quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Parceria Rede Ecológica e Museu Casa de Benjamim Constant


E, nesta semana, estamos em plena Primavera dos Museus! O evento fomentado e coordenado pelo IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus - autarquia ligada ao MinC - Ministério da Cultura, a qual somos vinculados - vai até o próximo domingo, dia 25/09, com a participação de mais de 750 instituições culturais de todo o país. E o tema deste ano - "Museus, Memórias e Economia da Cultura" - destaca o importante papel social desempenhado pelos museus na promoção de trocas simbólicas, culturais, de saberes e de experiências, assim como sua contribuição para a dinamização da cadeia produtiva da cultura de modo sustentável. Daí que tivemos a ideia de mostrar uma iniciativa pequena de que fazemos parte, que justamente toca o tema "economia criativa".



Desde o ano passado abrimos nosso espaço verde aos sábados pela manhã para a entrega de alimentos orgânicos aos associados do Núcleo Santa Teresa da Rede Ecológica, que congrega grupos de consumidores que realizam compras coletivas diretamente de pequenos produtores. Então, pedimos ao pessoal da Rede que nos enviasse um texto sobre como esta parceria os ajudou, no que fomos gentilmente atendidos por Talita Miranda e Pedro Cooper, participantes do grupo.. Leiam abaixo como pudemos ajudar nesta ideia tão interessante, importante, e possivelmente um embrião de muitas outras boas ideias ligadas à economia de base sustentável!

Pela manhã, os alimentos são separados e organizados em cestos para os associados que vêm buscá-los.
A entrega é feita na área de nosso Canteiro Ecológico.


"A Rede Ecológica é um movimento social que visa a fomentar o consumo ético, solidário e ecológico. É constituída de grupos de consumidores que realizam compras coletivas diretamente de pequenos produtores agroecológicos / orgânicos. Nascida em outubro de 2011, a partir da iniciativa de alguns moradores no bairro da Urca, a Rede Ecológica possui atualmente diversos núcleos nas zonas sul e oeste da cidade do Rio de Janeiro, em Niterói e Região Serrana.

Já perto da hora do almoço, as cestas prontas para serem entregues aos associados do
Núcleo Santa Teresa da Rede Ecológica.
As compras coletivas são uma modalidade de consumo consciente proposta pela economia solidária. Nas compras coletivas o consumidor muda de receptor passivo para agente ativo, que compreende melhor a vida dos produtores e o processo agrícola. Os grupos de compras são autogestionários e buscam garantir relações simétricas e harmoniosas entre o campo e a cidade, bem como condições de trabalho justas e de respeito ao meio ambiente. São compras diferentes das feiras porque o produtor geralmente não está presente. Os consumidores se organizam para facilitar este trabalho para o produtor, que exige tempo e dinheiro de sua parte.

Legumes, verduras, frutas e também alguns produtos como ovos e processados também são fornecidos.

Além das compras coletivas, a Rede Ecológica desenvolve uma série de atividades externas relacionadas ao reaproveitamento de embalagens, agro turismo, representação em campanhas, grupos de trabalho e organizações envolvidas com as temáticas de segurança alimentar, agricultura urbana, agroecologia e economia solidária. Tais atividades vêm se tornando cada vez mais importantes para alimentar as mudanças que consideramos tão necessárias em nossa sociedade, em direção a uma ideologia mais agro ecológica.



A Rede também já conta com alguns produtos orgânicos embalados por fornecedores.

O núcleo Santa Teresa se iniciou em 2002, sendo que na época os produtos eram trazidos por uma Kombi que os entregava em vários pontos do bairro. Sua “sede” passou pela escolinha Casa Monte Alegre, por uma casa ocupada onde um grupo desenvolvia trabalhos culturais, pela Igreja Anglicana do bairro, pelo Centro Cultural Casa do Barão, pelo Colégio Estadual Monteiro de Carvalho e nos últimos dois anos se abriga no Museu Casa de Benjamin Constant. Fomos acolhidos pela equipe do Museu, estabelecendo uma parceria que nos ensina a cada dia como respeitar e ao mesmo tempo usufruir do patrimônio, estabelecendo outras relações possíveis com um espaço histórico. O Museu é unânime, dentre os associados antigos do núcleo, como sendo o local mais completo, agradável para a realização das entregas. Além da beleza e tranquilidade do espaço, da segurança e do bom convívio com os(as) funcionários(as), há também o alinhamento com práticas agroecológicas. Isso porque o Museu, por iniciativa própria, realiza coleta seletiva de lixo, compostagem de matéria orgânica, minhocário e cria canteiros com mudas orgânicas. Tudo isso garante harmonia e simbiose nessa relação próspera entre o Museu Casa de Benjamim Constant e a Rede Ecológica, que até já gerou um evento em conjunto na Semana de Museus de 2015, cujo tema foi sustentabilidade. Esperamos que assim seja continue sendo por muito tempo!"

Os participantes do Núcleo Santa Teresa da Rede Ecológica em evento em nosso parque.

Nós também ficamos muito orgulhosos em poder apoiar um pouquinho a Rede, recebendo o grupo em nosso espaço. E esperamos que a parceria cresça muito mais. Obrigada a todos os participantes!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Um móvel de outra época

A cômoda que fica no "Quarto do Rapaz" em nossa casa histórica:
provavelmente um móvel do estilo "Império".


Que nosso acervo possui peças de mobiliário das mais interessantes dos séculos XIX e XX, todos já sabem. É comum encontrar admiradores dessas peças entre nossos visitantes e eles tanto apreciam os conjuntos de cadeiras e canapés em madeira e palhinha quanto pequenas mesas e armários, acessórios ao mobiliário principal. Neste post destacamos uma peça em especial: a cômoda que fica no chamado "Quarto do Rapaz", representando os quartos que foram destinados aos filhos de nosso patrono, Benjamin Constant. Apesar do casal Benjamin e Maria Joaquina terem tido três meninos - Leopoldo Henrique, Claudio e Benjamin Constant Filho - apenas o último viveu até seus 30 anos de idade, sem deixar herdeiros. Os outros dois meninos faleceram ainda crianças.

Cômoda em estilo "Dona Maria I", anterior ao estilo "Império" no Brasil.

A descrição do móvel em nossos registros é bem detalhada: "De formato retangular. Tampo em mármore branco rajado emoldurado, com arestas arredondadas. Quatro ordens de gavetas emolduradas com frisos, sendo a primeira com duas gavetas menores e as três seguintes maiores sobrepostas; com puxadores em metal, com argolas e espelhos de fechaduras embutidos. Base em degrau com arestas arredondadas. Pés frontais circulares e traseiros retangulares.". Comparando-a com outras peças também confeccionadas no século XIX, concluímos que se trata, provavelmente, de um modelo estilo "Império Brasileiro".

"Napoleão cruzando os Alpes" de Jacques-Louis David (1801-1805),
um dos quadros mais famosos que retratam o imperador francês.

Os móveis estilo "Império" nasceram na França de Napoleão Bonaparte, logo após a Revolução Francesa, no período conhecido como "Diretório", por volta de 1795. Teve sua fase áurea durante o Império Napoleônico propriamente dito - de 1804 a 1813 - e continuou em voga por mais uns 10 anos, sendo de uso corrente em quase toda a Europa. Já no Brasil este estilo chegou um pouco mais tarde, com adaptações próprias ao nosso clima tropical, tais como a substituição de madeiras - que continuaram a receber camadas de verniz fino e brilhante. Outros detalhes mais trabalhados também se tornaram mais simples, mais de acordo com nosso país, uma colônia tropical. Esses móveis aparecem por volta de 1820 e fazem uma ligação entre os estilos "Dona Maria" e "Vitoriano" e são dos mais bonitos de nosso rico repertório do Brasil Colônia, Império e mesmo do período Republicano. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Nova edição da Caminhada Republicana: convite para a Edição Paralímpica!

Clique para ver o convite.
Um dos novos bondes que passeia por Santa Teresa estará à espera dos participantes
da "Edição Paralímpica" da "Caminhada Republicana".


Depois do sucesso de nossas duas Caminhadas Olímpicas Republicanas - leia o post a respeito - achamos que as Paralimpíadas - em curso em nossa cidade neste momento - mereciam uma nova edição do evento "esportivo cultural" organizado em parceria com o Museu da República.

Uma breve visita ao nosso parque e à Casa Histórica de Benjamin Constant fazem parte do circuito.

Trata-se de um passeio cultural feito à pé, que inclui um passeio de Bonde, inclusive. A nova edição ocorrerá apenas no dia 15 de setembro, quinta feira, no horário das 8h às 12h. O ponto de encontro será na estação de embarque do bondinho de Santa Teresa no Centro da cidade, na rua Lélio Gama, nº 212, próximo ao edifício da Petrobras. Um bondinho estará lá reservado para partir às 8h da manhã, subindo as ladeiras de Santa Teresa até o Largo do Guimarães, de onde o grupo virá a nosso museu caminhando. Aqui, teremos atividades leves em nosso parque, uma visita mediada à Casa Histórica e logo depois iniciaremos a caminhada maior em direção ao Museu da República, no bairro do Catete. No trajeto passaremos pelo Templo da Humanidade - Igreja Positivista - outro ponto de interesse republicano. Se houver tempo, poderemos esticar o passeio até os arredores dos bairros da Glória e do Largo do Machado. Ao final, uma completa visita mediada ao Palácio do Catete - atual sede do Museu da República - encerrará com muita história e beleza o passeio.

Uma visita mediada aos belos salões do Palácio do Catete encerra a nova edição da "Caminhada Republicana".


Para participar, você deve estar às 7h30 na estação do bondinho. Serão distribuídas senhas para apenas 28 pessoas, que dá direito à viagem de bonde, às visitas aos museus e a todo apoio na caminhada, que será acompanhada por um historiador, um museólogo e um guia de turismo, de forma gratuita. Temos certeza de que é uma nova oportunidade já bastante esperada por quem não pode estar presente nas primeiras edições. Venha, participe!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Que árvore é essa? A "Cabeluda" (ou "Cabeludinha")

Marcada em amarelo, a árvore "Cabeluda", no lado esquerdo de quem sobe,
em nossa alameda principal.

Hoje destacamos uma árvore de nosso parque que é um pouco complicada de visualizar, pois se confunde com o verde abundante do ao redor. Mesmo assim, achamos importante falar sobre ela, já que seu aspecto de um modo geral é bastante interessante. A "Cabeluda" - ou "Cabeludinha" (Eugenia tomentosa) - ficou conhecida desta forma por seus pequenos frutos amarelos que possuem uma espécie de "penugem" sobre sua casca, quando maduros.É uma árvore pequena, praticamente um arbusto, mas se destaca por seu caule diferente e pelo verde intenso de suas folhas.

Detalhe das flores de uma "Cabeludinha".
Ela não é muito conhecida em nosso país, apesar de sua origem ter sido apontada como daqui mesmo, o Brasil. É nativa dos estados do Rio de Janeiro, sul de Minas Gerais e de São Paulo e é cultivada em Santa Catarina. De baixa estatura, tem de 2 a 4 metros de altura de um caule dividido em vários galhos desde a base. Destes, surgem ramos declinados e bifurcados. O tronco atinge pequenas dimensões, medindo de 5 centímetros a, no máximo, 10 centímetros de diâmetro e é recoberto por uma casca fissurada (com rugas), de cor escura. As folhas são simples e parecem muito com a de uma laranjeira ou de um limoeiro. Também as hastes destas folhas são "cabeludas", isto é, são cobertas de pelos longos e escuros. As flores nascem junto às folhas ou em ramos sem folhas sob a copa. São brancas, pequenas, hermafroditas, não têm haste e ficam presas ao caule como um cacho. A árvore costuma florescer entre maio e junho.

O fruto da "Cabeluda", também chamada de "Jabuticaba Amarela".

O fruto é comestível e parece um globo com gomos, aparecendo de outubro a dezembro. Quando maduros sua casca adquire coloração amarela intensa que recobre uma polpa translúcida e com suco saboroso, doce e levemente ácido. Deliciosos se forem consumidos in natura, também podem fazer sucos, doces e sorvetes.

Detalhe das folhas, longas e em verde escuro.
A "Cabeluda" é considerada ornamental por suas densas ramificações, elegantes copa e folhagem verde-escura e também é indicada para arborização de ruas, praças e jardins. Em nosso parque, um de seus exemplares se localiza logo na alameda principal, próximo à casa histórica.

Nota: o nome científico da "Cabeluda" ou "Cabeludinha" também pode ser "Myrciaria glazioviana", sinônimo de "Eugenia tomentosa".

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Uma caminhada esportiva e histórica

Tudo começou com um passeio nostálgico no famoso bonde de Santa Teresa. Na imagem, Lucimar Straud,
André Angulo e Marcos Lopes, mestres de cerimônia e guias da caminhada. Foto Chris Souza.

Em nosso museu, quando pensamos na realização de um evento, sempre avaliamos seu aspecto cultural, educativo, lúdico, histórico, audio e visual, etc. Por estarmos dentro de um parque que faz parte da Mata Atlântica, alguns também envolvem aspectos ecológicos e sustentáveis, de conscientização ambiental, tão importantes nos dias de hoje. Neste ano, em razão das Olimpíadas Rio 2016, envolvemos também o aspecto "esportivo" da coisa, já que era importante mobilizar as pessoas em torno do grande acontecimento que ocorreu em nossa cidade. Foi fácil então nos basearmos no "Circuito Sítios Históricos da República", que é realizado em parceria com o Museu da República, e passa por alguns lugares importantes da história da república brasileira, tais como nosso museu - casa do "Fundador da República" - a Casa de Deodoro - primeiro presidente do novo regime - o Palácio do Itamaraty - primeira sede da República - e o Palácio do Catete, antiga chácara de um rico fazendeiro, remodelada para abrigar os novos presidentes. Pensando nesta verdadeira "maratona" pelo Centro do Rio, criamos um percurso menor, para ser feito à pé, mas ainda assim bastante interessante do ponto de vista histórico - e "puxado" em se tratando do aspecto esportivo: e realizamos a nova Caminhada Olímpica Republicana.

No segundo dia de caminhada, houve uma pequena visita ao Acervo da Estação dos Bondes.

Foram duas edições, nos dias 9 e 16 de agosto. O ponto de encontro foi a Estação dos Bondes de Santa Teresa, localizada no Centro do Rio. Funcionando em "operação assistida", os novos bondes ficaram encarregados de trazer os dois grupos para a caminhada até o museu, o que já foi uma emoção e tanto para quem nunca andou de bondinho, e para quem já não andava há muitos anos.


Nossa diretora, Elaine Carrilho, com os kits promocionais da Caminhada Olímpica Republicana.
Tal iniciativa partiu da própria Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, que nos ofereceu todo o apoio necessário ao transporte dos grupos via bonde. Do Largo do Guimarães, onde o bonde hoje finaliza seu percurso, um primeiro trajeto pelas ruas de Santa Teresa foi feito até nosso museu, onde um frugal café da manhã - ao estilo dos atletas - aguardava os participantes.

O primeiro grupo, em nosso museu: disposição e interesse cultural e histórico.

Acompanhados por nosso servidor Henrique Florêncio, e por nosso historiador, Marcos Lopes, foi feito um passeio pelas trilhas de nosso parque - enfocando a Área de Proteção Ambiental - APA - de Santa Teresa, onde nosso museu está inserido, sem esquecer de um bocado de exercício - e em seguida uma visita à casa histórica de Benjamin Constant. Partindo daqui, o grupo de nobres caminhantes, pisou as "ladeiras de Santa", seguido pelo bairro da Glória, em direção ao Palácio do Catete, no bairro de mesmo nome.


O segundo grupo que participou da caminhada, na escadaria da Igreja Positivista, no bairro da Glória. Foto Chris Souza.

Passando por diversas vistas de nossa bela cidade, um pouco de história e algumas curiosidades foram contadas aos grupos pelo museólogo e guia de turismo Andre Angulo, do Museu da República. A etapa mais desafiadora da caminhada veio nesta parte, até uma parada no Igreja Positivista do Brasil - antigo Templo da Humanidade - localizada na Rua Benjamin Constant, no bairro da Glória, erguido em função da Doutrina Positivista, base do pensamento de grande parte dos intelectuais brasileiros, tais como Miguel Lemos, Cândido Rondon, Júlio de Castilhos e Demétrio Ribeiro, além de nosso patrono. Chegando lá, houve uma apresentação de Alexandre Martins, Presidente da casa, e de Christiane Souza, Diretora de Patrimônio da entidade, que está em processo de restauração - veja este post - ressaltando que o pensamento positivista foi a origem de vários ideais republicanos. Em seguida, deu-se continuidade à caminhada até o Palácio do Catete.

Na segunda caminhada foi possível dar uma passadinha pelo Outeiro da Glória. Foto Chris Souza.
Um breve passeio pela Igreja do Outeiro da Glória foi feito na segunda caminhada, oportunidade em que os participantes puderam usar o plano inclinado da Igrejinha, que funciona perfeitamente, ensejando a lembrança do Plano Inclinado que existia antes dos bondes aqui mesmo, em frente ao nosso museu casa - veja este post. A beleza da construção e da vista do local encantaram a todos.


Em um dos salões do Museu da República, o quadro "A Pátria", de Pedro Bruno, lembra a confecção da
primeira bandeira nacional e o sentimento cívico que existia então. Foto Chris Souza.

Palco da "Velha República" - período de 1889 a 1930 - e também da "nova", até o Presidente Juscelino Kubitschek, em 1960, o Palácio do Catete hoje abriga o Museu da República, que tem por missão guardar a memória republicana de nosso país desde seu nascedouro. O prédio - inicialmente sede de uma chácara - foi erguido por Antonio Pinto, o Barão de Nova Friburgo. E em 1896, durante o mandato de Prudente de Moraes - primeiro Presidente civil de nosso país - foi adquirido pelo Governo Federal para sediar a Presidência da República. A imponência dos salões do Palácio impressiona. E não há como não se lembrar de fatos históricos relevantes que tiveram lugar no prédio, tais como os dois governos do Presidente Getúlio Vargas, onde ele suicidou-se em 1954, abrindo espaço para um novo ciclo político em nossa história.


Avaliamos esta realização como muito positiva, por vários motivos: os cariocas presentes aos passeios, além de conhecerem mais de sua cidade, aproveitarem de uma parte antiga e tradicional em Santa Teresa, também ficaram sabendo do pensamento dos herois republicanos, além dos primeiros anos do novo regime já no palácio do governo construído para tal. Foi uma oportunidade sem par de exercitar as pernas e o cérebro num mesmo momento, aproveitando um caminho com paisagens históricas e turísticas da melhor qualidade.

Nota importante: os dois museus envolvidos planejam a retomada desse formato do Circuito e já estão pensando em nova data para repetir a caminhada em breve!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O dia (e o mês) do Folclore


A literatura de cordel vem da Região Nordeste e se espalha por todo o país.


Neologismo criado em 22 de agosto de 1846 quando o arqueólogo inglês Ambrose Merton enviou uma carta à revista The Athenaeum, de Londres, usando os vocábulos da língua inglesa "FOLK" e "LORE" (respectivamente "povo" e "saber"), a palavra FOLCLORE passou a ter o significado de "saber tradicional de um povo". Desde então o termo passou a ser utilizado para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares e, mais tarde, a designar toda a cultura nascida principalmente nessas classes, dando ao Folclore o status de "história não escrita de um povo". E o dia 22 de agosto ficou internacionalmente marcado como o Dia do Folclore, sendo que, em alguns países, incluindo o nosso, a festa se comemora durante todo o mês.

Tendo origem na Região Sul de nosso país, a lenda do Saci Pererê é uma das mais conhecidas
em todo o país. Na imagem, três desenhos do mito.

O interesse pelo assunto nasceu na Europa, entre o fim do século XVIII e o início do século XIX, quando estudiosos como os Irmãos Grimm iniciaram pesquisas sobre a poesia tradicional na Alemanha. Verificou-se que a cultura popular era extremamente rica, altamente criativa e muito vasta. O interesse pelo estudo do Folclore se espalhou por outros países e se ampliou para o estudo de outras formas literárias, músicas, práticas religiosas e outros fatos chamados na época de "antiguidades populares". E mesmo que os avanços registrados na ciência e na tecnologia tenham levado ao descrédito várias dessas tradições populares, a influência do pensamento positivista no século XIX contribuiu para homenageá-las, entendendo-as como "elos" na cadeia de saberes, que deveriam ser compreendidas para se entender a sociedade. Logo houve a percepção de que a cultura popular poderia desaparecer devido a novos modos de vida, e seu estudo se intensificou, ao mesmo tempo em que esses saberes passaram a ser usados como elemento de obras artísticas, inclusive pertencentes à cultura erudita.

O Reisado aparece em diversas cidades de norte a sul do país,
mas é muito festejado na região Centro Oeste.

O estudo do Folclore chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX através de estudiosos como Celso de Magalhães e Sílvio Romero, que passaram a pesquisar as manifestações folclóricas nativas e a publicar estudos a respeito, lançando no país os fundamentos do folclorismo, a ciência que estuda o Folclore, e que levou um século para conquistar prestígio no mundo acadêmico brasileiro.

Parte do artesanato tradicional indígena, a cerâmica marajoara,
encontrada na região Norte, é parte importante de nossas tradições.

Todos sabem que o Folclore Brasileiro é dos mais ricos, representando com facilidade a identidade social de várias comunidades através de suas criações culturais, coletivas ou individuais. É parte essencial da cultura do Brasil embora apenas a partir da década de 1970 o folclorismo nacional foi institucionalizado e recebeu conformação conceitual. As contribuições são as mais variadas, com destaque para a portuguesa, a negra e a indígena, o que levou a uma intensa diversificação das tradições e costumes populares. Hoje, o estudo de sua composição é das maiores, além de receber larga divulgação interna e internacional, constituindo-se como elemento importante da própria economia do Brasil, pela geração de empregos, pela produção e comércio de bens associados e pelo turismo cultural, que incentiva e dinamiza.

Na região sudeste, a Feijoada é prato típico do Rio de Janeiro,
assim como o Tutu à mineira é das Minas Gerais.


As manifestações são muitas e podemos citar como mais conhecidas as danças, as festas tradicionais, as brincadeiras, a religiosidade, as lendas, o artesanato e os pratos e bebidas típicos de cada região. Quase não é possível registrar todas as manifestações folclóricas mantidas espontaneamente por nosso povo, devido ao nosso vasto território nacional e também a intensa diversidade entre elas. Mas, com certeza, é fácil perceber que se trata de um estudo fascinante e sem fim, visto que as mudanças na sociedade estão sempre acontecendo e que nosso povo valoriza muitíssimo os saberes e prazeres que já fazem parte de seu dia a dia.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Uma moringa especial

Moringas em barro, chamadas de "bilha", pelos portugueses.


Objeto encontrado em muitas casas brasileiras, a moringa nada mais é que um recipiente para guardar água de beber. Só que, a partir dessa definição básica, existe todo um percurso que passa pela história, pela antropologia, pela sociologia e até pelo folclore de nosso povo. Que o vaso ou jarro de barro remonta a milhares de anos e diferentes culturas não há dúvida: o interessante é notar suas diferentes formas, cores e também modo de fazer, cada qual dependente da cultura do local onde é feita.

Moringas indígenas sempre com muitos ícones em sua superfície.

O termo "moringa" é de origem indígena, a palavra original utilizada em português era "bilha": a bilha de água que os colonizadores utilizavam. Também os índios faziam seus jarros e potes para guardar água, e os negros que aqui chegaram também sabiam modelar o barro para fazer moringas. Da fusão das três culturas - branca, negra e índia - é que faz com que as moringas feitas em nosso país possam variar de um formato simples a uma peça mais elaborada. Existem exemplares de moringas zoomorfas (que representam animais), antropomorfas (que se assemelham à forma humana) e até mesmo moringas antropozoomorfas (de um lado corpo de homem e do outro, a de um bicho).

Este belo modelo de moringa faz parte de nosso acervo.

Temos em nosso acervo uma peça do primeiro tipo: fabricada em fins do século XIX ou início do XX, ela tem forma de uma ave e remete a peças indígenas. É pintada de azul com um pontilhado em vermelho. Partes das asas, do rabo e da cabeça são pintados em dourado e ela se apoia em uma base circular pintada em vermelho. Não temos registro da data de sua aquisição mas o que se sabe é que a peça foi ofertada por Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant, à sua afilhada Rosalia Xavier. E, por ordem desta, a peça retornou ao acervo de nosso museu. É um objeto simples que se destaca em meio à exposição de nossa casa histórica. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Que árvore é essa? O Abieiro ou a árvore do Abiu

A poderosa árvore do Abiu: o Abieiro em nosso parque.

Continuando a série que começamos no mês de junho aqui no blog - você não viu o post sobre o Abricó de Macaco? - hoje vamos falar sobre uma árvore "antiga", pois muitos que nos visitam, se não estão acompanhados por seus avós, ao se deparar com a plaquinha do "Abiu", nos perguntam "Que Árvore é Esta?". Ou seja: os mais jovens não conhecem nem o fruto, nem a espécie.

O Abiu ainda no pé.

O Abiu é um fruto muito comum no Rio de Janeiro e encontrava-se nas ruas da cidade como a Mangueira e o Sapoti, por exemplo. Com o passar dos anos, foi desaparecendo e caiu no esquecimento das pessoas, mas é uma espécie típica da América do Sul - aparece na Bolívia, na Colômbia, na Venezuela, no Equador, no Peru e nas três Guianas - e no Brasil, desde a Amazônia e na mata Atlântica, da costa de Pernambuco até o Rio de Janeiro. Sua árvore, o Abieiro (Pouteria caimito) também é conhecida como Abiurana, Guapeva ou Cabo de Machado (na região Centro Oeste), é da família Sapotaceae.

O fruto maduro.


Abiu é amarelo, redondo, e consumido somente ao natural. Possui muitas qualidades, pois é rico nas vitaminas A, C e nas do complexo B. Diz se também que é de grande utilidade nas afecções do aparelho respiratório e como tônico geral. Mesmo assim, permanece como árvore de quintal e de pomares não comerciais.


Mais uma visão do Abieiro.

Em nosso parque possuímos alguns Abieiros. O que mais chama atenção dos visitantes fica perto da Casa de Bernardina e, nesta época do ano, muito fria, não produz frutos. Veja o que nos diz João de Oliveira, encarregado de nosso parque: “O Abieiro tem como melhor época para plantio os meses de outubro e novembro, e frutifica normalmente entre os meses de fevereiro e abril. Por ser uma árvore muito alta (acima de 5 metros de altura) e de ter raízes grandes, muitas vezes ela impede que outras espécies possam ser plantadas próximo a ela. Não é muito recomendada para praças, e sim para locais mais amplos como chácaras e fazendas. Seu fruto é doce (deve se ter cuidado com o látex presente na casca), e pode servir de alimento para animais como morcegos e pássaros. Sua manutenção não requer muitos cuidados.”