveria liderar o golpe. Assim o fez, num episódio até hoje caricato: estaria mesmo doente? Desejava realmente proclamar a República? Teria dado vivas à República ou ao imperador? E o povo? Há quem diga que assistiu a tudo bestializado...

Em cima, a bandeira supostamente desenhada por Debret para o Império. Abaixo à esquerda, bandeira do Império, utilizada a partir de 1822. E a direita, a bandeira da república.

Instituído o governo provisório, a família imperial foi obrigada a deixar o Brasil, abatida por sentimentos de frustração, ira e incredulidade. Não haveria III Reinado! “Acaso sairemos fugidos?”, perguntava o imperador em protestos contra a rapidez com que eram levados embora. Ruíam os castelos, tanto o de Isabel quanto o de Pedro Augusto. D. Pedro II recusou a ajuda de custo que os novos líderes do país lhe ofereceram, para a viagem e estabelecimento na Europa.

Mudaram algumas figuras do poder. Propagava-se que, doravante, quem mandaria seria o povo, que acabara a opressão, o beija-mão e poder moderador. Já surgiam os heróis da República, alguns que nem republicanos eram, como o próprio proclamador Deodoro. Benjamin Constant começava a ser tratado como o "patriarca da República", em razão do discipulado que – diziam – exercia sobre os alunos da Escola Militar. Bordava-se a bandeira do Brasil, empresa levada ao cabo pelas filhas de Benjamin Constant depois de muita discussão: mudariam ou não as cores do império? Mudaria ou não o desenho de Debret?

Estampa história da época da proclamação da república registrando o fato.

Em meio às mais diversas questões, Benjamin Constant tinha um objetivo pessoal que levou consigo durante seus dois últimos anos de vida: reformar o ensino no Brasil. Certa vez afirmou que “o engrandecimento da República repousa essencialmente sobre a educação”. Muito se esforçou para isso, recusou trabalhos que poderiam lhe trazer prestígio e, antes de morrer, conseguiu submeter o projeto de reforma do ensino público brasileiro. Seu falecimento ocorreu pouco antes de ser promulgada a primeira constituição republicana, de 1891. Nela, Benjamin recebeu o título de "Fundador da República". Nela, também, teve início a história do nosso museu, a Primeira Casa da República

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

18 de dezembro: Dia do museólogo

Museólogos cuidando de acervo.
Comemoramos hoje o dia do museólogo e decidimos prestar uma pequena homenagem através deste post a estes profissionais que trabalham com o material vivo de nossa cultura sob inúmeras formas, esclarecendo algumas coisas que pouco se sabe - ou, que pouco se entende - entre a população de nosso país sobre esta bela profissão.

Organizar exposições visualmente atraentes e com conteúdo interessante é um dos trabalhos do museólogo. Na imagem, o Museu do Miojo, no Japão.



  • O que é ser museólogo? Segundo o COFEM (Conselho Federal de Museologia), "o museólogo atua na área de cultura e patrimônio, voltado especialmente para a preservação, investigação e comunicação dos bens culturais, materiais ou imateriais de uma sociedade". Isto quer dizer que o trabalho do museólogo não se concentra apenas nos museus, nem mesmo apenas se preocupando em preservar objetos históricos. Ele também pode divulgar o acervo com o qual trabalha para que todos tomem conhecimento de sua importância na cultura de um país, território, nação ou, até mesmo a nível mundial. O trabalho de pesquisa é sempre incessante e envolve o conhecimento de descobertas, teses e trabalhos de outros pesquisadores que atingem ou tocam seu trabalho.

    Importante enfatizar que o museólogo trabalha com bens culturais materiais, isto é, objetos de arte, históricos, tecnológicos, fósseis, etc. e também com imateriais, como danças, cânticos, cerimônias, modos de fazer artesanato, modo de preparo de pratos típicos, entre outras diversas "coisas" que não podem ser exibidas ou guardadas num acervo, mas que fazem parte da cultura de uma sociedade. Esta é uma nova faceta do trabalho do profissional e, em nosso país, há muito a ser feito em termos da preservação destes "saberes e fazeres".

  • Futuro "Museu do Futebol do Mineirão", estádio principal da capital de Minas, Belo Horizonte.



  • Como trabalha um museólogo? Além do trato com o acervo no dia a dia de museus, instituições de pesquisa, museus de empresas, parques, zoológicos, galerias de arte, centros de documentação e memória, entre outras instituições, o museólogo também planeja e organiza exposições - enfatizando um ou outro aspecto de uma coleção, ou de várias - propaga o conhecimento que obtém através de ações educativas junto a grupos específicos como trabalhadores, estudantes ou a população de uma determinada região, administra museus ou qualquer das instituições onde trabalha, leciona seu aprendizado em universidades e treina pessoas. Enfim: uma atividade ágil, variada, permeada de novidades e não algo estático, imutável ou "antigo" como normalmente se imagina.


  • Moças participando da festa do Reisado em Sergipe: patrimônio imaterial brasileiro.


  • Como é o trabalho em museologia no Brasil de hoje? Há tempos os museus deixaram de ser vistos simplesmente como um espaço que guarda peças antigas, desconectadas do cotidiano da população e da atualidade. Hoje, os museus já são encarados como espaços de conservação e preservação de coleções de caráter cultural a técnico-científico, que dialogam com seu público e que difundem conhecimento, além de contribuirem para o desenvolvimento de setores como o turismo e a geração de empregos. Em levantamento feito pelo Cadastro Nacional de Museus, existem no Brasil hoje 3.025 museus, dado publicado pelo Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM em 2010. "É um campo em expansão, com franco desenvolvimento e singular organização", afirma Maria Cristina Oliveira Bruno, museóloga e coordenadora do programa de pós-graduação Interunidades em Museologia da Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos anos houve mudanças significativas na área: em 2003 foi instituída a Política Nacional de Museus e, em 2009, foram criados o Estatuto dos Museus e o IBRAM, uma autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, que coordena a Política Nacional de Museus.


  • Em resumo, o museólogo é um profissional que deve ser bastante dinâmico, atualizado, que conheça bem da história de seu objeto de trabalho ou estudo, e da história em geral, de modo a poder desenvolver a cada dia mais o potencial cultural com o qual lida. Trata-se de uma área em expansão em nosso país e ainda muito pouco conhecida. Museus voltados para comunidades específicas, etnografia, de ciência e tecnologia, meio ambiente, a ecologia e a sustentabilidade, além de sítios arqueológicos, jardins botânicos, aquários e coleções particulares são novos locais de trabalho que precisam de profissionais que saibam lidar com seus bens culturais. Até mesmo legalmente o país já firmou a obrigatoriedade da existência de um museólogo por museu em seu quadro de colaboradores. Se você é jovem, gosta de conhecer sobre arte, cultura e história e é bastante curioso, talvez esta seja a sua futura área de trabalho!

    E parabéns a todos os museólogos!

    Fonte: Periódico "Ciência e Cultura", da SBPC.

    quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

    A República no Brasil - a conturbada sucessão do Imperador Pedro II

    Veja aqui o primeiro post da série

    Dom Pedro II: o imperador atormentado por sua sucessão.

    Além das questões de peso que sacudiam o Brasil, havia também conjunturas internas à família imperial que ocupavam a mente da princesa Isabel e rodeavam o trono: a sucessão do reinado. Para muitos, a saída da crise não significava uma revolução ou mudança radical de regime político. Um sucessor talvez desse novos ânimos ao império. Há algum tempo doente, D. Pedro percebia que alguns grupos se mexiam para determinar quem seria o próximo ocupante do cargo máximo que ele até ali ocupava. O imperador não tinha herdeiros diretos, havia enterrado dois filhos e suas duas filhas, Leopoldina e Isabel, poderiam gerar o herdeiro para o trono. Isabel, mais velha, não conseguia engravidar e a possibilidade de ela mesma assumir o trono gerou muita discussão.

    O Conde D´Eu: casado com a princesa Isabel, possível herdeiro do trono a contragosto de muitos.

    Esse era, na verdade, um dos problemas que o império tinha que administrar junto aos militares. Na linha de sucessão, aparecia a princesa Isabel e o odiado príncipe consorte, o Conde d’Eu, um militar com fama de intruso e oportunista no seio do exército. Apoiavam o controverso casal a chamada "Guarda Negra", grupo de ex-escravos que tinham verdadeira adoração pela princesa, a redentora. Entre os monarquistas, havia aqueles que defendiam um III Reinado sob o comando de Isabel e Gaston, o Conde d’Eu. Chamados "legitimistas", compunham uma pequena corte que rodeava a princesa e o conde, ávidos por pequenos jantares para os quais iam com convites de privilégio. O "Diário de Notícias", jornal da época, resumiu as questões que envolviam o casal: “Essa preeminência da casa estrangeira sobre a dinastia nacional colocará o príncipe consorte numa situação ilegítima, abusiva, malquistadora, obrigada do regime de intrigas, da corrupção e da força. Em resultado, o desdém e a impopularidade se repartirão entre a princesa anulada e o príncipe invasor”. A casa estrangeira era a d’Orleans, que parecia mostrar suas garras sobre o trono tropical. Carola, supersticiosa e beata: assim era vista a princesa Isabel entre seus inimigos liberais, que a ridicularizaram depois de ter recebido do papa Leão XIII um presente em contrapartida da obediência ao pontífice.

    Leopoldina, irmã mais nova e mais bonita, casou-se com um nobre europeu, bem relacionado com várias casas nobres do Velho Mundo. Do casamento nasceu Pedro Augusto de Saxe-Coburgo. Pedro Augusto era uma figura controversa e era visto pela tia Isabel como uma desgraça. Ela mesma havia casado mais cedo, mas não conseguia dar ao pai um neto. Depressivo e com arroubos de loucura, Pedro Augusto andava nas sombras da casa imperial a se aproveitar da impopularidade dos tios, flanava pela Corte a angariar apoios e posava de príncipe ilustrado e progressista. Chegou a receber apoio de republicanos e também de proprietários de terras que, descontentes com a Abolição, pareciam querer se vingar de Isabel.

    Dom Pedro Augusto, filho da princesa Leopoldina, irmã da princesa Isabel: o chamado "príncipe maldito" desejava suceder seu avô, Dom Pedro II, no trono do império.

    Esse grupo foi chamado de "Partido Pedrista". Não era propriamente um partido, e sim um grupo de articulações que apoiava Pedro Augusto, o príncipe dandy, esperança da casa de Saxe-Coburgo de ter um império na América. O jovem era odiado e amado por sua família: admirado pelo avô, que apoiava seus estudos científicos de engenharia e mineralogia, e detestado por Isabel, que via nele uma ameaça que a afastaria do trono.

    Um exemplo dessa disputa familiar eram os nomes dos netos do imperador. Quando Isabel teve seu primeiro filho, chamou-o também de Pedro. O Pedro de Isabel passou a ser um tormento para Pedro Augusto, já que o imperador parecia apoiar o neto mais novo para sucedê-lo. Sobre que "pedra" se ergueria o III Reinado?

    Porém, por mais que o nascimento de Pedro "mão seca" (assim era chamado o filho da princesa Isabel, por causa de uma deficiência na mão esquerda) tenha trazido algum alento à libertadora dos escravos, Pedro Augusto ainda assombrava os desejos que ela alimentava pelo trono. Quem o herdaria? Isabel e d’Eu? Pedro Augusto, aquele a quem o trono fora prometido desde jovem e que via seu lugar ameaçado pelo primo, o outro Pedro? D. Pedro II permanecia quieto, ambíguo. Na crise política envolviam-se proprietários de terras, políticos, jornalistas, militares e estudantes. O clima de instabilidade invadia a casa imperial, como descreve a historiadora Mary Del Priore:


    Dentro do grande salão, o clima era de choro e ranger de dentes. Os raios de sol poente que entravam pelas largas janelas de cantaria incendiavam a cabeça branca do imperador e os cabelos cor de mel do príncipe. No sangue de ambos, fermentava uma única questão: o destino do império. Para o velho, fim. O melancólico fim. Para o jovem, a legitimidade. Legitimidade prometida desde a tenra infância. Legitimidade que lhe foi usurpada quando nasceu seu primo, Pedro, o príncipe do Grão-Pará, e o avô deixou de considera-lo seu herdeiro legítimo. Legitimidade que poderia ser recuperada mesmo sob uma república. Aquela da qual ele seria o monarca soberano”. 
    (in "O Príncipe Maldito", p.230)


    Os próximos dias que anunciariam o desfecho e o destino dos imperiais, já viam o raiar do sol.

    terça-feira, 11 de dezembro de 2012

    UPP Tabajaras visita nosso museu

    O pequeno grupo no interior de nosso museu.

    Foi um dia muito especial na vida das crianças da Ladeira dos Tabajaras e do Morro dos Cabritos, comunidades de Copacabana atendidas pela UPP Tabajaras desde janeiro de 2010: com o apoio da UPP, um pequeno grupo veio visitar nosso museu, conhecer um pouco sobre a vida e o dia a dia de Benjamin Constant, passear pela chácara, observar nosso mirante e sentir o verde da natureza de nosso parque ao seu redor.

    Nossa colaboradora Raquel Rosa mostra à pequena visitante como funciona nosso berçário de mudas.

    A parceria para viabilizar a visita foi feita diretamente por nosso Núcleo Educativo Cultural que se empenha em alargar cada vez mais o espectro de visitantes de nossa instituição. E, neste momento de pacificação, quando as comunidades começam a ter o poder de aproveitar sua cidade como um todo, queremos estar presentes junto a elas proporcionando aos moradores - em especial as crianças - momentos de conhecimento e lazer.

    Momento de aprendizagem e diversão em nosso caramanchão.

    É um trabalho difícil mas certamente muito recompensador. Perceber no rosto de cada um dos pequenos visitantes o prazer de estar num lugar novo, nunca antes visto, e poder perguntar, comentar, falar sobre um mundo muito além de seu lugar de moradia é altamente gratificante para nossos educadores. Estamos em tratativas para trazer outros grupos de UPPs e abertos ao contato de todas as que se interessarem a fazer uma visita ao nosso Museu Casa!

    O grupo com acompanhamento dos integrantes da UPP e com nossas educadoras, Cintya Callado (de blusa lilás) e Raquel Rosa (de blusa verde).

    sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

    Duas vezes "Entre Dias"

    Conforme publicamos anteriormente, a exposição "Entre Dias", de Renata Casimiro, esteve montada em nosso caramanchão no período da 6ª Primavera de Museus, e entre os dias 14 de novembro e 2 de dezembro, em comemoração ao Mês da Proclamação da República. Surpresa para muitos visitantes, divertida para outros, foi um belo momento de interação entre o público e folhas soltas do "Diário de Bernardina", filha de Benjamin Constant, que registrou momentos de bastidores da mudança de regime no qual seu pai teve participação crucial.


    Neste vídeo, gravado pela própria idealizadora da intervenção, você pode ver um pouquinho da montagem e da paisagem final no espaço, além de curtir a música que foi executada no momento da visitação.

    terça-feira, 4 de dezembro de 2012

    A República no Brasil

    "Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto. Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

    Completamos neste último mês de novembro 122 anos da Proclamação da República, evento ocorrido no Rio de Janeiro, cidade que, naquele 15 de novembro de 1889, viveu suas últimas horas como Corte do Império do Brasil.

    Todos lembramos – uns mais, outros menos – dos grandes períodos da história do Brasil, representados naquela “linha do tempo” desenhada pelos professores, antes com giz, hoje com pilot ou mesmo com recursos digitais. Colônia, Império e República, cada uma das partes com suas subdivisões, ciclos econômicos, fatos e rupturas que dinamizavam a linha condutora da história.

    Este recurso didático deveria facilitar nossa compreensão e, de alguma maneira, o faz. Mas é sempre difícil explicar como a linha “pula” de um período a outro. Que fatores têm o poder de perturbar a continuidade das coisas que pareciam tão “calmas” e “assentadas” nessa linha do tempo? Enfim, o que representou e o que poderia ter representado o 15 de novembro de 1889, dia ao mesmo tempo ordinário e singular que mudou – será? – os rumos da linha histórica do Brasil?

    ... nenhuma instituição política parecia estar mais forte do que a monarquia.


    A frase de Mary Del Priori (em "O Príncipe Maldito", pág. 147) encontra-se numa calorosa descrição do retorno de D. Pedro II ao Brasil em agosto de 1888, depois de uma temporada na Europa para cuidar da saúde. É impossível imaginar, salvo em retrospectiva, como fazemos agora, que pouco mais de um ano depois, estaria D. Pedro II partindo novamente para a Europa, agora definitivamente e com toda a família. No mesmo ano de 1888, Deodoro da Fonseca, nosso Proclamador, chegou a afirmar que uma República seria, além de coisa impossível, uma verdadeira desgraça para o Brasil. (Del Priori, in opus cit., pág. 150).

    Bem, a República nasceu em 1889 e nenhum fato pode explicar sozinho todo o processo. Nosso objetivo aqui é o de apresentar algumas histórias, conjunturas e fatores, alguns conhecidos e outros nem tanto, para a compreensão desse curioso período da história do Brasil.

    O Marechal Deodoro, nosso "proclamador" retratado por Henrique Bernardelli no quadro "Proclamação da República"

    Comecemos com aquelas conjunturas que de alguma maneira passam pelas salas de aula há muito tempo, as três grandes questões do 2º Reinado: Religiosa, Militar e Abolicionista.

    • A Questão Militar: os militares do Exército Brasileiro estavam descontentes com a proibição, imposta pelo império, pela qual seus oficiais não podiam manifestar-se na imprensa sem prévia autorização do Ministro da Guerra. Os militares não possuíam autonomia na tomada de decisão sobre a defesa do território, estando sujeitos às ordens do imperador e do Gabinete de Ministros, formado por civis, que se sobrepunham às ordens dos generais. Assim, no império, a maioria dos ministros da guerra eram civis. Além disso, frequentemente os militares do Exército Brasileiro sentiam-se desprestigiados e desrespeitados. Nesta questão, nosso patrono, Benjamin Constant teve participação decisiva: tanto efetuava discursos onde explicitava os problemas e o descontentamento dos militares, quanto defendia a classe como podia, em todas as situações, demonstrando sua insatisfação com a forma com que a carreira militar era gerida pelo império, totalmente baseada em critérios personalistas ao invés de se apoiar em mérito e antiguidade. A Guerra do Paraguai – da qual Benjamim participou – deixou ainda mais evidente aos militares a desvalorização de suas carreiras profissionais, já que haviam lutado pelo Império e não alcançaram o prestígio e valorização que esperavam aos olhos do imperador.

    A Princesa Isabel e a "la grosse question".

    • A Questão Religiosa: tinha como origem a submissão da Igreja Católica, enquanto instituição, ao Estado. Esta hierarquia vinha desde o período do Brasil Colônia, se manteve após a independência e significava, na prática, que todas as ordens vindas do Papa deveriam ser previamente aprovadas pelo imperador, antes que entrassem em vigor no Brasil. Uma desobediência dos bispos de Olinda e Belém do Pará, que resolveram seguir por conta própria uma ordem do Papa Pio IX, levou-os a prisão, o que agravou a situação. Após uma intervenção do Duque de Caxias, resolveu-se a questão, mas a imagem do império desgastou-se junto à Igreja Católica.
    • A questão abolicionista: era forte desde a abolição do tráfico negreiro em 1850, mas encontrava resistência entre as elites agrárias tradicionais do país. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao preço total que haviam pago pelos escravos a serem libertados por lei. Com a decretação da Lei Áurea em 1888, sem realizar a indenização desejada pelos grandes proprietários rurais, o império perdeu seu último pilar de sustentação: os antigos proprietários de escravos. A própria princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, percebera que tinha dado um grande passo rumo ao fim do império, tratando o problema, em correspondência com seu pai, como “la grosse question” (“a grande questão”).
    Mas não era esse o único problema que ocupava a mente da princesa...

    quarta-feira, 28 de novembro de 2012

    O simbolismo da Bandeira do Brasil


    Você sabe direitinho o que significam as cores da bandeira do Brasil? E porque elas foram escolhidas no momento da confecção da bandeira? Neste ótimo texto da museóloga e ex-diretora de nosso museu, Vânia Dolores Estevam de Oliveira, algumas questões são explicadas de forma fácil e direta. Acompanhe-nos nesta boa leitura:

    "O símbolo nos fala ao nível mais profundo, do mental abstrato, do conhecimento arquetipal, do conhecimento que se traz de vidas anteriores, em nossa caminhada evolucional. O símbolo é didático, iniciático, evocativo. Ele representa ou reapresenta seu significado ao nosso “eu” mais profundo. A bandeira do Brasil é um símbolo também na medida em que evoca o sentimento nacional apenas pelo olhar. O tremular da bandeira da pátria nos transmite um sentimento profundo de nacionalidade. Ao lado do hino nacional, do brasão de armas e do selo nacional, a bandeira é um dos símbolos, que constituem-se nas marcas da nação. Na bandeira do Brasil, além da simbologia própria de uma bandeira, estão contidos símbolos de sentidos mais ocultos e transcendentais.

    A elaboração de uma bandeira obedece a padrões estabelecidos pela ciência dos brasões e bandeiras, a heráldica, que para isso estabelece uma série de leis que devem ser rigorosamente seguidas para a perfeita leitura e compreensão de suas criações, onde quer que se esteja. A atual bandeira nacional, idealizada logo após a Proclamação da República, em 1889, teve seu projeto elaborado por Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos, por Manuel Pereira Reis, professor de astronomia da Escola Politécnica, que deu às estrelas a projeção desejada e desenho de Décio Vilares, conceituado pintor da época. Teve como intermediário no jogo político pela sua aprovação, Benjamim Constant, mentor intelectual da proclamação da república.

    Apesar das críticas de alguns especialistas à permanência das cores e formas da bandeira do período monárquico, ao lema positivista, à configuração do céu (em especial a colocação do Cruzeiro do Sul), à simbologia sem fundamento, do azul e branco e das estrelas, à inobservância das leis heráldicas, às falhas na aplicação do Decreto de criação e ao alto custo de confecção, podemos analisar sob um prisma mais oculto, uma série de características que justificam o aparente desrespeito às leis heráldicas.


    A permanência das cores verde e amarelo da bandeira do período monárquico são justificáveis pela transição, até certo ponto pacífica, do regime anterior para o republicano. Representando popularmente as riquezas vegetais e minerais do Brasil, o verde e o amarelo, por associação, ligam-se também às forças telúricas. Nos falam de vegetação, de semente e, por analogia, de futuro. O escudo em lisonja (na forma de losango), em heráldica é um escudo que representa uma casa ou família de origem feminina. O losango amarelo, desde a bandeira monárquica, sendo uma homenagem de D. Pedro I à Imperatriz Leopoldina e à casa d'Áustria, que nos deu nossas outras duas imperatrizes, fez de nossa bandeira a única que exalta a missão social da mulher no mundo contemporâneo. A bandeira brasileira é também a única que porta uma legenda positivista (Ordem e Progresso). O positivismo era o sistema filosófico-religioso vigente nos meios políticos e intelectuais da época e seu lema central era: "O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim". Os mentores da república pertenciam todos ao positivismo e foram também positivistas os idealizadores da bandeira republicana. O Amor, ausente da legenda, está simbolizado na introdução do globo azul, a cor do segundo Trono, o Trono da Mãe Divina, plano do Amor-Sabedoria. Azul é ainda a cor do manto de Nossa Senhora, na tradição cristã. O azul e branco refletem os desejos de paz e concórdia tão característicos do povo brasileiro e também os anseios de espiritualidade. As estrelas, marca dos países de regime federativo, são criticadas pela sua representação, segundo alguns, erradamente colocadas. As tentativas de reprodução do céu no momento da proclamação da república, vertem de um lugar imaginário (desconhecido da maioria dos seres humanos, diríamos nós) e tendo a cruz do Cruzeiro do Sul por elemento central, equivale a uma assinatura divina para o nascimento desta nação no momento em que ela se firmava como república, frente aos demais países do mundo. Ao retratar o céu, está como a nos dizer que teremos sempre o "céu por testemunha". As estrelas como aspecto desse céu, estavam igualmente associadas ao positivismo. Segundo tal doutrina, as estrelas constituem-se em "anexos subjetivos ou objetivos" do "planeta humano". A discriminação das estrelas, posterior à criação da bandeira, revela ainda mais simbolismos ocultos. A estrela Spica (alfa da constelação de Virgem), representando o Pará, nos aponta para a presença da mulher, da Virgem-Mãe, da Mãe de todas as Mães. Não é por acaso, mas por força da causalidade, que Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil, segundo os católicos. Sirus, a mais brilhante estrela do céu, representando o estado do Mato Grosso, onde está localizada a região do Roncador, nos fala muito profundamente do futuro, da vinda do avatara Maitréia e de sua sagrada missão junto aos seres humanos, segundo nos ensinou o Mestre, Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose. A associação das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul aos estados que mais se vem destacando ao longo da nossa história nos alerta para algo que não pode tratar-se de mera coincidência ou escolha aleatória.

    Independentemente de vitórias esportivas ou políticas, nós brasileiros, devemos ostentar com orgulho a bandeira desta pátria, especial e única em inúmeros sentidos.
    "

    AVE MARE BRASIL!

    Vânia Dolores Estevam de Oliveira

    quinta-feira, 22 de novembro de 2012

    Desvendando "A Pátria" de Pedro Bruno

    Réplica de "A Pátria", conforme presente em nosso acervo.
    Realizado em 1909 - 20 anos, portanto, após a Proclamação da República e da confecção de nossa bandeira - o quadro "A Pátria", de Pedro Bruno, ainda intriga muita gente. Desde considerações sobre quem está representado no quadro (filhos de Benjamin Constant? Crianças comuns? Tiradentes em um quadro? Marechal Deodoro?) até sobre o significado das posições de cada personagem retratado até do lugar e da bandeira em si, tudo é bastante discutido. Neste texto da museóloga Isabel Sanson Portella temos algumas respostas, além de uma análise das melhores sobre a obra, que se encontra no Museu da República, no Rio, com uma reprodução constante de nosso acervo. Confira:

    "Pintura 'A Pátria' (1909)

    No Brasil, a partir de meados da década de 1890, depois de superada a instabilidade dos anos iniciais da República, vamos encontrar uma série de edifícios públicos sendo reformados ou construídos, nos quais a arquitetura, a decoração de interiores, a pintura e a escultura se farão necessárias[...] O país se firmava como nação independente e republicana, e a arte era considerada um lugar privilegiado para pensar a sociedade. O desejo de modernidade, de participar da rota do progresso, tornar-se uma grande nação, desfazer a imagem do exotismo tropical, do atraso e da inércia, permeava as mentes esclarecidas. Esses ideais, ao lado de outros emblemas e símbolos nacionais, contribuíram expressivamente para a formação da ‘alma’ dos brasileiros.

    Pedro Bruno, autor da obra.

    Pedro Bruno passou a frequentar a escola Nacional de Belas Artes como aluno de Baptista da Costa e, em 1919, conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro com aquela que talvez seja a sua famosa tela, “A Pátria”. Esta tela é uma alegoria, a máxima representação de uma expressão, de um sentimento da nação, mas também da construção do imaginário coletivo. Numa temática extremamente simbólica, Pedro Bruno utilizou-se de vários artifícios da técnica pictórica para a elaboração dessa tela, que hoje encontra-se na parede do salão Ministerial do Museu da República. Todos os que observam a pintura, mesmo os menos iniciados apreciadores de arte, não poderão deixar de se impressionar. Aproximando-se dessa obra de dimensões consideráveis (1,90 X 2,78 metros), percebe-se, em um primeiro momento, a construção de uma cena bucólica e familiar. A confecção da primeira Bandeira da República brasileira é uma alegoria ao nascimento do novo sistema de princípios positivistas no Brasil.

    Com uma fatura impressionista, mas com iconografia complexa e rica em detalhes, a tela é invadida por uma luz intensa, que ilumina a criança com a bandeira, figura central do quadro. A cena formada principalmente por mulheres nos remete a Marianne (símbolo da Revolução Francesa). A mãe que alimenta o bebê (este representando a República que nasce), as várias crianças, as distintas gerações que formam essa nação, onde todos se empenham em oferecer suas contribuições. Quase dissolvido nas sombras, o velho, representa o passado. No quadro se destaca a luz intensa (a luz da República) contrastando com áreas de sombra. Uma sombra sem tristeza, pois esta simboliza um passado de glória. Alegoria, do grego 'allegoreno' ('allos', "outro" e 'agorein', "falar") significa 'falar de outro modo'; falar de outra coisa que não de si mesma. Já o símbolo, aproxima dois aspectos da realidade em uma unidade bem-sucedida ('sym', "conjunto'; 'ballein', "lançar", "colocar").


    A obra exposta no Museu da República.

    Pedro Bruno, em sua alegoria, não poderia deixar de mencionar as figuras de nossos heróis e mártires, símbolos da luta pela sobrevivência da Nação brasileira, estes representados ao fundo da tela: Tiradentes, Marechal Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Tiradentes, representado no seu derradeiro momento (de camisolão e com a forca ao lado); Marechal Deodoro da Fonseca, aparece num típico retrato oficial e Benjamin Constant, traja a farda que usou na Guerra do Paraguai.O esplendor e o fausto da época do império cedem espaço à simplicidade do ambiente da casa popular brasileira: da esteira de palha onde repousa o bebê às damas, filhas e esposa de Benjamin Constant que, sentadas ao chão, costuram a Bandeira, símbolo máximo da nação.

    Isabel Sanson Portella
    Abril de 2009
    (Fragmentos do texto original desenvolvido pelo Museu da República)

    Comentarista João Máximo grava em nosso Museu

    João Máximo se prepara para gravar.
    No finalzinho de outubro o comentarista João Máximo da ESPN gravou um pequeno vídeo em nossos jardins comentando sobre o jogador Domingos da Guia. Muitas equipes de filmagem escolhem nosso espaço externo para gravação, já que o parque de nosso museu é dos mais interessantes, bonitos e tranquilos para esta finalidade. Vejas as fotos!

    Nossa diretora Elaine Carrilho e João Máximo.

    segunda-feira, 19 de novembro de 2012

    19 de novembro, dia da Bandeira

    Para nós do Museu Casa de Benjamin Constant o Dia da Bandeira tem um significado especial. Tendo cuidado de sua criação com todo esmero e carinho, Benjamin Constant teve auxílio de suas próprias filhas e de sua esposa, Maria Joaquina, na confecção de sua ideia. Procurar o tecido, bordar as estrelas e o lema, caprichar no acabamento, tudo isso teve lugar no seio da família Constant. E hoje vai nossa singela homenagem a este símbolo tão querido: um trecho do Hino à Bandeira - com música de Francisco Braga e letra de Olavo Bilac interpretado no pistom por nosso colaborador, Edivaldo Coelho do Amaral:



    Salve, lindo pendão da esperança,
    Salve, símbolo augusto da paz!
    Tua nobre presença à lembrança
    A grandeza da Pátria nos traz.

    Recebe o afeto que se encerra
    Em nosso peito juvenil,
    Querido símbolo da terra,
    Da amada terra do Brasil!

    Em teu seio formoso retratas
    Este céu de puríssimo azul,
    A verdura sem par destas matas,
    E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

    Recebe o afeto que se encerra
    Em nosso peito juvenil,
    Querido símbolo da terra,
    Da amada terra do Brasil!

    Contemplando o teu vulto sagrado,
    Compreendemos o nosso dever;
    E o Brasil, por seus filhos amado,
    Poderoso e feliz há de ser.

    Recebe o afeto que se encerra
    Em nosso peito juvenil,
    Querido símbolo da terra,
    Da amada terra do Brasil!

    Sobre a imensa Nação Brasileira,
    Nos momentos de festa ou de dor,
    Paira sempre, sagrada bandeira,
    Pavilhão da Justiça e do Amor!

    Recebe o afeto que se encerra
    Em nosso peito juvenil,
    Querido símbolo da terra,
    Da amada terra do Brasil!

    quarta-feira, 14 de novembro de 2012

    15 de Novembro, Proclamação da República no Brasil



    Nosso patrono, Benjamin Constant, um dos principais personagens da Proclamação da República em nosso país devido à sua atuação tanto como militar quanto como professor - e divulgador do ideário republicano - nos leva a considerar esta data uma das mais importantes de nosso calendário. Hoje vamos conhecer um pouquinho sobre o Hino da Proclamação da República, um dos mais significativos símbolos da mudança de regime.

    Inicialmente pensado como o novo Hino Nacional, já em janeiro de 1890 o governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca lançou um concurso visando a oficialização de um novo hino para o Brasil. A disputa foi vencida por José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, que criou a letra, e por Leopoldo Miguez, que criou a música.

    Medeiros e Albuquerque foi um grande entusiasta do ideal republicano e inclusive assumiu alguns cargos públicos e administrativos do novo governo. O maestro Leopoldo Miguez dedicou-se aos estudos musicais na Europa desde terna idade, tendo voltado ao Rio de Janeiro em 1878, já como um grande defensor do regime republicano. Após 1889 foi nomeado diretor e professor do Instituto Nacional de Música.

    Mesmo ganhando a disputa, este hino acabou não sendo utilizado como o novo hino do país por decisão do Marechal Deodoro, que decidiu que a criação fosse empregada como sendo o Hino de Proclamação da República. A composição acabou por ser conservada como um dos mais significativos símbolos que representam a proclamação do regime republicano brasileiro.

    Veja que bela letra:

    Seja um pálio de luz desdobrado
    Sob a larga amplidão destes céus
    Este canto rebel que o passado
    Vem remir dos mais torpes labéus!
    Seja um hino de glória que fale
    De esperança, de um novo porvir!
    Com visões de triunfos embale
    Quem por ele lutando surgir!

    Liberdade! Liberdade!
    Abre as asas sobre nós!
    Das lutas na tempestade
    Dá que ouçamos tua voz!


    Nós nem cremos que escravos outrora
    Tenha havido em tão nobre País...
    Hoje o rubro lampejo da aurora
    Acha irmãos, não tiranos hostis
    Somos todos iguais! Ao futuro
    Saberemos, unidos, levar
    Nosso augusto estandarte que, puro,
    Brilha, ovante, da Pátria no altar!

    Liberdade! Liberdade!
    Abre as asas sobre nós!
    Das lutas na tempestade
    Dá que ouçamos tua voz!


    Se é mister que de peitos valentes
    Haja sangue em nosso pendão,
    Sangue vivo do herói Tiradentes
    Batizou este audaz pavilhão!
    Mensageiros de paz, paz queremos,
    É de amor nossa força e poder
    Mas da guerra nos transes supremos
    Heis de ver-nos lutar e vencer!

    Liberdade! Liberdade!
    Abre as asas sobre nós!
    Das lutas na tempestade
    Dá que ouçamos tua voz!


    Do Ipiranga é preciso que o brado
    Seja um grito soberbo de fé!
    O Brasil já surgiu libertado,
    Sobre as púrpuras régias de pé.
    Eia, pois, brasileiros avante!
    Verdes louros colhamos louçãos!
    Seja o nosso País triunfante,
    Livre terra de livres irmãos!

    Liberdade! Liberdade!
    Abre as asas sobre nós!
    Das lutas na tempestade
    Dá que ouçamos tua voz!

    terça-feira, 13 de novembro de 2012

    Re-editando: Narrativas no Caramanchão



    Exibida no período da 6ª Primavera de Museus em setembro, a exposição "Entre Dias - Narrativas no Caramanchão" está de volta a nosso museu em comemoração ao mês da Proclamação da República. A intervenção de Renata Casimiro destaca trechos do "Diário de Bernardina", filha de Benjamin Constant, em um novo "formato" - lúdico e delicado - e estará em exibição em nosso caramanchão, aberto a todo o público que vier nos visitar no período de 14 de novembro a 2 de dezembro, no horário de 8h às 17h.


    Veja maiores detalhes em nosso post anterior sobre a mostra e não deixe de vir conferir de perto!

    quarta-feira, 7 de novembro de 2012

    Museu Benjamin Constant no programa "Conhecendo Museus"

    Numa iniciativa da TV Brasil, o programa televisivo "Conhecendo Museus" tenciona apresentar com detalhes os principais museus do Brasil. A ideia é a de divulgar bens e valores culturais da humanidade, presentes em nosso país, democratizando o conhecimento gerado por essas instituições, além de divertir e fomentar o surgimento de novos públicos. Tanto o resgate da memória brasileira, registrada nos objetos, obras de arte e documentos guardados pelas instituições, quanto colaborar no apuro da consciência crítica dos telespectadores, em particular os mais jovens, fazem parte dos objetivos do belo programa.

    Nosso museu foi retratado em um dos episódios do programa. Gravado no início deste ano, traz de forma sucinta a figura de nosso patrono, Benjamin Constant, além de imagens e histórias de nossa casa. A casa, seus detalhes internos e externos, acervo de destaque, e também um pouco de nosso parque, foram apresentados por nossos colaboradores, historiadores e até por visitantes. Assista abaixo todo o programa e veja que belo exemplo de cultura divulgado pela TV aberta.


    Nota: os episódios do "Conhecendo Museus" são exibidos para o grande público através da TV Brasil/EBC e da TV Escola/MEC.

    quarta-feira, 31 de outubro de 2012

    O Parque do Museu

    O caramanchão: construção romântica de nosso parque que agrada a todos.
    Localizado em um dos lugares mais aprazíveis do bairro de Santa Teresa, a casa adquirida por Benjamin Constant tinha as características de uma chácara, envolvida por um largo parque com fauna e flora típicas do Rio de Janeiro de então. Sempre um local muito frequentado por moradores e visitantes, o espaço com mais de 10 mil metros quadrados ainda chama a atenção de todos, tanto pela beleza da natureza farta que oferece, quanto pela brisa, sol e recantos para contemplação, como o caramanchão, original da casa e recuperado em neste ano, e o novo mirante, criado numa trilha da parte de cima do mesmo, cuja visão se estende pela Baía de Guanabara.

    Área de educação ambiental, com viveiro e berçário de mudas...

    ... mais minhocário e compostagem.
    O parque integra a Área de Proteção Ambiental – APA de Santa Teresa, regulamentada pelo decreto n. 5050/85, o que reforça sua importância como uma das áreas verdes preservadas no bairro. Com a inauguração do museu em 1982, foi elaborado um plano de trabalho juntamente com a Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (DECAM/FEEMA) que teve como prioridade a conservação do terreno para a abertura à visitação pública. Um grande trabalho foi realizado pelo órgão, o que envolveu a erradicação de mato seguida pelo plantio de mudas de diversas árvores como o Abiu, o Abricó de Macaco, a Andiroba, o Flamboyant, o Ipê e mais jaqueiras, figueiras, mangueiras, entre muitas outras.

    O caminho para o mirante...
    ... que fica bem acima do museu casa, com vista para a Baía de Guanabara.
    O Parque do Museu é utilizado como uma opção de lazer para os moradores e visitantes do bairro, integrando os elementos da natureza ao patrimônio do Museu. Temos aumentado suas funções e interesse através da montagem de espaços expositivos, tais com o horto, a composteira, o minhocário,o viveiro e o berçário de mudas, de forma a montar oficinas de educação ambiental, voltadas para crianças inicialmente. Este trabalho vem sendo desenvolvido passo a passo com os próprios colaboradores da instituição, de modo a tornar nosso parque um espaço onde a ecologia pode ser vivenciada na prática, de modo a formar futuros cidadãos conscientes da importância da preservação ambiental, além da manutenção da sustentabilidade em seu bairro ou cidade.

    O horto, onde espécies mais desenvolvidas são cultivadas.

    sexta-feira, 26 de outubro de 2012

    Os amigos de Benjamin Constant

    Sempre preocupado e dedicado aos conhecidos e amigos, além de ser um cavalheiro, Benjamin Constant foi aos poucos tecendo uma teia de sólidas amizades em torno de si. Amizades estas que se transformaram em parentesco, outras que lhe foram fundamentais em alguns momentos, outras ainda que fizeram parte da história de nosso país. Neste post vamos destacar alguns destes personagens que, se não são históricos como nosso patrono, são dos mais importantes em sua história de vida.


    Claudio Luis da Costa - amigo de longa data, diretor do Instituto Imperial dos Meninos Cegos onde Benjamin lecionou, Claudio tornou-se seu sogro ao casar sua filha, Maria Joaquina, com Benjamin, em 1863. Claudio possuía ligações com figuras importantes do Império e por este motivo pode auxiliar Benjamin em sua carreira como professor, que já havia prestado tantos concursos, sendo aprovado, sem no entanto assumir os cargos. Após o retorno de Benjamin da Guerra do Paraguai, foi seu sogro quem o direcionou a ser diretor do Instituto em seu lugar.



    Carlos de Laet - Professor e escritor, ex-colega da Escola Normal, Carlos de Laet era monarquista e, mesmo assim, amigo de Benjamin. Formado em Engenharia, não quis seguir a carreira preferindo voltar-se para o magistério e o jornalismo. Deixou-se seduzir pela política e, em 1889, seus amigos monarquistas insistiram para que aceitasse uma cadeira de Deputado. Eleito, a Proclamação da República privou-o da cadeira. Manteve-se monarquista e fiel ao culto de D. Pedro II. Após a mudança do regime, o Governo Provisório decidiu extinguir quaisquer reminiscências da monarquia e, dentre as medidas, estava a que alterava o nome do "Colégio Pedro II" pelo de "Instituto Nacional de Instrução Secundária". Laet se manifestou contra a decisão e acabou demitido do colégio. Pouco depois, Benjamin Constant logrou transformar o ato de demissão em aposentadoria.

    Teixeira Mendes - filósofo, matemático, positivista e biógrafo de Benjamin Constant, Teixeira Mendes era um ferrenho defensor do positivismo de Auguste Comte. Foi vice diretor da Igreja Positivista do Brasil e, ao longo da década de 1880, disseminou suas ideias pelo país, tais como a defesa da abolição da escravatura, a proclamação da república, a separação entre a Igreja e o Estado e a inclusão social. Sua influência aumenta quando Benjamin Constant lidera o movimento da Proclamação da República. Imediatamente após o ato, reunido com Benjamin e Miguel Lemos, avaliou o movimento e a situação que, embora tivesse tomado direção diversa da que desejavam recebeu seu apoio e portanto, o apoio da Igreja Positivista. Participou da criação da bandeira nacional, atualizando-a.

    Miguel Lemos - colega de Benjamin na Escola Politécnica, fundou junto com ele em 1876, a Sociedade Positivista Brasileira, a primeira do Brasil. Esteve em Paris onde o pensamento positivista era mais forte, tendo contato com algumas de suas vertentes. De volta ao Brasil, iniciou uma enérgica ação política, social e religiosa a partir dos princípios do Positivismo, transformando a antiga Sociedade Positivista do Brasil em Apostolado e Igreja Positivista do Brasil, de onde foi diretor.


    Demétrio Ribeiro - nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, foi o primeiro Ministro da Agricultura da República e autor do projeto que transformaria a casa de Benjamin Constant em museu. Ribeiro foi professor, engenheiro, jornalista e político. Conheceram-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e bacharel em ciências físicas e matemáticas e retornou ao sul para ministrar aulas na Escola Central. Ferrenho opositor do Império, foi constantemente remanejado segundo o queira Dom Pedro II. Teve grande influência na organização da República, quando foi eleito deputado federal constituinte e nomeado ministro logo após sua proclamação, em 7 de dezembro de 1889. Deputado constituinte em de janeiro de 1890, retornando à câmara. Ali como Deputado Federal na Constituinte de 1891, propôs a separação da Igreja do Estado e o Decreto relativo às festas e aos feriados nacionais, foi fundador do Lloyd Brasileiro, e também ajudou a traçar planos de articulação das linhas de ferro em diversas regiões do país.

    Joaquim Murtinho - nascido em Cuiabá em 1848, foi médico homeopata, engenheiro civil, político e estadista. Fez curso de Ciências Naturais na Escola Central, hoje Escola Nacional de Engenharia. Formou-se Doutor em medicina e especializou-se em homeopatia. Foi também professor catedrático da Escola Politécnica e vice-presidente do Senado. Foi médico particular de Benjamin durante muitos anos e participou do novo regime republicano por ter sido eleito senador em 1890.

    Marechal Cândido Rondon - aluno e admirador de Benjamin, tornou-se órfão precocemente, tendo sido criado pelo tio e, depois de sua morte, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar. Em 1885 matricula-se em seu primeiro curso de matemática na Escola Militar quando conhece Benjamin Constant e é por este introduzido ao positivismo. Também esteve na Escola Superior de Guerra, e ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Em 1889, participou diretamente das articulações que resultaram na proclamação da república brasileira







    Outros nomes, famosos ou não, tais como Evaristo Xavier da Veiga - também chamado por Benjamin, como "o Veiga", seu amigo íntimo - Roberto Trompowsky - cofundador da Sociedade Positivista - Antonio Valeriano da Silva Fialho, o "Chloro" - amigo e correspondente durante a Guerra do Paraguai - e Jose Bevilaqua - que se tornou seu genro - também fazem parte de sua lista de amigos que ajudaram o patrono a navegar pela vida sempre com bons companheiros.

    quinta-feira, 25 de outubro de 2012

    Comemorando os 30 anos - as famílias

    Alguns membros de nossa família próximo ao busto de Benjamin Constant.

    Conforme dissemos neste post, o tema das comemorações do aniversário de nosso museu neste ano esteve em torno da família Benjamin Constant e das famílias que integram um núcleo maior em torno da instituição. Com isto em mente, realizamos na tarde de 19 de outubro um pequeno encontro com nossas famílias, contando com atividades principalmente voltadas às crianças, filhos, sobrinhos e netos de funcionários e colaboradores. Vamos às fotos?


    A tarde começou com uma pequena oficina de confecção de brinquedos, reaproveitando materiais que seriam descartados. Adultos e crianças se empenharam em criar chocalhos e vai-vens bonitos e gostosos de brincar, na varanda da Casa de Bernardina, prédio anexo ao museu.


    Uma visita mediada descontraída e instrutiva para vários de nossos colaboradores - alguns nunca tinham adentrado ao museu - foi realizada para nivelar o conhecimento sobre nosso patrono, sua família e sua casa. No dia a dia de trabalho, nem sempre uma peça ou um ambiente que está sendo cuidado pode ser entendido em todo seu significado e foi importante ter este momento de troca de ideias e informações.

    Cadernos educativos foram distribuídos aos pequenos.

    Após a visita ao mirante, foi realizada uma atividade na área de oficinas ecológicas, sob a coordenação de João Oliveira. Além de montarem pequenos arranjos com flores e folhas colhidas no parque, as crianças também plantaram sementes em nosso novo sementário, num misto de brincadeira e ação simbólica ecológica conscientizadora.

    Arranjos preparados por João Oliveira.
    Ao fim das atividades, uma foto com a família completa do museu foi tirada.

    terça-feira, 23 de outubro de 2012

    Comemorando os 30 anos - a família hoje

    Grupo de familiares de Benjamin Constant em torno de seu busto no aniversário de 30 anos de seu museu casa.
    Na tarde de 18 de outubro último, aniversário de 30 anos de nosso museu, recebemos com muita honra a visita dos descendentes da família de Benjamin Constant. Netos, bisnetos, trisnetos e até tetranetos do patrono estiveram em visita especial à casa museu e puderam aproveitar o encontro entre si e com seu passado comum. Curta as imagens!

    No início da reunião o grupo ia chegando aos poucos, se cumprimentando e se reconhecendo após anos sem uma comemoração em comum.

    Elaine Carrilho, nossa diretora, inicia o evento às portas do museu casa


    Antes da visita especial, nosso colaborador Edivaldo Amaral executou o "Hino da Proclamação da República", criado antes do hino nacional, composto por Leopoldo Augusto Miguez.

    Durante a visita à casa, muitas lembranças e recordações dos mais velhos foram divididas com os mais jovens e com nossa equipe, suscitando mais curiosidade e interesse entre os presentes.


    Reunidos no caramanchão e em torno do mesmo, o grupo conversou, brincou e se refrescou com um pequeno lanche.

    Uma atividade educativa foi realizada entre os presentes e gerou muitos comentários: monte sua árvore genealógica!

    Ao fim da visita, a foto dos familiares visitantes, registrando mais um aniversário de nosso museu.