terça-feira, 23 de agosto de 2016

O dia (e o mês) do Folclore


A literatura de cordel vem da Região Nordeste e se espalha por todo o país.


Neologismo criado em 22 de agosto de 1846 quando o arqueólogo inglês Ambrose Merton enviou uma carta à revista The Athenaeum, de Londres, usando os vocábulos da língua inglesa "FOLK" e "LORE" (respectivamente "povo" e "saber"), a palavra FOLCLORE passou a ter o significado de "saber tradicional de um povo". Desde então o termo passou a ser utilizado para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares e, mais tarde, a designar toda a cultura nascida principalmente nessas classes, dando ao Folclore o status de "história não escrita de um povo". E o dia 22 de agosto ficou internacionalmente marcado como o Dia do Folclore, sendo que, em alguns países, incluindo o nosso, a festa se comemora durante todo o mês.

Tendo origem na Região Sul de nosso país, a lenda do Saci Pererê é uma das mais conhecidas
em todo o país. Na imagem, três desenhos do mito.

O interesse pelo assunto nasceu na Europa, entre o fim do século XVIII e o início do século XIX, quando estudiosos como os Irmãos Grimm iniciaram pesquisas sobre a poesia tradicional na Alemanha. Verificou-se que a cultura popular era extremamente rica, altamente criativa e muito vasta. O interesse pelo estudo do Folclore se espalhou por outros países e se ampliou para o estudo de outras formas literárias, músicas, práticas religiosas e outros fatos chamados na época de "antiguidades populares". E mesmo que os avanços registrados na ciência e na tecnologia tenham levado ao descrédito várias dessas tradições populares, a influência do pensamento positivista no século XIX contribuiu para homenageá-las, entendendo-as como "elos" na cadeia de saberes, que deveriam ser compreendidas para se entender a sociedade. Logo houve a percepção de que a cultura popular poderia desaparecer devido a novos modos de vida, e seu estudo se intensificou, ao mesmo tempo em que esses saberes passaram a ser usados como elemento de obras artísticas, inclusive pertencentes à cultura erudita.

O Reisado aparece em diversas cidades de norte a sul do país,
mas é muito festejado na região Centro Oeste.

O estudo do Folclore chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX através de estudiosos como Celso de Magalhães e Sílvio Romero, que passaram a pesquisar as manifestações folclóricas nativas e a publicar estudos a respeito, lançando no país os fundamentos do folclorismo, a ciência que estuda o Folclore, e que levou um século para conquistar prestígio no mundo acadêmico brasileiro.

Parte do artesanato tradicional indígena, a cerâmica marajoara,
encontrada na região Norte, é parte importante de nossas tradições.

Todos sabem que o Folclore Brasileiro é dos mais ricos, representando com facilidade a identidade social de várias comunidades através de suas criações culturais, coletivas ou individuais. É parte essencial da cultura do Brasil embora apenas a partir da década de 1970 o folclorismo nacional foi institucionalizado e recebeu conformação conceitual. As contribuições são as mais variadas, com destaque para a portuguesa, a negra e a indígena, o que levou a uma intensa diversificação das tradições e costumes populares. Hoje, o estudo de sua composição é das maiores, além de receber larga divulgação interna e internacional, constituindo-se como elemento importante da própria economia do Brasil, pela geração de empregos, pela produção e comércio de bens associados e pelo turismo cultural, que incentiva e dinamiza.

Na região sudeste, a Feijoada é prato típico do Rio de Janeiro,
assim como o Tutu à mineira é das Minas Gerais.


As manifestações são muitas e podemos citar como mais conhecidas as danças, as festas tradicionais, as brincadeiras, a religiosidade, as lendas, o artesanato e os pratos e bebidas típicos de cada região. Quase não é possível registrar todas as manifestações folclóricas mantidas espontaneamente por nosso povo, devido ao nosso vasto território nacional e também a intensa diversidade entre elas. Mas, com certeza, é fácil perceber que se trata de um estudo fascinante e sem fim, visto que as mudanças na sociedade estão sempre acontecendo e que nosso povo valoriza muitíssimo os saberes e prazeres que já fazem parte de seu dia a dia.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Uma moringa especial

Moringas em barro, chamadas de "bilha", pelos portugueses.


Objeto encontrado em muitas casas brasileiras, a moringa nada mais é que um recipiente para guardar água de beber. Só que, a partir dessa definição básica, existe todo um percurso que passa pela história, pela antropologia, pela sociologia e até pelo folclore de nosso povo. Que o vaso ou jarro de barro remonta a milhares de anos e diferentes culturas não há dúvida: o interessante é notar suas diferentes formas, cores e também modo de fazer, cada qual dependente da cultura do local onde é feita.

Moringas indígenas sempre com muitos ícones em sua superfície.

O termo "moringa" é de origem indígena, a palavra original utilizada em português era "bilha": a bilha de água que os colonizadores utilizavam. Também os índios faziam seus jarros e potes para guardar água, e os negros que aqui chegaram também sabiam modelar o barro para fazer moringas. Da fusão das três culturas - branca, negra e índia - é que faz com que as moringas feitas em nosso país possam variar de um formato simples a uma peça mais elaborada. Existem exemplares de moringas zoomorfas (que representam animais), antropomorfas (que se assemelham à forma humana) e até mesmo moringas antropozoomorfas (de um lado corpo de homem e do outro, a de um bicho).

Este belo modelo de moringa faz parte de nosso acervo.

Temos em nosso acervo uma peça do primeiro tipo: fabricada em fins do século XIX ou início do XX, ela tem forma de uma ave e remete a peças indígenas. É pintada de azul com um pontilhado em vermelho. Partes das asas, do rabo e da cabeça são pintados em dourado e ela se apoia em uma base circular pintada em vermelho. Não temos registro da data de sua aquisição mas o que se sabe é que a peça foi ofertada por Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant, à sua afilhada Rosalia Xavier. E, por ordem desta, a peça retornou ao acervo de nosso museu. É um objeto simples que se destaca em meio à exposição de nossa casa histórica. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Que árvore é essa? O Abieiro ou a árvore do Abiu

A poderosa árvore do Abiu: o Abieiro em nosso parque.

Continuando a série que começamos no mês de junho aqui no blog - você não viu o post sobre o Abricó de Macaco? - hoje vamos falar sobre uma árvore "antiga", pois muitos que nos visitam, se não estão acompanhados por seus avós, ao se deparar com a plaquinha do "Abiu", nos perguntam "Que Árvore é Esta?". Ou seja: os mais jovens não conhecem nem o fruto, nem a espécie.

O Abiu ainda no pé.

O Abiu é um fruto muito comum no Rio de Janeiro e encontrava-se nas ruas da cidade como a Mangueira e o Sapoti, por exemplo. Com o passar dos anos, foi desaparecendo e caiu no esquecimento das pessoas, mas é uma espécie típica da América do Sul - aparece na Bolívia, na Colômbia, na Venezuela, no Equador, no Peru e nas três Guianas - e no Brasil, desde a Amazônia e na mata Atlântica, da costa de Pernambuco até o Rio de Janeiro. Sua árvore, o Abieiro (Pouteria caimito) também é conhecida como Abiurana, Guapeva ou Cabo de Machado (na região Centro Oeste), é da família Sapotaceae.

O fruto maduro.


Abiu é amarelo, redondo, e consumido somente ao natural. Possui muitas qualidades, pois é rico nas vitaminas A, C e nas do complexo B. Diz se também que é de grande utilidade nas afecções do aparelho respiratório e como tônico geral. Mesmo assim, permanece como árvore de quintal e de pomares não comerciais.


Mais uma visão do Abieiro.

Em nosso parque possuímos alguns Abieiros. O que mais chama atenção dos visitantes fica perto da Casa de Bernardina e, nesta época do ano, muito fria, não produz frutos. Veja o que nos diz João de Oliveira, encarregado de nosso parque: “O Abieiro tem como melhor época para plantio os meses de outubro e novembro, e frutifica normalmente entre os meses de fevereiro e abril. Por ser uma árvore muito alta (acima de 5 metros de altura) e de ter raízes grandes, muitas vezes ela impede que outras espécies possam ser plantadas próximo a ela. Não é muito recomendada para praças, e sim para locais mais amplos como chácaras e fazendas. Seu fruto é doce (deve se ter cuidado com o látex presente na casca), e pode servir de alimento para animais como morcegos e pássaros. Sua manutenção não requer muitos cuidados.” 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Caminhada Olímpica Republicana - Convite



Em tempos de Olimpíada, quem não quer entrar no clima praticando um esporte? Nem que seja só para experimentar, algo leve e sem compromisso, é um convite e tanto para todos, dos 0 aos 88 - ou até mais... Por isso, em parceria com o Museu da República - também subordinado ao IBRAM-MinC - tivemos a ideia de criar um passeio cultural que incluísse a prática esportiva. Voltamos ao nosso circuito de "Sítios Históricos da República", de alguns anos atrás, e o revivemos como uma caminhada!

A caminhada passa por nosso museu e foi inspirada no circuito
"Sítios Históricos da República": esporte e cultura, juntos.

O evento ocorrerá nos dias 9 e 16 de agosto, duas terças feiras, no horário das 8h às 12h. O ponto de encontro será na estação de embarque do bondinho de Santa Teresa no Centro da cidade, na rua Lélio Gama, nº 212, próximo ao edifício da Petrobras. Reservamos um bonde que sairá da estação às 8h da manhã e subirá as ladeiras de Santa Teresa até o Largo do Guimarães, de onde o grupo virá a nosso museu caminhando, orientado por monitores. Ao chegar aqui, teremos atividades leves em nosso parque, além de visita mediada à Casa Histórica e logo depois iniciaremos a caminhada maior em direção ao Museu da República, no bairro do Catete. No trajeto passaremos por alguns pontos de interesse republicano - como o Templo da Humanidade - Igreja Positivista - que serão devidamente apresentados ao grupo. Ao final, uma visita mediada no Palácio do Catete encerrará o "périplo esportivo cultural".

Um bonde reservado ao grupo partirá do centro da cidade até o
Largo dos Guimarães, já em Santa Teresa.
Mas atenção: para participar você deve estar às 7h30 na estação do bondinho. Serão distribuídas senhas para apenas 28 pessoas em cada dia - 9/08 e 16/08. A senha dá direito à viagem de bonde, às visitas aos museus e a todo apoio na caminhada que será acompanhada por um historiador, um museólogo e um guia de turismo, de forma gratuita. Temos certeza de que será um passeio dos melhores!

A caminhada será finalizada em uma visita aos suntuosos salões do Museu da República.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Um evento e tanto - Projeto HOBRA




Todos sabem que as Olimpíadas trouxeram enorme visibilidade a nossa cidade, uma megalópole complexa. Um dos destinos preferidos do turismo interno e externo, e sediando um evento desta magnitude, o Rio só poderia atrair uma série de atividades artístico culturais. Foi assim que nasceu o Projeto HOBRA, uma residência artística realizada durante todo o mês de julho entre fotógrafos, pintores, escultores, dançarinos, performers, ilustradores, atores, etc., holandeses e brasileiros. Resultado do convite da Holanda ao Brasil por ocasião do calendário cultural olímpico, no Rio de Janeiro. Organizado a pedido do Ministério da Educação, Ciência e Cultura e do Ministério das Relações Exteriores holandeses. O programa cultural HOBRA é um esforço colaborativo de seis fundos culturais holandeses.

A primeira parte da peça "Invisível", encenada na
alameda principal de nosso parque.


Os contatos e a maior parte das exposições e eventos tiveram lugar no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, instituição parceira e vizinha de nossa rua em Santa Teresa. Deste modo os participantes acharam por bem incluir também nosso museu no pequeno "circuito" deste domingo, dia 31/07, encerrando com chave de ouro uma correspondência cultural muito intensa e da melhor qualidade.

Na segunda parte os atores se posicionaram nas sacadas
de dois quartos de nossa Casa Histórica.

Nosso museu recebeu a peça teatral "Invisível", criada e dirigida por Jörgen Tjon Fong e Patrick Pessoa. Houve poucos ensaios, muito trabalho e apenas três sessões do espetáculo, cujo objetivo maior era o de comemorar o sucesso da colaboração entre profissionais de diversas áreas ligadas ao teatro. A dramatização passou por todo nosso museu parque, com o público perambulando entre pontos onde os atores encenavam sketches. A ideia, além de valorizar o percurso de nosso museu, tornou-se surpreendente, tanto para o público quanto para os atores, já que percorrer um caminho em busca de reflexões sobre diversos assuntos bem atuais.

A última parte da peça foi encenada em nosso pátio interno,
e a plateia a assistiu desde o platô superior.


Foi muito interessante ver a montagem de cenários, iluminação, som, e oferecer o apoio possível tanto ao preparo quanto a apresentação da pequena peça. Torcemos para que outras iniciativas como esta possam ter lugar em nosso museu casa.

Nota Importante: a apresentação da peça ocorreu em três sessões na noite de domingo, e o público que visitou as exposições do Projeto HOBRA na C.C.M. Laurinda Santos Lobo foi convidado a participar da plateia, para a qual foram distribuídas senhas.

Leia mais sobre o Projeto HOBRA em sua página no Facebook

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Retratos: registros históricos das pessoas

O registro de BC jovem, ao ir para a Guerra do Paraguai, cuja face foi reproduzida
e guardada com amor por sua esposa em um broche, mesmo após seu falecimento.


Quando uma pessoa 'sai da vida e entra para a história" - frase célebre esta, hein? - os retratos são uma das principais formas de nos lembrarmos delas. Não apenas sua fisionomia, mas também seu jeito de ser, de olhar, de fazer, de agir e de viver, enfim. Um todo como a conhecemos. Com Benjamin Constant não foi diferente, claro. E quem o conheceu teve a sorte de guardá-lo na memória e também através de alguns poucos registros fotográficos já presentes em seu período de vida, ainda que em processos muito experimentais - como já falamos aqui - ou ainda de alto valor.

O broche de Maria Joaquina repassado a sua filha Alcida.

Na peça que foi de Maria Joaquina, sua esposa, depois repassada à sua filha Alcida, hoje parte de nosso acervo, surge uma reprodução de uma foto de Benjamin Constant quando jovem, com 30 anos, registrada no ano de 1866. É uma fotografia feita em Albumina, que também faz parte de nosso acervo fotográfico, completa, sem cortes. Mas aqui ela fez parte deste objeto que era comum, um broche que guarda imagens, que sua viúva devia usar diariamente junto ao seu corpo como um testemunho de sua saudade cotidiana.

O broche comemorativo do centenário de nascimento de Benjamin Constant.


Outra peça de nosso acervo, também um broche, confeccionado em material sintético, impresso em 1936, deve ter sido distribuído a parentes e amigos do antigo professor por ocasião do centenário de seu nascimento. Neste caso a imagem de Benjamin Constant que se desejou divulgar era a de homem adulto e sério, mais velho e mais responsável que a anterior. O que hoje seria chamado de "botton", deve ter sido usado como um broche, lembrando daquele que tantas lições e amizade havia distribuído um dia a seus discípulos e amigos, filhos e genros, parentes e agregados.

É para se refletir o quanto da história de uma pessoa permanece através de suas imagens. Hoje em dia, quando virtualmente qualquer indivíduo produz dezenas (senão centenas) de imagens de si mesmo todos os dias, é fato corriqueiro se descartar fotografias. Mas, no tempo de vida de nosso patrono, ter apenas UM registro de uma pessoa era muito difícil. É bom ter isto em mente.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Que árvore é essa? O Abricó de Macaco


Detalhe do caule com frutas e flores - Foto: Ariana Santos. 


Sempre recebemos muitos visitantes em nosso parque. Nossa área verde recebe até mais visitantes que nossa Casa Histórica, é verdade! E estes visitantes são ávidos por informações de diversos tipos e jeitos, formas e abordagens. Uma das perguntas mais comuns é querer se saber que tipo de árvore é uma das que habitam nosso parque - "que árvore é essa"? Muitas vezes escutamos. O mais das vezes nossos funcionários e terceirizados as conhecem, mas existem muitas delas que não são tão comuns assim. Existem até aquelas que nos confundem, pois não somos especialistas e, realmente, segundo a sabedoria popular, podem ter um nome no norte (ou no nordeste) e outro no sul ou sudeste de nosso país... enfim, algumas delas são difíceis de dizer certinho. Mas, mesmo assim, num esforço de nossa equipe, resolvemos listar aqui em nosso blog as que concordamos serem as mais conhecidas. E começamos com o Abricó de Macaco pois ela é uma das que chama muita atenção por diversos motivos. Quer saber quem é ela? Veja nas imagens:

A árvore apenas com frutos - Foto: Ariana Santos.


Muito comum aqui na cidade, aparecendo em vários parques da cidade, por exemplo, na orla da Urca, na beira da Lagoa, no Jardim Botânico, no Parque Laje e no Parque do Flamengo, o Abricó de Macaco também é conhecida pelos nomes populares de Castanha de Macaco, Cuia de Macaco, Macacarecuia e Amendoeira dos Andes. É originária da Amazônia, tem frutos redondos que pendem em cachos e que parecem um coco grande. São pesados e podem quebrar o vidro de automóveis ou amassá-los, e por isso são bem conhecidas pelos motoristas que tendem a estacionar longe delas! Suas flores são exuberantes e por isso também chamam muito a atenção: muito perfumadas, saem diretamente do tronco. É árvore bastante usada em paisagismo urbano e em fazendas, tem altura entre 8 e 15 metros e seu nome científico é Couroupita guianensis.

Aqui, um registro com o caule cheio de flores agarradas.

Em nosso parque essa árvore aparece em vários lugares: desde a alameda central, na subida, até a periferia do parque, nos platôs inferior e superior, nas trilhas, etc. Às vezes em lugares indevidos, mas não podemos simplesmente derrubá-las, tendo que apenas remover seus frutos para quem não provoquem nenhum acidente - se tivermos acesso a eles, o que às vezes pode ser difícil. Mas, normalmente suas flores e frutos colorem e perfumam seu arrabalde e mais alegram seu contorno que trazem problemas, já que estamos dentro de um parque!

Em nosso parque, um espécime com frutos e uma
trepadeira sobre o caule - Foto: Ariana Santos.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Dia dos Namorados é com cultura!

A suntuosa entrada do "Cafecito" no Laurinda Santos Lobo lembra o 'glamour' de outros tempos.
Muita gente já sabe: o amor à cultura é um dos melhores e é bom misturar as duas coisas - amor e cultura. A gente andou pesquisando e soube que muitos casais de namorados já descobriram que vale a pena curtir cultura e conhecimento a dois, finalizando com um bom lanche ou até com uma boa refeição. Em São Paulo, onde a oferta de cultura com culinária é intensa, isso já é sabido há muito tempo. Mas agora, aqui no Rio também se 'descobriu' a combinação, e aí resolvemos fazer um pequenino roteiro 'gastronômico-romântico-cultural' para aqueles que, no próximo domingo, Dia dos Namorados, 12 de junho, decidirem comemorar com seu par o seu dia, e também adquirirem um tantinho a mais de cultura - acompanhado de um quitute. Vamos lá? 

Simplicidade e um cafezinho da melhor qualidade encantam na nova filial do Cafecito.

Começando aqui por perto de nosso museu casa, ficamos sabendo que o (já famoso) Cafecito - que funciona em endereço próprio na rua Paschoal Carlos Magno, nº 121- agora tem uma filial no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo: é coisa pequena, com apenas quatro singelas mesinhas, e serve do cafezinho - gostoso como sempre - ao capuccino (original e perfetto!), e está aberto esperando todos de quarta a domingo das 13h às 20h. E no Laurinda, neste fim de semana há três exposições de artes plásticas, duas peças de teatro e ainda um show da "Saideira Musical" - é só chegar e aproveitar!
  
E, já que vocês estarão aqui pertinho, aproveitem e passem aqui pelo museu, que estará aberto no fim de semana das 13h às 17h -o parque fica aberto sempre, das 8h às 17h, vocês já sabem!

Em ambiente muito simples, o "Café das Ruínas" conquista pela vista de cartão postal.

Ainda aqui em Santa, todo mundo já veio no Parque das Ruínas, não é? e no "Café das Ruínas"? O Parque, que tem uma bela e famosíssima vista para o Pão de Açúcar é quase visita obrigatória para os namorados e o café desfruta dessa belíssima vista. É um ambiente muito simples mas dá para saborear alguma coisinha. Mas o passeio fica completíssimo com uma visita ao Museu da Chácara do Céu, que possui uma das mais belas coleções de artes plásticas da cidade. É passeio obrigatório e é até ligado ao Parque por uma passagem na parte alta de ambos - pergunte se não encontrar.

Interligando dois prédios muito especiais, a cobertura do M.A.R.
também abriga um dos restaurantes mais sofisticados da cidade.

Descendo em direção ao Centro da cidade, já na rediviva Praça Mauá, o Museu de Arte do Rio - o famosésimo M.A.R. - oferece exposições ecléticas: no momento há a recém inaugurada "Linguagens do corpo carioca - a vertigem do Rio", que "toma como ponto de partida o corpo de quem vive na cidade para discutir a identidade social como uma espécie de gíria gestual" e também a primeira individual do artista plástico Paulo Lobato, chamada "Da natureza das coisas". E se vocês buscam por gastronomia sofisticada estão no lugar certo: o museu abriga em sua cobertura o Restaurante Mauá com um cardápio pra lá de especial, criado pelo 'restaurateur' Roberto Maciel. O local faz parte do Grupo Pax e o menu da casa traz uma nova versão de pratos nacionais com uso de ingredientes bem curiosos, que fazem parte das iguarias criadas pelo chef, que busca no norte da Bahia - sua origem - inspiração para as receitas, que contam com carne de sol, queijo coalho, tamarindo e batata baroa, entre outros. Funciona das 12h às 18h e é bom reservar! Tem também o Cristóvão Café e Bistrô, que divide com a loja Novo Desenho o espaço "Pracinha Mauá", dedicado a acolher e integrar os visitantes do Museu. O café usa ingredientes de qualidade, tem preparo acurado e apresentação apetitosa! O cardápio valoriza a culinária brasileira e propõe uma releitura refinada de pratos nacionais: um destaque!

Em contraste com o ar futurista de suas instalações, o café do Museu do Amanhã é bastante "caseiro".

O Museu do Amanhã, ali pertinho, impressiona por suas linhas arrojadas na arquitetura e por seus questionamentos sobre a vida na Terra - a que levamos e a que virá. Os eixos temáticos que guiam as exposições instigam qualquer visitante e têm sido motivo de verdadeiras peregrinações de moradores da cidade e turistas até lá. Se você e seu amor curtem este clima, podem aliar a isto uma passada no café "Fazenda Culinária", que funciona das 10h às 18h: o estabelecimento valoriza a produção local, com ingredientes e alimentos totalmente cultivados e distribuídos no estado do Rio de Janeiro e acredita que o simples ato de comer pode transformar toda uma cadeia de produção, dando ênfase a sabores e particularidades de cada cultura agrícola. Aproveite também para checar a exposição sobre Santos Dumont que está linda!

O Átrio central do CCBB no Rio sempre lotado, é de onde se acessa as diversas
atrações do centro cultural e também seu café e restaurante.

Com exposições sempre muito disputadas, no momento o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta, com destaque, a intrigante "comCiência" da australiana Patricia Piccinini que esculpe seres imaginários super estranhos trazendo para a arte a questão das mutações genéticas. O universo de criaturas desconhecidas, porém palpáveis e surpreendentemente afetuosas criou o neologismo que faz o título da exposição e que carrega sentido duplo, conectando consciente e ciência, propondo ao público um percurso narrativo entre esculturas, desenhos, fotografias e vídeos - há distribuição de senhas até as 20h, mas o espaço tem vasta programação de vídeo, cinema, exposições permanentes e teatro. E, além da já "famosa" - para o bem e para o mal - Cafeteria Brasserie Brasil, que fica no térreo do prédio, tem também o Restaurante Brasserie Brasil que fica no mezanino e atende das 12h às 20 horas, com um serviço de chá dos melhores a partir das 16 horas.


Sempre muito agradável, o "Bistrô do Paço", no Paço Imperial, "fisga"
os visitantes pelo prédio, pelas exposições e pelas delícias a saborear.
A beleza da visita ao Paço Imperial, além do prédio encantador no Centro do rio é mesmo a de encontrar diversas exposições as mais bem montadas possível - e também de saborear delícias no térreo do antigo palácio. Neste fim de semana vocês encontrarão de Manfredo Souzanetto (com "Paisagem Ainda Que") a Regina de Paula (apresentando "Diante dos Olhos, Os Gestos"), passando por Elisa Bracher (e sua "Anatomia da Flor"), Marco Veloso (com "Jogando com a Armadilha") e Tatiana Grinberg ("Muda"), todas com suportes em duas dimensões: pinturas, gravuras, desenhos e fotografias. Em termos de gastronomia, a oferta é muito boa: apesar do concorrido Restaurante Atrium só abrir durante a semana, vocês podem optar pelo Arlequim, que funciona do lado de fora, na loja de mesmo nome, e que oferece bruschettas, sanduíches e refeições leves, acompanhados por uma boa variedade de bebidas, e que funciona das das 10h às 18h. Já o Bistrô do Paço funciona lá dentro mesmo, entre 12h e 19h, e promete boas surpresas: de bons pratos no almoço a um ótimo chá da tarde (neste friozinho então...). Tem também tábuas de frios e queijos que podem ser acompanhados por uma taça de um bom vinho - ótimo, não? É curtir a arte e o amor, no mesmo espaço: aproveitem!

Nota: clique nos links para checar os endereços.